
O Laboratório de Criatividade e Inovação em Artes Visuais (LACRIA) da UFSM realizou, na tarde da última sexta-feira (24), duas oficinas gratuitas voltadas ao público acima de 50 anos. As atividades ocorreram na SEDUFSM, em Camobi, e abordaram técnicas artísticas relacionadas à natureza e à tecnologia.
As oficinas foram conduzidas por estudantes do Departamento de Artes Visuais, que compartilharam com os participantes conhecimentos desenvolvidos em sala de aula. Ofertada pela primeira vez, a programação incluiu uma oficina de aquarelas naturais, com uso de plantas, alimentos e temperos na produção de tintas, e uma oficina de animação com massinha de modelar, voltada à criação de vídeos em stop-motion, técnica que utiliza sequências de imagens para gerar movimento.
Oficinas incentivam criatividade e integração entre gerações
A coordenadora do LACRIA e docente do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGART), Flávia Pedrosa Vasconcelos, explica que a proposta surgiu a partir da observação do perfil populacional de Santa Maria. “Quando eu vim para a UFSM, em 2019, percebi que Santa Maria, de acordo com o IBGE, é uma das cidades que mais têm pessoas acima de 50 anos. E eu pensei: a gente devia fazer algum tipo de oficina para mantê-las ocupadas”, relata.
Segundo a professora, atividades criativas são importantes nessa etapa da vida, pois estimulam capacidades cognitivas e contribuem para a autonomia e o bem-estar. Ela também destaca a troca de experiências entre gerações promovida pelas oficinas. “Essas pessoas têm muita história, conhecimentos que muitas vezes não estão nos livros”, afirma.
A iniciativa também busca demonstrar que a produção artística pode ser realizada com materiais acessíveis. “O acesso aos materiais é grande, mas também é importante trabalhar com a possibilidade de não ter tudo disponível, porque é nesse momento que surgem novas ideias”, completa.
Ao ensinar, estudantes também aprendem

Para Adriana Antunes, estudante de Artes Visuais (Licenciatura) e monitora das oficinas, a experiência contribui para ampliar a formação acadêmica ao apresentar possibilidades de atuação além da sala de aula. Segundo ela, ações extensionistas exigem novas metodologias e formas de diálogo com o público. “Essa experiência nos mostra outras áreas em que podemos atuar, para além dos espaços formais de ensino”, afirma.
Para a estudante, os participantes encontram nas atividades uma oportunidade de vivenciar experiências culturais e ampliar a sensibilização artística. “Passamos muito tempo da nossa vida sem termos a possibilidade de visitar exposições ou ir a espaços culturais. Então, esse momento é para explorar isso”, afirma. Adriana também ressalta o caráter colaborativo da extensão. “Não estamos ali apenas para ensinar, mas para construir conhecimento junto com os participantes”, completa.
Participantes destacam aprendizado e aplicação prática
Os participantes enfatizaram o caráter prático das oficinas e a possibilidade de aplicar os conhecimentos em diferentes contextos. A professora do Ipê Amarelo, Laisa Blancy Guarienti, avaliou a experiência como enriquecedora. “Foi uma tarde riquíssima, em que aprendi técnicas que poderei levar para trabalhar com as crianças”, destaca. Para ela, a oficina de tintas naturais despertou novas possibilidades para atividades criativas e de expressão artística com os estudantes.
Já o professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFSM, Edson Luiz da Silva, aponta a relação das atividades com sua área de atuação. “Essas técnicas dialogam com representação gráfica e também podem ser aplicadas em sala de aula. A massinha, por exemplo, já utilizei como forma de estimular a expressão dos estudantes”, explica.
Técnicas sustentáveis e acessíveis

Na oficina de tintas naturais, os participantes aprenderam a produzir pigmentos artesanais a partir de ingredientes como colorau, beterraba, açafrão, páprica, café e espinafre. O processo envolveu etapas de trituração, diluição em água, filtragem e adição de álcool e bicarbonato de sódio, que auxiliam na conservação das tintas. A técnica foi desenvolvida com base em conteúdos da disciplina Arte, Meio Ambiente e Tecnologia e apresenta uma alternativa sustentável para a produção artística.
Além das oficinas, o LACRIA atua como um espaço permanente de ensino, pesquisa e extensão da UFSM, com foco em processos criativos, teoria e história da arte. O laboratório está localizado na sala 1020 do bloco 40 do Centro de Artes e Letras (CAL) e funciona diariamente.
As atividades do laboratório são divulgadas no Instagram do projeto (@lacria.dav.cal.ufsm).
Texto: Giovanna Felkl, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Adrieny Rosa, estudante de produçõa editorial e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Mariana Henriques, jornalista