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Universidade protagoniza formação da cena cultural

UFSM também oportuniza a qualificação de professores e pesquisadores interessados em diferentes artes



Fotografia colorida, horizontal, em ambiente com iluminação cénica quente. No centro, em plano médio, uma mulher está deitada no chão, apoiando o lado do rosto e a palma do braço direito no chão, enquanto o cotovelo permanece levemente dobrado. Veste um top de alças escuro e calças largas com padrão xadrez. A iluminação é focada no braço, nas costas e no rosto da artista, criando sombras acentuadas e destacando a sua figura contra o fundo escuro.
Apresentação da disciplina de Dança-Teatro do curso de Dança - Licenciatura, ministrada pelo professor Odailso Berté em 2023, no Complexo Didático e Artístico. Foto: Acervo pessoal/Siane Colpo

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) é referência em produção e extensão artística em Santa Maria. A instituição também protagoniza a formação de artistas, de professores e pesquisadores de diferentes artes. Destaca-se a relevância do Centro de Artes e Letras (CAL) ao oferecer treze cursos de graduação, duas especializações e três programas de pós-graduação.

Entre ensaios, aulas e apresentações, formandos e egressos do CAL avaliam que as oportunidades que tiveram na UFSM foram essenciais para que construíssem suas identidades artísticas e fortalecessem suas práticas. O fazer arte da Universidade reforça o compromisso com a construção artística e cidadã.

Egressa da turma de 2024 do curso de Dança Licenciatura, Siane Bolzan Colpo complementa sua formação na linha de pesquisa Arte e Educação do mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação. A artista-docente trilhou seu caminho pelas danças gaúchas e urbanas, mas encontrou na dança moderna e contemporânea seu chão. Inspirada na coreógrafa alemã Pina Bausch, Siane utiliza os processos criativos da diretora de balé para inspirar os seus próprios. 

“Eu costumo dizer que descobri a minha arte dentro da universidade. Eu tinha muita vergonha e nem meus pais me viam dançar. Mesmo assim queria cursar Dança”, lembra. Siane confessa que várias vezes pensou em desistir da graduação, iniciada em 2019, por considerar que não tinha “experiência suficiente”. Ao cursar as disciplinas de Exercícios Técnicos, Processo Criativos, Dança Moderna e Dança-Teatro, encantou-se pela dança contemporânea. “Isso foi crucial para me formar como artista, porque fui descobrindo as minhas principais referências”, comenta.

No curso, o que os estudantes traziam como bagagem anterior à faculdade era muito valorizado, inclusive o que derivava de outras áreas, mas que pudesse contribuir com a dança. “Eram propostos muitos tipos de processo de criação sem aquele virtuosismo de ‘ah! Eu não consigo levantar meu pé na cabeça’. Até porque não precisa!”, comenta. A pesquisadora parafraseia a coreógrafa: “É como a Pina dizia: ‘Não me importa como tu se move, me importa o que te move’!”.

A estudante se inseriu em espaços de pesquisa e extensão, como o Laboratório Investigativo de Criações Contemporâneas em Dança (LICCDA) e a Companhia de Dança UFSM. Nesses locais, além da prática, ela pode refletir sobre os processos criativos de um espetáculo numa produção acadêmica. Momentos de estudo como esses inspiraram seu projeto de pesquisa de mestrado.

No LICCDA, participou de vários espetáculos, mas o que mais a marcou foi Utópicos-Muros, sobre os murais da UFSM, com criações em dança a partir de imagens. Além de participar como autora em um capítulo no livro  “Ouvir com os olhos o que disseram nossas mãos: arte, patrimônio cultural e outros diálogos nos caminhos da extensão”, lançado pela Editora PRE da UFSM, a montagem serviu como principal material de criação do seu trabalho de conclusão de curso: Espaço-Entre Utópicos-Muros.

“A criação vem antes de tudo. Depois, vem a interpretação. Durante a criação do espetáculo, você já está fazendo uma pesquisa. Existe uma questão teórica trazida para o corpo. O criador-intérprete, ao meu ver, é já um pesquisador. Para mim, não existe separação”, argumenta. Assim, Siane defende que o papel de artista-pesquisadora é intrínseca.

