Um Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) é um dos principais instrumentos de planejamento de uma instituição de ensino superior. O documento estabelece diretrizes, objetivos e metas que orientam as ações da universidade durante determinado período. Na UFSM, o novo PDI será elaborado nos próximos anos e terá vigência de 2028 a 2035.
Para Silvane Brand Fabrizio, coordenadora de Planejamento e Avaliação Institucional, o PDI é muito mais do que um documento institucional, é o instrumento que ajuda a Universidade a olhar para o futuro e, ao mesmo tempo, organizar as decisões do presente. O plano aponta uma direção para a UFSM nos próximos oito anos e conecta a visão de longo prazo com o cotidiano da gestão. Além disso, é um instrumento de participação. “Quando toda a comunidade acadêmica e a sociedade ajudam a construir o PDI, também ajudam a construir a Universidade que querem”, evidenciou.
UFSM já teve quatro PDIs
Em 2001, durante a gestão do então reitor Paulo Jorge Sarki, o primeiro PDI da Universidade foi elaborado para orientar as ações da gestão até 2005. O segundo PDI foi construído durante a gestão de Clóvis Silva Lima, de 2006 a 2010. O plano apresentou uma visão geral da Instituição, ao demonstrar as políticas de ensino de graduação, pós-graduação e pesquisa; de extensão; de atendimento aos discentes; de práticas de educação a distância e de educação inclusiva. Em 2011, o terceiro PDI foi desenvolvido. Na gestão de Felipe Martins Müller, o documento foi renovado em 2016.
O quarto PDI foi pensado para guiar a organização institucional durante 10 anos: de 2016 a 2026. Contudo, teve sua validade prorrogada para 2027. Mais de 3 mil contribuições da comunidade contribuíram para que o documento fosse elaborado. Durante a gestão de Paulo Afonso Burmann, a UFSM definiu sete desafios institucionais para nortear o documento: Internacionalização; Educação inovadora e transformadora com excelência acadêmica; Inclusão social; Inovação, geração de conhecimento e transferência de tecnologia; Modernização e desenvolvimento organizacional; Desenvolvimento local, regional e nacional; Gestão ambiental;
O atual pró-reitor de Planejamento (Proplan), Vinicius Garcia, considera que os itens do PDI vigente foram cumpridos com sucesso. Em entrevista à TV Campus, o professor afirmou: “um dos pontos fortes que podemos citar é o índice de reconhecimento da excelência institucional atribuído pelo MEC para avaliar os cursos que são ofertados pela Universidade”.
Como será a construção do novo plano
O lançamento do PDI ocorreu na última sexta-feira (14) durante a palestra da ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia, que também recebeu o título de doutora honoris causa no Centro de Convenções. Desde então, a participação da comunidade tem sido essencial para a construção do novo documento estruturante, prevista para ser finalizada até dezembro de 2027.
Silvane Brand Fabrizio destaca quatro pontos para a concepção do PDI 2028- 2035: panorama da educação e do contexto institucional; diagnóstico institucional; construção da estratégia institucional; e acompanhamento e revisão.
O primeiro passo é “olhar para a Universidade e também para o cenário em que está inserida, compreendendo as transformações, as tendências e os desafios que impactam a educação superior e, especialmente, a realidade da UFSM”, como observou Silvane. No entendimento da servidora, isso marca o panorama da educação e do contexto institucional.
Já o diagnóstico institucional é realizado para entender a Universidade a partir de dados, indicadores, avaliações, documentos institucionais e, principalmente, a escuta da nossa comunidade. “Também vamos olhar para a trajetória do PDI 2016-2026, reconhecendo o que foi realizado, as experiências que tivemos e os aprendizados que esse percurso nos deixou. Afinal, construir um novo PDI também significa aprender com a história da própria Universidade para pensar, com mais clareza, os próximos oito anos”, afirmou Silvane.
A construção da estratégia institucional será aplicada a partir do diagnóstico e da escuta da comunidade. Silvane explica que tais instrumentos irão definir quais transformações a instituição quer produzir, quais serão os objetivos estratégicos, quais estratégias irão utilizar, quais indicadores permitirão acompanhar os avanços e quais metas querem alcançar.
Por fim, a quarta etapa diz respeito ao acompanhamento e à revisão. Após a elaboração do plano, a Proplan continuará observando os efeitos do PD: “é preciso acompanhar os resultados, avaliar o que está funcionando, identificar o que precisa ser ajustado e atualizar as prioridades quando necessário”, reiterou a coordenadora.
Silvane garante que, no fim, o que os guia é pensar: “que Universidade somos hoje, que Universidade queremos ser em 2035 e o que precisamos fazer para construir esse futuro”.
O que significa o PDI na prática?
No cotidiano da Universidade, o plano institucional orienta algumas decisões e guia diferentes gestões. “O PDI também orienta o orçamento. Por isso, prevê que os planos de ação sejam a interface entre planejamento e orçamento”. Isto é, os recursos precisam atender às prioridades institucionais. “Então, no dia a dia, o PDI pode apoiar uma decisão de gestão, a definição de uma prioridade, a distribuição de recursos, o acompanhamento de uma meta ou a identificação de um risco”, relembra Silvane.
A coordenadora exemplifica que o PDI pode ser utilizado quando uma unidade de ensino identifica um problema, como o aumento da evasão estudantil e busca o documento para orientar a tomada de decisão. “A partir disso, pode planejar ações de acompanhamento dos estudantes, fortalecer o apoio acadêmico e ampliar a divulgação de bolsas e auxílios, definindo responsáveis, prazos, recursos e indicadores para acompanhar os resultados”, elucida Silvane.
Próximos encontros
O cronograma de eventos do PDI conta com palestras, seminários, momentos culturais e apresentações nas Câmaras de Vereadores. O próximo evento será a palestra com a professora Maria Beatriz Luce intitulada “PDI: gestão e desenvolvimento da Universidade democrática estratégica”. , A especialista em políticas públicas e gestão da educação, Maria Beatriz é docente aposentada da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e atua como voluntá em programas de pós-graduação da UFGRS e Universidade Federal do Pampa (Unipampa).
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Texto: Jessica Mocellin, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Foto: Gabriele Mendes e Jessica Mocellin, estudantes de Jornalismo e bolsistas da Agência de Notícias
Edição: Maurício Dias