
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela UFSM, na tarde desta sexta-feira (14). Na ocasião, estudantes, servidores e público externo prestigiaram a cerimônia realizada no Centro de Convenções. A ministra ainda proferiu a palestra “Democracia, autonomia e participação: o futuro da universidade pública”. A programação também incluiu o lançamento do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2028-2035 da universidade.
O título foi entregue pela reitora da UFSM, Martha Adaime, que destacou o significado da homenagem para as mulheres que ocupam espaços de liderança. Segundo ela, a trajetória de Cármen Lúcia representa não apenas sua atuação no Judiciário, mas também a possibilidade de outras mulheres reconhecerem esses espaços como caminhos possíveis, tornando-se um “exemplo a ser seguido por muitas de nós”.
A cerimônia marcou o encontro de duas mulheres que ocupam posições de destaque em suas instituições: Cármen Lúcia foi a primeira mulher a presidir o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), enquanto Martha Adaime é a primeira mulher a ocupar a Reitoria da UFSM.
O título de Doutor Honoris Causa é concedido a pessoas que tenham se destacado por contribuições relevantes para as ciências, as artes ou a cultura. No caso da ministra, a universidade reconheceu o seu papel de protagonismo no direito constitucional, na educação e nas instituições democráticas do país.

O diploma foi aprovado após votação no Conselho Universtiário. Esse foi o primeiro título de Doutor Honoris Causa que Martha Adaime concedeu durante seu mandato. Na cerimônia, esteve presente também o vice-reitor Tiago Marchesan, o pró-reitor Vinicius Garcia e o pró-reitor adjunto Carlo Castellanelli, ambos da Pró-Reitoria de Planejamento (Proplan).
Universidade como espaço democrático
Durante a palestra, a ministra abordou a relação entre democracia, educação e as transformações provocadas pelo avanço das tecnologias, com atenção ao uso de algoritmos pelas novas gerações. Dividido em três eixos, o discurso tratou da democracia na vida cotidiana, do papel da educação na democratização e da função das instituições para o desenvolvimento da sociedade.
Ao refletir sobre os impactos da tecnologia, Cármen Lúcia afirma que “a máquina está ao nosso serviço e não ao serviço da máquina”. Em seguida, defendeu que as novas gerações possam crescer em uma sociedade na qual a democracia esteja consolidada. “Nós queremos que as crianças de hoje não precisem estar preocupadas com a democracia”, declara.
Sobre a universidade, destacou a capacidade da instituição de estimular o pensamento crítico e a produção científica. “A universidade quebra dogmas, atrai conhecimentos e permite que você crie algo que nem sabia que poderia”, afirma a ministra.

Cármen Lúcia também relembrou a importância da Constituição Federal de 1988 e do princípio de construção de uma sociedade livre, justa e solidária. A partir dessa reflexão, ela explica que, embora seja possível adquirir celulares e televisores cada vez mais modernos, nenhuma tecnologia é capaz de substituir o olhar humano.
O Plano de Desenvolvimento Institucional
Com vigência de oito anos e revisão prevista para o meio do período, o novo PDI 2028-2035 será estruturado em quatro fases: panorama da educação e do contexto institucional, diagnóstico institucional, construção da estratégia e acompanhamento e avaliação periódica. A proposta segue princípios como caráter pedagógico, construção dialógica, compreensão da sociedade, avaliação transformadora e integração da informação.
Segundo a Reitoria da UFSM, o desafio é elaborar um PDI capaz de projetar a universidade para o futuro e acompanhar as transformações da sociedade. A proposta considera a necessidade de modernização da instituição diante da velocidade das mudanças. “O futuro sempre vem rapidamente. Precisamos nos modernizar com velocidade”, destaca a reitora.
Leia a entrevista exclusiva da ministra para a Coordenadoria de Comunicação Social da UFSM em: “Cármen Lúcia: ministra do STF fala à UFSM sobre democracia, mulheres e participação social”.
Texto: Giovanna Felkl e Pedro Moro, estudantes de Jornalismo e bolsistas da Agência de Notícias
Fotos: Felippe Richardt e Jessica Mocellin, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Foto de capa: Felippe Richardt
Edição: Lucas Casali