O Hospital Universitário de Santa Maria, da Universidade Federal de Santa Maria (HUSM-UFSM), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), promove, nos dias 19 e 20 de março, o Seminário Técnico-Científico sobre Anomalias Congênitas. O evento será presencial, no Auditório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), no campus da UFSM, e aberto a residentes, gestores, alunos, docentes, pacientes e à comunidade externa, com certificação. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas por meio do formulário on-line.
A atividade é organizada pelo Ambulatório de Doenças Raras e pela UTI Neonatal do HUSM, em parceria com o Projeto Piloto de Vigilância em Anomalias Congênitas do Rio Grande do Sul. A iniciativa conta com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular (PPGBM), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs).
A médica Neonatologista Responsável Técnica da Uti Neonatal do HUSM, Marinez Casarotto de Oliveira, destaca que o reconhecimento precoce das anomalias congênitas e o registro qualificado ainda na maternidade são determinantes para a qualidade do cuidado ao longo da vida. “Um registro qualificado na DNV, com o CID certo e preciso e o detalhamento da anomalia congênita, pode funcionar como um gatilho para inserção da criança em fluxos assistenciais específicos. Isso significa que, quando ela recebe alta da maternidade, já pode ter uma referência ambulatorial agendada, ao invés de depender de um reconhecimento tardio, seja pela família ou posteriormente na unidade básica de saúde”, explica.
Entre os desafios, Marinez aponta que muitas anomalias congênitas não se manifestam de forma imediata. Cardiopatias congênitas, por exemplo, podem não apresentar sinais nas primeiras horas de vida e passar despercebidas em um exame físico neonatal realizado de forma rápida. Ela observa que o exame físico do recém-nascido exige experiência para diferenciar variantes da normalidade de achados patológicos. Ao mesmo tempo, é necessário equilíbrio: manter um olhar atento sem supervalorizar alterações leves que não necessariamente indiquem doença genética.
Segundo Marinez, “Quando o neonatologista suspeita de uma síndrome genética ou de uma anomalia, para confirmação sempre vai precisar de uma avaliação especializada”. A médica também lembra que o Brasil ainda enfrenta um déficit histórico de especialistas em genética médica, geralmente concentrados em centros universitários e grandes capitais. Além disso, muitos diagnósticos exigem exames específicos, como cariótipo, sequenciamento genético e exames de imagem avançados, que nem sempre estão disponíveis em todos os serviços.
No HUSM, segundo ela, houve avanços recentes. “Hoje contamos com médica geneticista e conseguimos realizar alguns exames especializados, mas isso nem sempre foi assim. É uma realidade de poucos anos para cá”, pontuou. Como Hospital Universitário e referência regional em média e alta complexidade, o HUSM tem papel estratégico na identificação e acompanhamento desses casos na região central do Rio Grande do Sul. Nesse sentido, o evento busca ampliar a articulação do Hospital com redes de vigilância e pesquisa e qualificar o planejamento de políticas públicas.
O seminário abordará vigilância ativa, diagnóstico, prevenção e qualificação do cuidado às pessoas com anomalias congênitas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta é discutir a importância do registro adequado desde o nascimento, fortalecer a análise de dados nacionais, como o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), e integrar assistência, ensino e gestão.
Programação
Com o tema “Observar, Reconhecer e Registrar: O Papel da Vigilância nas Anomalias Congênitas”, a programação reúne especialistas do hospital, da universidade, do Ministério da Saúde e de instituições parceiras. Confira:
19 de março (Quinta-feira):
- 13h30 – Abertura do evento
- 13h45 – Projeto de Vigilância Ativa de Anomalias Congênitas no Brasil: Do Conceito à Implementação de uma Rede Nacional, com a palestrante: Médica geneticista e professora de pós-graduação na UFRGS, coordenadora do Projeto Piloto de Vigilância em Anomalias Congênitas no RS, Lavínia Schuler-Faccini
- 14h30 – Debate
- 15h – Intervalo
- 15h15 – Anomalias Congênitas: A importância do registro e perfil dos dados nacionais (SINASC), com a palestrante: Consultor técnico da Unidade Técnica de Vigilância de Anomalias Congênitas do Ministério da Saúde, João Matheus Bremm
- 16h – Medicina Fetal no Hospital Universitário de Santa Maria: Como está o registro local? Desafios e oportunidades, com o palestrante: Médico do HUSM, Francisco Gallerta
- 16h30 – Debate
20 de março (Sexta-feira)
- 8h – Anomalias congênitas: observar e reconhecer. Aspectos da prática clínica, com a alestrante: Médica geneticista do HUSM, Isabela Pasa
- 8h45 – As anomalias congênitas na prática do neonatologista, com a palestrante: Médica pediatra neonatologista e chefe da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais e Pediátricos do HUSM, Marinez Casarotto de Oliveira
- 9h30 – Casos clínicos para discussão – Neonatologia
- 10h – Intervalo
- 10h15 – Diagnóstico e intervenções no pré-natal de anomalias congênitas, com a palestrante: Médica geneticista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professora do PPGBM/UFRGS, Maria Teresa Vieira Sanseverino
- 10h45 – Casos clínicos para discussão
- 12h – Intervalo para almoço
- 13h30 – Atividade prática: Apresentação do aplicativo “birth defects” e materiais de apoio, com a palestrante: Médica geneticista e assistente de pesquisa do Projeto Piloto no RS, Cláudia Fernandes Lorea
- 15h – Casos clínicos para discussão
- 16h – Encerramento
Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh