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Pesquisadora da UFSC debate desafios contemporâneos à democracia em atividades na UFSM

Luana Heinen ministrou a aula magna do curso de Relações Internacionais na quinta-feira (23) e um minicurso para estudantes de pós-graduação na sexta-feira (24)



Foto colorida horizontal da palestrante em pé, em imagem da cintura para cima e da esquerda para a direita. Luana veste óculos, uma blusa cor telha e um casaco jeans. Atrás dela, a projeção de um slide
Luana Heinen abordou os impactos da articulação entre neoliberalismo e neoconservadorismo nos processos democráticos contemporâneos.

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) recebeu, na última semana, a professora Luana Renostro Heinen, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), para dois eventos acadêmicos voltados à análise dos atuais desafios à democracia no contexto mundial. A programação incluiu a aula magna do curso de Relações Internacionais, intitulada “Neoliberalismo e Neoconservadorismo no Brasil e na América Latina”, na quinta-feira (23), e o minicurso “Convergência entre neoliberalismo e neoconservadorismo e enfraquecimento da democracia”, realizado na sexta-feira (24).

“O neoliberalismo, desde suas primeiras manifestações, já era fortemente conservador”, destacou Luana em entrevista à Subdivisão de Comunicação do CCSH. No cenário atual, entretanto, a intensificação do discurso moralizante por parte de lideranças políticas vem sinalizando um novo momento: a convergência entre neoliberalismo e neoconservadorismo. Segundo a pesquisadora, trata-se de um processo de expansão da esfera privada, que busca reduzir a interferência direta do Estado na economia e na vida cotidiana, transferindo responsabilidades públicas para o âmbito familiar, a partir da imposição de uma única moralidade válida. 

Questionada sobre exemplos recentes dessa aliança, Luana citou projetos de lei voltados à proibição do debate de gênero e de educação sexual no ambiente escolar. Para a professora, que desde 2021 coordena o grupo de pesquisa “Direitos Humanos diante do neoliberalismo no Brasil”, essas propostas, além de contrariarem evidências científicas, dificultam o enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes.

Foto colorida horizontal de sala de aula lotada. Ao fundo, a palestrante Laura à frente da projeção. Em fila, sentados, os estudantes do curso de Relações Internacionais.

O papel da ciência e das universidades 

“As universidades são, fundamentalmente, o lugar da dúvida, da contestação, do debate”, enfatizou Luana. Para a docente, enquanto espaços em que a pluralidade é respeitada, as universidades devem estar à frente das discussões sobre a convergência entre neoliberalismo e neoconservadorismo e, consequentemente, sobre os impactos dessa aliança nos processos democráticos, ajudando “a sustentar políticas públicas que sejam baseadas em evidências e não em crenças sem sustentação empírica”, finaliza.

Os eventos com a participação da professora Luana Heinen foram organizados pelo curso de Relações Internacionais, pelo Diretório Acadêmico Mônica de Menezes Campos e pelo Núcleo de Pesquisa e Práticas em Direito Internacional (NPPDI) da UFSM.

Sobre a palestrante 

Luana Heinen é doutora e mestre em Direito pela UFSC, com período de estudos na Université Paris-Ouest Nanterre la Défense. É membro do Instituto Memória e Direitos Humanos da UFSC (IMDH/UFSC), além de coordenadora do Núcleo de Estudos em Sociologia e Direito (SocioDir) e do Grupo de Estudos de Direito e Literatura (Literar). Desde 2021, coordena o projeto de pesquisa “Direitos humanos diante do neoliberalismo no Brasil: como autoritarismo e neoconservadorismo convergem para limitar a eficácia dos direitos humanos”. 

Texto e fotografias: Carolina Bonoto, jornalista da Subdivisão de Comunicação do CCSH

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