Iniciou na manhã desta segunda-feira (18) a 5ª Semana da Feira do Livro e a 5ª Semana da Feira do Livro Aberto da Turma do Ique, evento promocional do Centro de Convivência da Turma do Ique que acontece até esta quarta-feira (20). A ideia do projeto é promover a leitura infantil e fomentar as práticas de educação e cultura entre as crianças que estão em tratamento contra o câncer.
A abertura oficial do evento aconteceu às 9h, no Centro de Convivência. O evento foi iniciado com a fala de uma das coordenadoras e organizadoras do evento, Lourdes Dalla. De início, Lourdes apresentou o projeto e o cronograma de atividades que ocorreriam no decorrer do dia.
Com a colaboração das enfermeiras do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), a intenção é desenvolver atividades lúdicas com as crianças, auxiliando o público infantil e, também, dando suporte aos pais destas crianças, tendo em vista a sobrecarga psíquica que sofrem no decorrer dos tratamentos.
Os coordenadores convidaram alguns escritores santa-marienses para participar do evento. Os convidados para a feira participam de algumas atividades, como contação de histórias e recitação de poemas para a criançada. Também acontece a Feira do Livro Aberto: “Escolha, leia e leve”, ação que contribui para a doação de livros para as crianças.
No primeiro dia, as crianças puderam participar de leituras e recitação de poemas, através das obras da escritora Ruth Farias Larré, principal homenageada desta 5ª edição da Feira do Livro.
A professora e escritora – falecida em março do ano passado – foi uma das grandes difusoras da cultura e educação na região central, deixando um grande legado na área educacional, onde foi integrante da Academia Santa-Mariense de Letras (ASL). Ela foi amplamente mencionada tanto por Lourdes como também pela coordenadora responsável pelos voluntários da Turma do Ique, Lenir Gebert, que colabora com o projeto há 5 anos, com vista a desenvolver o projeto e unir o Ique a demais entidades santa-mariense.
Com o olhar apreensivo e permanentemente inquieto, Lenir, funcionária do Hospital Universitário de Santa Maria há 28 anos, passou a manhã inteira transitando entre as crianças, pais e colegas de trabalho. Quando, finalmente, a coordenadora teve um tempo maior, ela ressaltou alguns aspectos importantes do projeto, como a participação dos voluntários – organizadores do espaço em que aconteceu a Feira do Livro – e a necessidade de a Turma do Ique integrar-se a um maior espectro da comunidade local, fator que seria essencial para a criação de novas ações institucionais.
“O meu objetivo é desenvolver a qualidade de vida dos pacientes, criar cidadania e melhorar o estado físico e mental das crianças e familiares”, comentou, enquanto o olhar apreensivo mirava as crianças que passavam pelos corredores do estabelecimento. Não era pra menos, pois a rotina da funcionária do Husm normalmente é repleta de tarefas.
Apoio para crianças e familiares
A vida de uma criança com câncer não é fácil, pois além de ser frágil e pouco ciente do que a cerca, possui uma rotina atarefada, entre tratamentos e cuidados particulares no que diz respeito à saúde. E quem acompanha esse começo de vida difícil, por parte das crianças, na maioria das vezes são os pais, que precisam se abster de algumas tarefas particulares para o cuidado específico do filho.
A mãe de um dos pacientes citou o emprego como um dos fatores difíceis de conciliar quando a família precisa vir semanalmente a Santa Maria. “Quase toda a semana eu tenho que pedir autorização, atestado. Mas como é filho, nós temos que fazer de tudo”, concluiu a ideia, ao mesmo tempo em que observava sua filha, Lindice, brincar.
Vindos de Nova Esperança, a mãe de Lindice quase que semanalmente traz sua filha, de 4 anos, para se tratar de problemas relacionados à baixa defesa imunológica. Brincando com o mesmo urso de pelúcia que encontra em todas as suas visitas à Turma, ela parece esquecer de qualquer doença ou tristeza. E nessa jornada tão difícil que as crianças enfrentam desde os primeiros anos de vida, todo o apoio familiar e dos profissionais do Husm é necessário para a reabilitação dos pequenos pacientes.
Nos próximos dias da feira, das 9h às 12h, acontecerão outras atividades complementares, como sarau poético, encontro artístico e literário e apresentação da paródia musical “Tordilho negro”.
Texto e foto: Luís Fernando Filho, acadêmico de Jornalismo, bolsista da Agência de Notícias
