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UFSM integra a Operação Carimbó, da 100ª edição do Projeto Rondon

A universidade atuará em territórios de vulnerabilidade social do Pará, reafirmando seu compromisso com a extensão universitária



A UFSM foi selecionada para participar da Operação Carimbó, que integra a 100ª edição do Projeto Rondon, uma das mais emblemáticas iniciativas de extensão universitária do país. A participação da UFSM nessa edição histórica representa o reconhecimento do compromisso institucional da universidade com a responsabilidade social, a extensão universitária e a formação cidadã dos estudantes.

A equipe da UFSM será coordenada pela professora Silvana Bastos Cogo, do curso de Enfermagem, docente com sólida trajetória acadêmica e ampla experiência em ações extensionistas e no próprio Projeto Rondon. Enfermeira, graduada em 2002 pela Universidade Franciscana (UFN), com mestrado em Enfermagem pela UFSM e doutorado pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Silvana atua como docente da UFSM desde 2009, tendo desenvolvido atividades de ensino, pesquisa e extensão em diferentes campi da instituição.

Ao longo de sua trajetória, a professora já participou de duas edições anteriores do Projeto Rondon: em 2010, na Operação Rei do Baião, no município de Orocó (PE), e em 2011, como coordenadora da Operação Seridó, em Itajá (RN). Essas experiências anteriores contribuíram para a elaboração da proposta que garantiu a seleção da UFSM para a Operação Carimbó.

Uma proposta baseada no diagnóstico do território

A proposta apresentada pela UFSM para o Projeto Rondon foi construída a partir de um estudo ampliado da realidade regional, respeitando as peculiaridades sociais, econômicas e culturais do território de atuação. Segundo a professora Silvana, esse diagnóstico é fundamental para identificar, de forma responsável, as necessidades dos municípios que recebem as ações do Projeto Rondon.

O estudo contemplou informações sobre a região da Ilha de Marabá, composta por 13 municípios e três municípios da Ilha de Marajó, no estado do Pará. A proposta reúne um diagnóstico socioeconômico, urbano e rural, com identificação de índices de pobreza e exclusão social, principais problemas enfrentados pelas populações locais, programas e políticas públicas existentes, além de uma análise da situação econômica e social da região.

A partir desse levantamento, foram planejadas ações nas áreas de saúde, educação, cultura, direitos humanos e justiça, que serão desenvolvidas durante o período de atuação da UFSM no município designado.

O significado da Operação 100 para a UFSM

Para a professora Silvana, a participação da UFSM na Operação 100 do Projeto Rondon vai além de uma conquista institucional. Representa, sobretudo, um compromisso ético e social com populações que vivem em contextos de vulnerabilidade. Segundo ela, integrar essa edição histórica “representa o reconhecimento do compromisso institucional com a extensão universitária, fortalecendo a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, a formação cidadã dos estudantes e a projeção nacional da universidade como agente de transformação social em benefício da população brasileira”.

Silvana destaca ainda que atuar em regiões com necessidades significativas exige responsabilidade e engajamento por parte de docentes e estudantes envolvidos, reforçando o papel social da universidade pública.

O que caracteriza a Operação Carimbó

A Operação Carimbó se caracteriza pela aproximação direta entre universidade e sociedade, promovendo o contato de professores e estudantes com realidades marcadas por desigualdades sociais persistentes, mas também por forte diversidade cultural e formas consistentes de organização comunitária.

O contexto do estado do Pará evidencia importantes desafios sociais. De acordo com os dados apresentados pela professora, o estado abriga 135.603 pessoas quilombolas e 80.980 indígenas, além de apresentar índices educacionais abaixo da média nacional, com Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 5,7 nos anos iniciais do ensino fundamental, 4,8 nos anos finais e 4,4 no ensino médio da rede estadual. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,69, considerado médio, ocupando a 23ª posição no ranking nacional.

Em 2024, a renda média per capita registrada foi de R$ 1.344,00. Além disso, apenas 8,7% da população conta com cobertura de esgotamento sanitário e 66,65% com cobertura de atenção primária em saúde, deixando cerca de 34% da população sem acesso regular a serviços básicos de saúde.

As demandas específicas do município de atuação ainda serão definidas após a confirmação oficial por parte do Ministério da Defesa. A professora explica que somente após essa definição será possível realizar uma identificação precisa das necessidades sociais e comunitárias do local.

Seleção dos estudantes e planejamento da operação

Os estudantes que integrarão a equipe da Operação Carimbó serão selecionados em março de 2026, por meio de edital a ser publicado em fevereiro. Entre os critérios mínimos, está a exigência de que os candidatos tenham cursado ao menos 50% do curso. A participação prévia em experiências extensionistas será valorizada, por ser considerada um conjunto de potencialidades relevantes para a atuação no Projeto Rondon.

O planejamento da operação envolve diversas etapas até o deslocamento da equipe. Um dos momentos centrais é a viagem precursora, realizada pela professora coordenadora, com o objetivo de conhecer previamente o município, ajustar as ações planejadas junto aos gestores locais e definir questões logísticas, como acomodações e alimentação da equipe durante o período de atuação. Até o embarque da equipe, previsto para julho de 2026, o planejamento inclui a organização das ações, a confecção de materiais e a realização de reuniões periódicas para entrosamento e preparação dos rondonistas.

A logística da viagem envolve diferentes etapas: a UFSM, em geral, garante o deslocamento até Porto Alegre e o seguro viagem/saúde dos participantes, enquanto o Ministério da Defesa é responsável pelo transporte até a cidade-sede da operação (Marabá) e os municípios de atuação. A hospedagem e alimentação ficam sob responsabilidade das prefeituras locais, sendo acordadas previamente durante a viagem precursora. Apesar de as acomodações serem simples, por se tratar de uma atividade voluntária, os rondonistas costumam ser bem acolhidos e contam com apoio logístico e acompanhamento do Exército durante todo o período da operação.

Impactos e formação cidadã

De acordo com a professora Silvana, os impactos das ações do Projeto Rondon tendem a ser percebidos a longo prazo, uma vez que o objetivo é promover o desenvolvimento das comunidades a partir de suas próprias demandas. Ainda assim, espera-se que as ações gerem impactos satisfatórios à população atendida.

As experiências vivenciadas durante a operação costumam ser marcantes para estudantes e docentes, especialmente pelo acolhimento da população local e pela construção de vínculos baseados na convivência, no diálogo e na troca de saberes. “Esses laços permanecem na memória dos participantes e tornam-se experiências inesquecíveis, com impacto duradouro em suas trajetórias pessoais, acadêmicas e profissionais”, destaca a coordenadora.

Ao articular o conhecimento acadêmico com a realidade local, a experiência do Projeto Rondon contribui de forma significativa para a formação cidadã e profissional dos estudantes. A vivência em contextos de diversidade cultural e vulnerabilidade social favorece o desenvolvimento da sensibilidade social, do compromisso ético, da autonomia, do trabalho em equipe e da capacidade de propor soluções alinhadas às demandas das comunidades.

Extensão como eixo transformador

Ao final, a professora Silvana Bastos Cogo reforça o orgulho da UFSM em participar da 100ª edição do Projeto Rondon e destaca a importância de valorizar e fortalecer ações extensionistas no ambiente universitário. Segundo ela, é por meio da extensão que a universidade se aproxima da realidade social, articula teoria e prática e constrói saberes comprometidos com a transformação social dos municípios onde atua.

Texto: Subdivisão de Divulgação e Editoração da Pró-Reitoria de Extensão

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