Um dos produtos mais básicos da alimentação humana, o leite
de vaca tornou-se, nos últimos meses, alvo da desconfiança da população gaúcha.
Ações de fiscalização realizadas em cooperativas no Rio Grande do Sul, pelo
Ministério Público e pelo Ministério da Agricultura, trouxeram à tona fraudes
como adição de álcool e de ureia com formol ao leite. Para contribuir na
fiscalização, um grupo de professores da UFSM está articulando com o Governo do
Estado um plano para a implantação
cadeia produtiva do leite, o que incluiria a estruturação de um laboratório de
referência.
As articulações entre a UFSM e o governo gaúcho se
intensificaram quando o reitor Paulo Burmann tratou do assunto com o governador
Tarso Genro e o secretário estadual da Agricultura, Pecuária e Agronegócio,
Claudio Fioreze, em visitas que estes fizeram a Santa Maria nos meses de junho
e julho deste ano, respectivamente. A instalação do Centro de Inteligência e do
laboratório está sendo discutida por um grupo formado por pesquisadores da UFSM
e por representantes da Câmara Setorial do Leite e do Instituto Gaúcho do Leite
– órgão criado em fevereiro deste ano pelo Governo do Estado.
Os professores que representam a UFSM neste grupo são os
seguintes:
– Neila Richards, do Departamento de Tecnologia e Ciência
dos Alimentos;
– Geder Herrmann, do Departamento de Microbiologia e
Parasitologia;
– Julio Viegas, do Departamento de Zootecnia;
– Fernando Quadros, do Departamento de Zootecnia;
– Clair Olivo, do Departamento de Zootecnia;
– Vicente Celestino Silveira, do Departamento de Educação
Agrícola e Extensão Rural;
– Enio Giotto, do Departamento de Engenharia Rural;
– Agueda de Vargas, do Departamento de Medicina Veterinária
Preventiva
A coordenadora do grupo, professora Neila Richards, explica
que a escolha dos representantes se deu naturalmente, já que eles se encontram
com frequência na universidade, inclusive informalmente, para falar sobre
assuntos relacionados ao leite. Neila ressalta como uma das principais
qualidades do grupo a sua capacidade de analisar a cadeia produtiva do leite
sob os seus mais diferentes aspectos, tendo em vista as diversas formações e
especialidades destes pesquisadores.
O projeto de laboratório idealizado pelos professores da UFSM
teria capacidade de analisar até 400 amostras de leite por hora. A implantação
do laboratório e de uma sede física para o centro de inteligência teria um
custo aproximado de R$ 2 milhões. Estes recursos poderiam provir em parte do
Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, e em parte
do Governo do Estado, através do Fundo de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva
do Leite (Fundoleite) e do Instituto Gaúcho do Leite.
Na estrutura atual do Centro de Ciências Rurais (CCR), as
análises físico-químicas necessárias para atestar a qualidade do leite podem
ser realizadas nos laboratórios da UFSM, mas em escala muito pequena. Conforme
o projeto idealizado para o laboratório de referência, estas análises poderiam
ser feitas em larga escala na universidade, com os resultados sendo conhecidos
em poucos minutos e repassados via telefone celular, através de um aplicativo,
para as empresas e produtores.
Caso o laboratório de referência seja instalado na UFSM, a
ideia é que grandes e pequenos produtores e cooperativas sejam submetidos a
fiscalização mais abrangente. Isso desencorajaria fraudes como a adição ao
leite de substâncias como água, álcool, formol, água oxigenada, sal e açúcar, e
também evitaria a contaminação acidental do produto por sangue e outras
secreções da vaca, como pus e urina.
Uma das perspectivas do grupo, com a parceria do Estado,
será o de gerar ações conjuntas na área da defesa sanitária. Ou seja, elaborar
e aprofundar propostas que melhorem a qualidade do leite, garantindo mais
segurança para o consumidor e maior valor agregado para o leite produzido no
Rio Grande do Sul.
Texto: Lucas Casali
