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Série de encontros aborda a construção do novo PDI da UFSM e o ensino superior na sociedade

Conversas com professores convidados trataram do novo PNE, da gestão universitária e de políticas afirmativas



Fotografia colorida horizontal de uma plateia sentada em um auditório, observando a professora Maria Beatriz Luce, que fala de costas para nós, em primeiro plano à esquerda. Ao centro, um homem de cabelos curtos e óculos, vestindo camisa branca e blazer azul-marinho, sorri olhando para ela. Ao lado dele, à esquerda, uma mulher de cabelos loiros e óculos, vestindo jaqueta jeans, também sorri. Atrás e ao redor deles, diversas outras pessoas assistem sentadas, a maioria com expressão atenta. Ao fundo, janelas amplas com cortinas claras e paredes brancas.
Evento foi realizado no Salão Imembuí, na Reitoria

Na segunda (31) e nesta terça-feira (1º), a UFSM promoveu o evento “PDI em Diálogo: Construindo a UFSM que Desejamos”, com o objetivo de propor reflexões sobre a construção coletiva de uma universidade pública democrática e o seu papel no desenvolvimento da educação brasileira e da sociedade. As palestras aconteceram no Salão Imembuí, no 2º andar da Reitoria, em Santa Maria.

“PDI” é o Plano de Desenvolvimento Institucional, documento que estabelece objetivos, metas e diretrizes de uma instituição de ensino superior. A nova versão da UFSM será elaborada para ter vigência de 2028 a 2035, conforme apresentado no evento de lançamento no Centro de Convenções, e será construída de forma coletiva, com a contribuição da comunidade universitária. Os convidados foram o professor do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) e secretário-executivo adjunto do Ministério da Educação (MEC) Gregório Grisa, no primeiro dia, e a professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Maria Beatriz Luce, no segundo dia.

Ensino superior no novo PNE

A programação iniciou com a palestra “O novo Plano Nacional de Educação (PNE): políticas, desafios e perspectivas para o ensino superior”, em que o secretário-executivo adjunto do MEC explicou o funcionamento do PNE, sancionado como Lei nº 15.388/2026 e que guiará a educação brasileira até 2036. Ao todo, são 19 objetivos, 73 metas e 372 estratégias focadas em qualidade, equidade e redução das desigualdades sociais e regionais.

O ensino superior é tratado no novo PNE como um eixo estratégico próprio, com objetivos dedicados a acesso, permanência e conclusão, como também à qualidade da formação e à articulação com pesquisa e inovação. Clique aqui para conferir todas as informações sobre o documento na íntegra.

Fotografia colorida horizontal do professor Gregório Grisa falando ao microfone durante uma palestra. Ele está de pé, no centro da imagem, com cabelos e barba grisalhos, óculos de grau, veste camisa lilás e blazer preto. Segura um microfone com a mão direita, próximo à boca, e gesticula com a mão esquerda erguida. Ao fundo, um telão exibe o título "O novo PNE e o Ensino Superior — Políticas, desafios e perspectivas", com o nome "Professor Grisa – SASE/MEC" e o logotipo do Ministério da Educação. À direita, um painel com pintura mural de figuras humanas em tons terrosos e amarelos. À frente, poltronas brancas vazias.
Convidado da segunda-feira foi o professor e representante do MEC, Gregório Grisa (Foto: Fabiano dos Santos)

Durante a palestra, o professor destacou a baixa evasão entre estudantes e mostrou, em dados, como os números de entrada do ensino superior subiram nos últimos anos. “Nós tivemos um grande salto entre 1990 e 2000, de 5 para 25 milhões de alunos formados no ensino superior. Não há nenhum país no mundo que tenha tido um salto no tamanho da diplomação do seu povo quanto o Brasil”, declarou Grisa.

