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Laboratório de Artes Visuais da UFSM promove oficinas para público acima de 50 anos

Atividades reuniram técnicas naturais, artísticas e tecnológicas em experiências práticas



Foto colorida, em formato horizontal, mostra três copos transparentes posicionados lado a lado, contendo líquidos coloridos. Da esquerda para a direita, o primeiro copo contém tinta vermelha, produzida com páprica; o segundo, ao centro, apresenta tinta amarela, feita com colorau; e o terceiro, à direita, contém tinta verde, produzida com espinafre. Ao fundo, aparecem outros copos com diferentes cores de tinta. Todos estão sobre uma mesa de madeira.
Aquarelas feitas à base de pigmentos naturais

O Laboratório de Criatividade e Inovação em Artes Visuais (LACRIA) da UFSM realizou, na tarde da última sexta-feira (24), duas oficinas gratuitas voltadas ao público acima de 50 anos. As atividades ocorreram na SEDUFSM, em Camobi, e abordaram técnicas artísticas relacionadas à natureza e à tecnologia.

As oficinas foram conduzidas por estudantes do Departamento de Artes Visuais, que compartilharam com os participantes conhecimentos desenvolvidos em sala de aula. Ofertada pela primeira vez, a programação incluiu uma oficina de aquarelas naturais, com uso de plantas, alimentos e temperos na produção de tintas, e uma oficina de animação com massinha de modelar, voltada à criação de vídeos em stop-motion, técnica que utiliza sequências de imagens para gerar movimento.

Oficinas incentivam criatividade e integração entre gerações

A coordenadora do LACRIA e docente do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGART), Flávia Pedrosa Vasconcelos, explica que a proposta surgiu a partir da observação do perfil populacional de Santa Maria. “Quando eu vim para a UFSM, em 2019, percebi que Santa Maria, de acordo com o IBGE, é uma das cidades que mais têm pessoas acima de 50 anos. E eu pensei: a gente devia fazer algum tipo de oficina para mantê-las ocupadas”, relata.

Segundo a professora, atividades criativas são importantes nessa etapa da vida, pois estimulam capacidades cognitivas e contribuem para a autonomia e o bem-estar. Ela também destaca a troca de experiências entre gerações promovida pelas oficinas. “Essas pessoas têm muita história, conhecimentos que muitas vezes não estão nos livros”, afirma.

A iniciativa também busca demonstrar que a produção artística pode ser realizada com materiais acessíveis. “O acesso aos materiais é grande, mas também é importante trabalhar com a possibilidade de não ter tudo disponível, porque é nesse momento que surgem novas ideias”, completa.

Ao ensinar, estudantes também aprendem

Foto colorida, em formato horizontal, mostra ao centro duas mãos segurando um tablet com a câmera aberta, utilizado para gravar um vídeo em stop-motion com massinha de modelar. Sobre a mesa, há uma folha branca e, sobre ela, uma massinha verde modelada em forma de planta, imagem registrada na tela do aparelho. Ao fundo, em desfoque, aparecem outras peças de massinha já modeladas para compor o restante da animação, além de porções de massinha de diferentes cores ainda não utilizadas
Estudantes orientam participantes na produção de vídeos em stop-motion com massinha de modelar

Para Adriana Antunes, estudante de Artes Visuais (Licenciatura) e monitora das oficinas, a experiência contribui para ampliar a formação acadêmica ao apresentar possibilidades de atuação além da sala de aula. Segundo ela, ações extensionistas exigem novas metodologias e formas de diálogo com o público. “Essa experiência nos mostra outras áreas em que podemos atuar, para além dos espaços formais de ensino”, afirma.

Para a estudante, os participantes encontram nas atividades uma oportunidade de vivenciar experiências culturais e ampliar a sensibilização artística. “Passamos muito tempo da nossa vida sem termos a possibilidade de visitar exposições ou ir a espaços culturais. Então, esse momento é para explorar isso”, afirma. Adriana também ressalta o caráter colaborativo da extensão. “Não estamos ali apenas para ensinar, mas para construir conhecimento junto com os participantes”, completa.

Participantes destacam aprendizado e aplicação prática

Os participantes enfatizaram o caráter prático das oficinas e a possibilidade de aplicar os conhecimentos em diferentes contextos. A professora do Ipê Amarelo, Laisa Blancy Guarienti, avaliou a experiência como enriquecedora. “Foi uma tarde riquíssima, em que aprendi técnicas que poderei levar para trabalhar com as crianças”, destaca. Para ela, a oficina de tintas naturais despertou novas possibilidades para atividades criativas e de expressão artística com os estudantes.

Já o professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFSM, Edson Luiz da Silva, aponta a relação das atividades com sua área de atuação. “Essas técnicas dialogam com representação gráfica e também podem ser aplicadas em sala de aula. A massinha, por exemplo, já utilizei como forma de estimular a expressão dos estudantes”, explica.

Técnicas sustentáveis e acessíveis

Foto colorida, em formato horizontal, mostrando uma mesa de madeira em ambiente interno. Em primeiro plano, duas mãos seguram um tablet na horizontal, com a câmera aberta gravando uma cena de animação em stop motion. Na tela do aparelho aparece uma folha branca com uma massinha verde modelada em formato de árvore ao centro. Sobre a mesa, ao fundo, há duas folhas brancas com pequenas figuras feitas de massinha verde distribuídas sobre elas. À esquerda, aparecem massinhas coloridas ainda sem uso
Técnica utiliza beterraba para produzir tinta na cor vermelha

Na oficina de tintas naturais, os participantes aprenderam a produzir pigmentos artesanais a partir de ingredientes como colorau, beterraba, açafrão, páprica, café e espinafre. O processo envolveu etapas de trituração, diluição em água, filtragem e adição de álcool e bicarbonato de sódio, que auxiliam na conservação das tintas. A técnica foi desenvolvida com base em conteúdos da disciplina Arte, Meio Ambiente e Tecnologia e apresenta uma alternativa sustentável para a produção artística.

Além das oficinas, o LACRIA atua como um espaço permanente de ensino, pesquisa e extensão da UFSM, com foco em processos criativos, teoria e história da arte. O laboratório está localizado na sala 1020 do bloco 40 do Centro de Artes e Letras (CAL) e funciona diariamente.

As atividades do laboratório são divulgadas no Instagram do projeto (@lacria.dav.cal.ufsm).

Texto: Giovanna Felkl, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Adrieny Rosa, estudante de produçõa editorial e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Mariana Henriques, jornalista

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