
A produção científica na área de Relações Públicas deu um passo importante rumo à internacionalização e ao resgate de sua memória teórica na última quarta-feira (3). A professora Cintia Carvalho, da UFSM, apresentou os primeiros resultados de uma ampla pesquisa sobre o legado do professor Roberto Porto Simões no prestigiado Congresso AIRP 2026, realizado pela Associação de Investigadores em Relações Públicas na Universidad Autônoma de Barcelona, na Espanha.
O trabalho apresentado, intitulado “Três décadas depois: Presencia, usos e invisibilidades de la Teoría de la Función Política de Simões en la produção científica en Relaciones Públicas (2015–2025)”, foi desenvolvido em coautoria com a professora Andréia Athaydes, também da UFSM. A comunicação mapeia como a comunidade acadêmica utilizou, adaptou ou invisibilizou a Teoria da Função Política de Simões na última década.
A apresentação na Europa é o primeiro grande marco deste projeto de pesquisa que ainda está em andamento, coordenado e liderado pela professora Andréia. O objetivo central do estudo é resgatar e expandir o arcabouço teórico de Roberto Porto Simões, um dos maiores nomes das Relações Públicas no Brasil, amplamente reconhecido por sua contribuição decisiva no embasamento científico da profissão e por sua abordagem pioneira sobre a dimensão do poder nas organizações. Como um dos principais frutos institucionais da investigação liderada por Athaydes, a pesquisa gerará um livro que será publicado até 2028 com versões em português, inglês e espanhol, ampliando o alcance global da obra do autor.
Devido à sua relevância e caráter inovador, o projeto das docentes da UFSM foi contemplado com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio da Chamada nº 044/2024, voltada ao apoio de grupos emergentes de pesquisa.
O aporte financeiro permitiu a articulação de uma rede que hoje reúne acadêmicos nacionais e internacionais. Esse ecossistema global conta com cientistas da Espanha e de diversos países da América Latina — justamente as regiões onde o professor Simões desenvolveu suas parcerias mais sólidas e construiu um forte reconhecimento institucional ao longo de sua trajetória.
Os estudos estão centralizados no Grupo de Pesquisa Cominter (Comunicação Internacional e Intercultural) da UFSM, e contam também com a colaboração de pesquisadores dedicados à obra de Porto Simões, entre eles a professora Lana Campanella, da UFSM, que integra o núcleo do projeto. “Levar a teoria de Porto Simões para um congresso internacional como o AIRP é fundamental para reposicionar o pensamento latino-americano de Relações Públicas no cenário global. O apoio do CNPq valida a urgência de olharmos para a função política das organizações e a publicação do livro trilíngue até 2028 garantirá que esse conhecimento circule sem fronteiras”, destaca a professora Cintia.
O professor Roberto Porto Simões é amplamente reconhecido como um dos principais pilares do pensamento científico das Relações Públicas no Brasil e na América Latina. Seu grande legado acadêmico foi ir além da visão puramente técnica ou mercadológica da profissão, ao formular, na década de 1980, a inovadora Teoria da Função Política das Relações Públicas.
Com essa abordagem pioneira, Simões estabeleceu que as organizações operam em um ecossistema de poder e conflito de interesses, cabendo ao profissional gerenciar essas interações políticas e buscar o equilíbrio entre a instituição e a sociedade. Ao conferir essa profundidade teórica e crítica à área, sua obra não apenas consolidou o embasamento científico das Relações Públicas, mas também elevou a profissão a um patamar estratégico indispensável para a governança e a tomada de decisões no cenário contemporâneo.
O Cominter (Comunicação Internacional e Intercultural) é um grupo de pesquisa certificado pelo CNPq e sediado na UFSM. O grupo dedica-se a investigar os fluxos de comunicação, as relações públicas em ambientes multiculturais, teorias de poder e a internacionalização do conhecimento científico.
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