
A professora Mariana Selister Gomes, do Departamento de Economia e Relações Internacionais e dos Programas de Pós-Graduação em Relações Internacionais e em Ciências Sociais da UFSM, foi selecionada, pelo Ministério das Mulheres, para integrar a delegação brasileira na 70ª Conferência sobre a Situação da Mulher da ONU, em New York, que iniciou na segunda (9) e segue até 19 de março.
O papel das acadêmicas é o de auxiliar o corpo diplomático na formulação da posição do Brasil, bem como acompanhar os debates, elaborar relatórios analíticos e, em seu retorno, multiplicar a Agenda Global nos seus territórios, via ensino, pesquisa, extensão e desenvolvimento institucional.
Segundo Mariana, o sistema ONU impacta diretamente as vidas nos territórios. Um exemplo é a Lei Maria da Penha, que só foi aprovada após enorme pressão da OEA. Outro exemplo é a Lei do Feminicídio, que conseguiu aprovação no Brasil em diálogo com as Conferências das Mulheres da ONU, e agora o Brasil é protagonista no tema, colaborando com outros países para que tenham suas leis nacionais sobre a matéria.
Neste ano, o tema prioritário da conferência é o Combate à Violência e Acesso à Justiça. Há 20 anos, a professora Mariana pesquisa diferentes formas de violência e os feminismos em luta. Ainda em seu mestrado, em 2008, propôs que a violência simbólica deveria ser encarada de frente, com transformação cultural via educação das relações de gênero, para que outras formas de violência fossem evitadas. Com esse argumento, ela foi uma das vencedoras do prêmio “Feminismo en America Latina: la mirada de las jovenes”, da ONU Mulheres (confira aqui).
Na UFSM, a professora atua na extensão, na pesquisa e no ensino das relações de gênero. Na extensão, desenvolve, desde 2019, o Programa de Extensão GIDH – Gênero, Interseccionalidade e Direitos Humanos, vinculado ao ODH e a Casa Verônica; inclusive, no ano passado, o GIDH desenvolveu uma cartilha sobre a Bertha Lutz (a brasileira que protagonizou a inclusão das mulheres na Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948) para este ano distribuir nas escolas, juntamente com formações aos estudantes e professoras da rede, ancorando a Lei 14.986/2024.
Na pesquisa, desenvolve, desde 2019, o projeto “Metodologia de Pesquisa Feminista e Decolonial”. No ensino, ministra disciplinas relacionadas aos Estudos de Gênero, para alunos de diferentes cursos. Neste semestre, inclusive, está ministrando “Tópicos Especiais em Direitos Humanos”, no curso de Relações Internacionais. Também é coordenadora do PPGRI.
Em seu retorno, a professora irá promover – juntamente com a PRE, o Gabinete da Reitora, o CCSH e o PPGRI – uma série de eventos, bem como, irá trazer sugestões para o fortalecimento da Agenda 2030, sobretudo do ODS 5, na instituição. Fique atento aos eventos pelo @gidh.ufsm no Instagram.
“Está sendo uma experiência incrível. Um momento único de compartilhar conhecimentos e lutas com mulheres que fazem a diferença em seu territórios, em várias partes do Brasil e do mundo, bem como, auxiliar a construir a Agenda Global que impacta diretamente no local”, afirma Mariana.
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