A artista ainda destaca que as políticas de permanência da UFSM foram essenciais para que pudesse concluir sua formação.  “Eu tive o privilégio de não precisar trabalhar fora enquanto fazia o curso. Sempre fui bolsista, desde que ingressei até o final do curso, e fui moradora da Casa do Estudante Universitário (CEU). Por esses motivos, consegui aproveitar tudo que o me foi ofertado – e eram muitos espaços. Então, sim, eu me senti muito preparada pela UFSM para exercer o meu trabalho”, sintetiza.

Fotografia em preto e branco, horizontal, de uma performance de TCC em dança. Destaca uma bailarina sob sombras projetadas no seu corpo e vestuário. No centro, em plano médio, uma bailarina com cabelo ondulado, na altura dos ombros, dança com o braço direito levantado com a mão espalmada para cima e o braço esquerdo dobrado ao nível do peito
Espetáculo de TCC "ESPAÇO-ENTRE UTÓPICOS-MUROS", onde foi criadora-intérprete e diretora, com orientação e direção de Odailso Berté, apresentado no Teatro Universitário Independente (TUI), em 2024. Foto: Jonathan Maciel

Professor-artista-pesquisador

Natural de Rio Grande, Guilherme Bueno chegou à UFSM em 2023, para cursar licenciatura em Teatro. A escolha se deu por acreditar que o Teatro agrega todas as outras artes e expressões, e por se tratar de um processo coletivo. “Vou me formar como um professor-artista-pesquisador”, garante o formando, que alega ter dificuldade de entender e se colocar nos três papéis simultaneamente.

Guilherme conta que o início da graduação é mais voltado para a etapa artística da experimentação e, posteriormente, para o contato com a escola. “É nesse momento que surge a reflexão: como transpor tanto do conhecimento que tu já estudou e experimentou na sala de aula levar isso para a escola?”, avalia. Ele, inclusive, destaca a oportunidade do contato com a formação docente para quatro áreas: educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e comunidade. 

Ao longo do curso, Guilherme se inseriu em pelo menos três oportunidades: Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid); projeto de extensão Brinca Mais, voltado para bebês e crianças da CEU, e Grupo de Pesquisa Poéticas da Luz, que estuda técnicas de iluminação na cena e formas de contar a dramaturgia através da luz. “Entrando aqui, ampliei meu horizonte sobre a questão da docência e de como ensinar teatro e de como ter esse diálogo também com os estudantes na sala de aula. Tu vai encontrar muitos desafios, mas é bom. É no desafio que tu vai crescer”, comenta sobre o Pibid. 

Além de ator e bailarino, Guilherme é, também, mascareiro – profissional especializado na criação, modelagem e confecção de máscaras teatrais. As máscaras são recursos pedagógicos tanto para quem quer ser ator quanto para trabalhar em sala de aula. Para ele, são seu tesouro. “Eu fiz cursos tanto de confecção, quanto de atuação do jogo da máscara para conseguir elevar mais o meu meu conhecimento e conseguir levar isso para as escolas”, explica.

Fotografia colorida, horizontal, em plano médio com iluminação cénica sobre fundo completamente escuro. Quatro homens alinhados lado a lado em um palco de teatro com fundo escuro, três deles estão sorrindo e posicionados atrás de uma estrutura feita com varas de bambu.O primeiro homem tem cabelo escuro e barba curta, veste um casaco jeans claro aberto sobre uma camiseta branca e camisa escura. O segundo homem é calvo, com cabelo e barba grisalhos, veste blazer claro sobre uma camisa escura. Encontra-se atrás da cerca de bambu, debruçado para a frente com as mãos apoiadas e com uma expressão de gargalhada entusiástica. O terceiro homem tem dreadlocks volumosos apanhados no topo da cabeça e barba curta, veste casaco com padrões e encontra-se debruçado sobre a cerca de bambu com os braços cruzados no topo, sorrindo abertamente para a frente. O quarto homem tem cabelo curto e bigode, vestindo uma camisa branca de botões, e está posicionado ligeiramente mais ao fundo.
Atores da esquerda para a direita: Guilherme Bueno, Daniel Plá, Brandon Stiven e Gebhertis, na encenação da peça João Segundo os Homens, no Theatro Treze de Maio. Foto: Vórtex Produtora/Divulgação

Espaços das artes e da formação de artistas

A Universidade Federal de Santa Maria conta com diversos espaços físicos que dão lugar à arte produzida não somente no campus, mas também fora dele. Com destaque para o Teatro Caixa Preta, local destinado às práticas formativas dos estudantes do Centro de Artes e Letras, e o Centro de Convenções, espaço de espetáculos e de manifestações artísticas.

