
Na segunda (31) e nesta terça-feira (1º), a UFSM promoveu o evento “PDI em Diálogo: Construindo a UFSM que Desejamos”, com o objetivo de propor reflexões sobre a construção coletiva de uma universidade pública democrática e o seu papel no desenvolvimento da educação brasileira e da sociedade. As palestras aconteceram no Salão Imembuí, no 2º andar da Reitoria, em Santa Maria.
“PDI” é o Plano de Desenvolvimento Institucional, documento que estabelece objetivos, metas e diretrizes de uma instituição de ensino superior. A nova versão da UFSM será elaborada para ter vigência de 2028 a 2035, conforme apresentado no evento de lançamento no Centro de Convenções, e será construída de forma coletiva, com a contribuição da comunidade universitária. Os convidados foram o professor do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) e secretário-executivo adjunto do Ministério da Educação (MEC) Gregório Grisa, no primeiro dia, e a professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Maria Beatriz Luce, no segundo dia.
Ensino superior no novo PNE
A programação iniciou com a palestra “O novo Plano Nacional de Educação (PNE): políticas, desafios e perspectivas para o ensino superior”, em que o secretário-executivo adjunto do MEC explicou o funcionamento do PNE, sancionado como Lei nº 15.388/2026 e que guiará a educação brasileira até 2036. Ao todo, são 19 objetivos, 73 metas e 372 estratégias focadas em qualidade, equidade e redução das desigualdades sociais e regionais.
O ensino superior é tratado no novo PNE como um eixo estratégico próprio, com objetivos dedicados a acesso, permanência e conclusão, como também à qualidade da formação e à articulação com pesquisa e inovação. Clique aqui para conferir todas as informações sobre o documento na íntegra.

Durante a palestra, o professor destacou a baixa evasão entre estudantes e mostrou, em dados, como os números de entrada do ensino superior subiram nos últimos anos. “Nós tivemos um grande salto entre 1990 e 2000, de 5 para 25 milhões de alunos formados no ensino superior. Não há nenhum país no mundo que tenha tido um salto no tamanho da diplomação do seu povo quanto o Brasil”, declarou Grisa.
Planejamento exige tempo e participação
O primeiro encontro com a professora Maria Beatriz Luce nesta terça-feira teve como tema “PDI: gestão e desenvolvimento da universidade democrática e estratégica”. A docente procurou abordar a importância da organização institucional sob o ponto de vista da UFSM, levando em conta o fato de ser uma instituição de ensino superior que, embora cada vez mais protagonista no cenário nacional e internacionalizada, ainda mantém suas raízes interioranas.
Maria Beatriz é professora titular de Política e Administração da Educação da UFRGS, docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação da mesma universidade e também do Programa de Pós-Graduação em Educação da Unipampa. Ela possui ainda vasta experiência na gestão pública educacional: foi secretária de Educação Básica do MEC entre 2014 e 2015 e integrou a Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação de 2008 a 2012.
“O processo de elaboração de um PDI nunca pode ser rápido, porque se ele for rápido, ele não vai ser participativo. Ele precisa incluir muitas pessoas. Ele requer tempo e informações de diferentes tipos. Para pensar 10 anos de uma universidade, nós precisamos olhar dados demográficos, dados do desenvolvimento econômico, sobre a cultura da região e os interesses sociais, econômicos, as problemáticas sociais, além dos espaços de possibilidade de trabalho”, afirmou a palestrante sobre a necessidade da gestão da UFSM pensar de forma integrada na construção do documento.

UFSM avalia avanços nas ações afirmativas
Durante a tarde, foi realizada uma roda de conversa com a temática “Políticas afirmativas e as transformações no ensino: o papel das universidades federais”. Estiveram presentes no Salão Imembuí a reitora da UFSM Martha Adaime, o pró-reitor de Planejamento Vinícius Garcia, a pró-reitora de Graduação Cláudia Barin e a coordenadora de Planejamento e Avaliação Institucional Silvane Brand, além da própria professora Maria Beatriz Luce.
A reitora aponta que, embora muitas questões – principalmente as de caráter social e relacionadas à educação – já estivessem incluídas no último PDI, elas foram abordadas de forma mais generalizada. Agora, a Universidade está em condições de definir de maneira mais específica as medidas necessárias para avançar no desenvolvimento de ações afirmativas.
“O novo PDI é uma oportunidade de reparação de muitos anos porque, particularmente aqui na UFSM, na busca dessa universidade plural, diversa e inclusiva, nós começamos um trabalho com ações afirmativas, em especial dando conta através do atendimento a questões mais relacionadas a assistência de questões educacionais através da Coordenadoria de Ações Educacionais”, salientou Martha.
Para atingir o maior número de pessoas contempladas, a professora Maria Beatriz reforça que cada camada da universidade deve contribuir para o planejamento do PDI, uma vez que a atuação de todos será com as informações deste PDI. “O que a gente tem aprendido ao longo do caminho é que, sem participação, planos muito técnicos são fadados ao fracasso. A participação é garantida na medida em que as pessoas contribuem efetivamente, se beneficiando das decisões que foram tomadas. Nós precisamos reunir as mais variadas estratégias e os mais variados recursos, porque o planejamento tem que ser feito em muitos lugares. As pessoas têm que estar representadas. Não tem receita mágica”, disse a palestrante.
Participe
Para participar da construção do novo PDI, estudantes, professores, técnico-administrativos em educação e a comunidade externa podem responder o formulário.
Texto: Pedro Pereira, jornalista, e Fabiano dos Santos, acadêmico de Jornalismo e voluntário da Agência de Notícias
Fotos: Mathias Ilnicki, acadêmico de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias