
Como parte das comemorações dos 400 anos das Missões Jesuíticas Guaranis do Rio Grande do Sul, foi realizada em Santa Ângelo no último domingo (26), na catedral angelopolitana, a “Missa da Terra Sem Males”, um espetáculo de fé, cultura e história. A missa foi escrita pelo bispo Dom Pedro Casaldáliga, referência da causa indígena, e musicada pelo maestro Martín Coplas, descendente do povo indígena quéchua. A coreografia foi elaborada pelo professor de Dança da UFSM Odailso Berté, com os alunos do Laboratório Investigativo de Criações Contemporâneas em Dança (Liccda). No espetáculo, o líder indígena Sepé Tiaraju foi representado pelo jovem indígena Bruno Aguirre Oliveira, integrante do povo mbyá-guarani e estudante do curso de Licenciatura em Matemática da Universidade Federal da Fronteira Sul.
A “Missa da Terra Sem Males” é uma obra musical que coloca dentro da estrutura litúrgica católica o remorso e o pedido de perdão do homem branco colonizador pelos males cometidos contra os povos indígenas de todo o continente americano. Com um coral de 400 vozes, músicos e os bailarinos do Liccda/UFSM, o espetáculo entrecruzou arte, espiritualidade e crítica social, motivando a releitura do passado para a construção de uma convivência pacífica em sociedade. O espetáculo na íntegra está disponível no YouTube, no canal do Portal Capital das Missões.
Desde 2002, por convite e sob direção do maestro indígena Martín Coplas, o professor Odailso Berté é o coreógrafo responsável pela obra. O Liccda já havia participado da montagem anterior da “Missa da Terra Sem Males”, em 2019. A atual edição marca os novos rumos do trabalho de pesquisa e criação em dança do Liccda, que também tem em seu histórico na UFSM obras artísticas como “FeridaCalo” (de 2016), sobre a pintora mexicana Frida Kahlo, e “Som e Luz em Corpos” (de 2018), espetáculo realizado nas Ruínas de São Miguel das Missões junto com o grupo local de jovens mbyá-guarani da comunidade Tekoá Koenjú.