O empenho de um grupo
formado por professor e alunos do Colégio Politécnico da UFSM resultou na
descrição de três novas espécies de bromélias do Rio Grande do Sul – um feito
científico relevante e inédito para a Instituição.
O trabalho teve início em 2012, quando foi iniciado, informalmente,
com orientação do professor Leopoldo Witeck Neto, um levantamento das espécies
de bromélias nativas do Rio Grande do Sul, pois os existentes são antigos e
imprecisos. Após um levantamento teórico, foram realizadas expedições
científicas, financiados pelo Colégio Politécnico e pelo próprio professor
Witeck, para diversas regiões do Estado em busca das espécies com distribuição
restrita.
“Muitas espécies de bromélias possuem uma distribuição
geográfica restrita a certas localidades e, por este motivo, são pouco estudadas,
sendo, em geral, ameaçadas de extinção”, explica um dos alunos envolvidos
no trabalho, Henrique Mallmann Büneker, que cursa graduação
e Técnico em Paisagismo.
Durante as expedições, foram encontradas algumas espécies
que nunca tinham sido coletadas ou mesmo estavam citadas na literatura
científica. “Eram espécies que ainda não eram conhecidas pela ciência,
espécies novas”, relata outro aluno envolvido no trabalho, Rodrigo Corrêa
Pontes, acadêmico de Geografia e do Técnico
grupo começou a trabalhar na catalogação destas espécies, elaborando descrições botânicas e criando um nome científico para cada uma. Agora, com os nomes já publicados em periódicos botânicos,
estas espécies passam a ser reconhecidas internacionalmente.
A primeira espécie descrita foi a Dyckia
strehliana, em 2013. Trata-se de uma espécie endêmica da região central do
Rio Grande do Sul. Foi encontrada nos municípios de Júlio de Castilhos e
Quevedos, nas margens rochosas do rio Toropi. A espécie foi publicada na
Revista Brasileira de Biociências.
Em julho último, foi publicado outro artigo com a
descrição de duas novas espécies. A Tillandsia chasmophyta ocorre
nos cânions da região de Cambará do Sul, na divisa com Santa Catarina. É
descrita como uma “verdadeira joia”, pois cresce em paredes abruptas
com aproximadamente
metros.
Já a Tillandsia witeckii – nome que
homenageia o professor Leopoldo Witeck Neto – é da região de Piratini, na serra
do sudeste, onde vive sobre rochas em escarpas às margens do rio Camaquã. Um
exemplar desta espécie está em uma estufa climatizada do Curso de Paisagismo do
Politécnico.
Todas as novas espécies possuem ocorrência restrita, e
por esse motivo, provavelmente não eram conhecidas pela comunidade científica.
As três foram avaliadas como ameaçadas de extinção.
Descobrir e descrever novas espécies – algo cada vez
mais raro – é motivo de orgulho para o professor e os alunos do Colégio
Politécnico. “Mas o maior mérito é descobrir antes que se extingam”,
destaca Leopoldo, salientando a importância da participação dos estudantes no
trabalho.
Também participa do projeto o egresso do curso de
Engenharia Florestal Kelen Soares.
Texto: Ricardo Bonfanti
Fotos: Arquivo pessoal


