Ir para o conteúdo UFSM Ir para o menu UFSM Ir para a busca no portal Ir para o rodapé UFSM
  • International
  • Acessibilidade
  • Sítios da UFSM
  • Área Restrita

Aviso de Conectividade Saber Mais

Início do conteúdo

Professora da UFSM recebe primeira carteira profissional de sanitarista emitida no RS

Reconhecimento reforça a regulamentação da profissão, fortalece a formação em Saúde Coletiva e amplia perspectivas de atuação no SUS



A professora Liane Righi, do Departamento de Saúde Coletiva do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Santa Maria, recebeu a primeira carteira profissional de sanitarista emitida no Rio Grande do Sul. A entrega ocorreu em ato do Ministério da Saúde realizado em Canoas.

A emissão da carteira ocorre após a regulamentação da profissão de sanitarista no Brasil, oficializada em 2026. A regulamentação reconhece formalmente a profissão de sanitarista e estabelece critérios para o exercício profissional por pessoas com formação em Saúde Coletiva ou Saúde Pública.

Mais do que uma formalidade, a medida representa, segundo Liane, um avanço no reconhecimento de profissionais que historicamente atuam no planejamento, gestão, pesquisa e formulação de políticas públicas em saúde. “A principal mudança é a visibilidade para a existência da profissão de sanitarista, com reconhecimento da formação na graduação, especialização, mestrado ou doutorado na área da Saúde Coletiva”, afirma.

O que faz um sanitarista?

Sanitaristas são profissionais voltados à dimensão coletiva da saúde, atuando em áreas como epidemiologia, gestão e planejamento, políticas públicas e organização dos serviços de saúde. O trabalho envolve a articulação entre diferentes dimensões do cuidado, integrando informações epidemiológicas, gestão de equipes e organização das redes de atenção à saúde.

Na prática, esses profissionais atuam no fortalecimento da gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo para o planejamento de políticas públicas, organização de serviços e qualificação do cuidado em saúde. Para Liane, a regulamentação traz reconhecimento formal para uma atuação que já existia, mas nem sempre era identificada profissionalmente.

A expectativa, de acordo com a docente, é de que a regulamentação amplie a visibilidade da profissão e fortaleça a inserção de sanitaristas em diferentes espaços do SUS. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a Secretaria Estadual da Saúde já incluiu bacharéis em Saúde Coletiva em seus dois últimos concursos. Com a regulamentação, a tendência é que municípios e órgãos públicos passem a prever cargos específicos para sanitaristas. “Há sanitaristas trabalhando na região, muitas vezes profissionais da saúde com especialização em Saúde Pública. Contudo, atualmente concursos e contratações costumam ocorrer a partir da profissão de graduação. Espera-se que prefeituras passem a incluir sanitaristas para essa função”, explica.

Segundo a professora, ainda há carência de profissionais atuando integralmente nessa área, especialmente no interior do estado. “Sanitarista é a profissão que se ocupa do coletivo. Em muitas situações, todas as funções de gestão da saúde ficam concentradas na pessoa que ocupa a Secretaria de Saúde, que nem sempre possui formação específica. A permanência de sanitaristas na gestão do SUS deixaria o sistema mais estável”, avalia.

Regulamentação fortalece formação em Saúde Coletiva na UFSM

A conquista ocorre no mesmo momento em que a UFSM inicia seu mestrado em Saúde Coletiva, o que reforça a relevância da regulamentação para a Universidade. De acordo com Liane, o reconhecimento profissional fortalece o campo de formação e pesquisa, além de estimular o interesse de profissionais pela área. “Espera-se que mais sanitaristas trabalhem na região e que mais profissionais tenham interesse na formação. É provável que a oferta de especialização lato sensu e graduação entrem na agenda do Departamento de Saúde Coletiva”, destaca.

Segundo ela, a proposta do mestrado da UFSM já foi construída considerando o cenário de regulamentação da profissão, com formação voltada às três grandes áreas da Saúde Coletiva: epidemiologia; política, planejamento e gestão; e ciências sociais em saúde.

Impactos para o SUS e para a Saúde Coletiva

Além do reconhecimento profissional, a regulamentação pode trazer impactos diretos para a organização do SUS. Para Liane, a presença de sanitaristas contribui para qualificar a gestão do sistema, articulando melhor as informações epidemiológicas, o trabalho das equipes e a rede de serviços entre os diferentes níveis de atenção. “Isso significa articular melhor o trabalho das equipes com as informações epidemiológicas, organizar melhor a rede de serviços e fazer ofertas para qualificar o trabalho das equipes, ampliando a clínica, especialmente na Atenção Primária à Saúde”, explica.

Além de integrar o Departamento de Saúde Coletiva da UFSM, Liane participou da construção do mestrado da área na instituição e atualmente é vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva. Com trajetória vinculada ao movimento da reforma sanitária brasileira, a docente considera simbólico receber a primeira carteira profissional emitida no estado. “Represento uma geração de sanitaristas que participou do movimento de reforma sanitária e acompanhou o nascimento do SUS. Fiquei bastante honrada com o convite para receber a primeira carteira de sanitarista do Rio Grande do Sul”, finaliza.

Divulgue este conteúdo:
https://ufsm.br/r-1-72878

Publicações Recentes