“Para a formação, o melhor lugar é o Teatro Caixa Preta. Ali tu consegue fazer palco italiano, arena, semi-arena, corredor… É um espaço feito para isso, um laboratório. É um ótimo espaço para experimentação de luz, som, a própria cenografia, atuação, direção”, diz Guilherme. 

Siane também passou pelo Teatro Caixa Preta e pelo Complexo Didático e Artístico (CDA). Ela destaca as edições da Noite da Dança, mostra dos trabalhos artísticos da Licenciatura em Dança. “Eu sempre estive na comissão de organização enquanto estive lá e tive a oportunidade de fazer operação e concepção de luz, operação de som, de ser contra a regra e de entender como que o espetáculo é montado”, conta.

Para a egressa, ter esses espaços formativos é muito importante.“Quando eu entrei na Companhia UFSM a gente se apresentou no Theatro Treze de Maio e no Centro de Convenções. Quando eu vi aquele palco gigantesco do Centro de Convenções, eu pensei: ‘eu vou morrer. Como que eu vou dançar aqui?’, mas acabou sendo muito legal”, contou sobre a oportunidade de se apresentar no maior palco do Centro do Rio Grande do Sul. Inaugurado em 2017, o Centro de Convenções recebe anualmente eventos artísticos e culturais, vinculados ou não à Universidade.

Um PPG sobre Artes da Cena

O Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena da UFSM (PPGAC/UFSM) iniciou suas atividades em 2025 com duas linhas de pesquisa: Poéticas da Diferença e Processos de Subjetivação nas Artes da Cena e Processos de Criação e Estudos da Cena). O programa conta com treze docentes e está em sua terceira janela de ingresso. 

O coordenador do programa, Daniel Plá, reconhece que o PPGAC contribui com a formação dos artistas da cena – sejam eles da Dança, Teatro, Pedagogia ou Performance. “O Programa dá ferramentas para que esse artista-pesquisador possa aprimorar suas competências como pesquisador e, nesse processo, possa aprimorar também a sua prática”, constata o coordenador.  Ele informa que muitos alunos desenvolvem práticas juntamente com suas pesquisas, sendo essa uma característica marcante das Artes da Cena. Para Daniel, essa prática é parte do que movimenta e fomenta a cultura santamariense, ao aproximar a Universidade da comunidade externa.

Para além do Artes em Cena, o CAL tem os programas de Pós-Graduação em Artes Visuais e em Letras, bem como as especializações em Design de Superfície e Música: Músicas dos Séculos XX e XXI – Performance e Pedagogia.

Cursos, espaços, projetos de pesquisa e extensão, espetáculos e oficinas reforçam a importância da Universidade na construção e na manutenção da arte na “Cidade Cultura”.

Texto: Júlia Zucchetto, estudante de Jornalismo e estagiária da Agência de Notícias da UFSM

Fotos: Acervo Pessoal/Siane Colpo, Jonathan Maciel,, Vórtex Produtora/Divulgação

Edição: Maurício Dias

Fotografia colorida, horizontal, em plano médio tirada em um ambiente de palco escuro. Dois homens estão posicionados de pé, de costas um para o outro, no centro do quadro. Ambos usam máscaras teatrais grandes que cobrem completamente seus rostos. A figura da esquerda tem cabelo escuro e cacheado que cai sobre a parte superior da máscara com traços faciais estilizados e exagerados com expressão de surpresa. Veste uma camisa branca com listras verticais finas e escuras e suspensórios escuros sobre calças de cor lilás claro. A figura da direita tem cabelo escuro e liso na altura dos ombros e franja. Sua máscara tem buracos para os olhos e uma expressão carrancuda. Ele veste um colete vermelho brilhante sobre uma peça de roupa branca. O fundo é uma parede texturizada e escura, com pouca iluminação, o que cria um forte contraste com as figuras e suas máscaras[cite: 3]. A luz destaca os dois intérpretes.
Elenco do espetáculo: E Agora?, da esquerda para a direita: Guilherme Bueno (risonho) e Giovan Rodrigues (Ranzinza). Foto: Vórtex Produtora/Divulgação
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