Planejamento exige tempo e participação

O primeiro encontro com a professora Maria Beatriz Luce nesta terça-feira teve como tema “PDI: gestão e desenvolvimento da universidade democrática e estratégica”. A docente procurou abordar a importância da organização institucional sob o ponto de vista da UFSM, levando em conta o fato de ser uma instituição de ensino superior que, embora cada vez mais protagonista no cenário nacional e internacionalizada, ainda mantém suas raízes interioranas.

Maria Beatriz é professora titular de Política e Administração da Educação da UFRGS, docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação da mesma universidade e também do Programa de Pós-Graduação em Educação da Unipampa. Ela possui ainda vasta experiência na gestão pública educacional: foi secretária de Educação Básica do MEC entre 2014 e 2015 e integrou a Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação de 2008 a 2012.

“O processo de elaboração de um PDI nunca pode ser rápido, porque se ele for rápido, ele não vai ser participativo. Ele precisa incluir muitas pessoas. Ele requer tempo e informações de diferentes tipos. Para pensar 10 anos de uma universidade, nós precisamos olhar dados demográficos, dados do desenvolvimento econômico, sobre a cultura da região e os interesses sociais, econômicos, as problemáticas sociais, além dos espaços de possibilidade de trabalho”, afirmou a palestrante sobre a necessidade da gestão da UFSM pensar de forma integrada na construção do documento.

Fotografia colorida vertical da professora Maria Beatriz Luce falando ao microfone em um púlpito. Ela está no centro da imagem, com cabelos brancos curtos, óculos de armação vermelha e batom vermelho. Veste blazer preto sobre blusa estampada com poá branco. Segura um microfone com a mão direita, próximo ao rosto, e ergue a mão esquerda com os dedos unidos, num gesto de explicação. Está apoiada em um púlpito branco. Ao fundo, um painel com pintura mural de uma figura humana em tons terrosos.
Professora Maria Beatriz Luce palestrou e participou de uma roda de conversa sobre o ensino superior

UFSM avalia avanços nas ações afirmativas

Durante a tarde, foi realizada uma roda de conversa com a temática “Políticas afirmativas e as transformações no ensino: o papel das universidades federais”. Estiveram presentes no Salão Imembuí a reitora da UFSM Martha Adaime, o pró-reitor de Planejamento Vinícius Garcia, a pró-reitora de Graduação Cláudia Barin e a coordenadora de Planejamento e Avaliação Institucional Silvane Brand, além da própria professora Maria Beatriz Luce.

A reitora aponta que, embora muitas questões – principalmente as de caráter social e relacionadas à educação – já estivessem incluídas no último PDI, elas foram abordadas de forma mais generalizada. Agora, a Universidade está em condições de definir de maneira mais específica as medidas necessárias para avançar no desenvolvimento de ações afirmativas.

“O novo PDI é uma oportunidade de reparação de muitos anos porque, particularmente aqui na UFSM, na busca dessa universidade plural, diversa e inclusiva, nós começamos um trabalho com ações afirmativas, em especial dando conta através do atendimento a questões mais relacionadas a assistência de questões educacionais através da Coordenadoria de Ações Educacionais”, salientou Martha. 

Para atingir o maior número de pessoas contempladas, a professora Maria Beatriz reforça que cada camada da universidade deve contribuir para o planejamento do PDI, uma vez que a atuação de todos será com as informações deste PDI. “O que a gente tem aprendido ao longo do caminho é que, sem participação, planos muito técnicos são fadados ao fracasso. A participação é garantida na medida em que as pessoas contribuem efetivamente, se beneficiando das decisões que foram tomadas. Nós precisamos reunir as mais variadas estratégias e os mais variados recursos, porque o planejamento tem que ser feito em muitos lugares. As pessoas têm que estar representadas. Não tem receita mágica”, disse a palestrante.

Participe

Para participar da construção do novo PDI, estudantes, professores, técnico-administrativos em educação e a comunidade externa podem responder o formulário

Texto: Pedro Pereira, jornalista, e Fabiano dos Santos, acadêmico de Jornalismo e voluntário da Agência de Notícias

Fotos: Mathias Ilnicki, acadêmico de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

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