
Entre os dias 27 e 31 de julho, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria, Campus Palmeira das Missões (UFSM-PM), participaram de uma missão técnica internacional em Valência, na Espanha. A atividade integra o projeto “O que nos fez chegar aos desastres climáticos do Rio Grande do Sul? Análise da governança ambiental do estado por meio das regiões de desenvolvimento sob a perspectiva de experiências internacionais”, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Agronegócios (PPGAGR/UFSM-PM).
A missão teve como destino Valência, cidade que passou por um amplo processo de adaptação urbana após a histórica enchente do Rio Turia, em 1957, e que voltou a enfrentar eventos climáticos extremos em 2024. O município tornou-se uma referência internacional em planejamento urbano, infraestrutura verde e estratégias voltadas à mitigação dos impactos das mudanças climáticas.
Participaram da missão o coordenador do projeto, professor Nelson Guilherme Machado Pinto, do Departamento de Administração e coordenador do PPGAGR, os mestrandos Gabriel Wachholz e Laura Pesellin e a doutoranda Daniela Vargas. A agenda incluiu visitas técnicas, reuniões institucionais e estudos de campo.
Entre as atividades desenvolvidas esteve a visita ao Jardim del Turia, um dos principais exemplos de adaptação urbana da cidade. Após a enchente de 1957, o antigo leito do Rio Turia foi transformado em um parque linear que atualmente contribui para a redução das ilhas de calor, ampliação das áreas verdes e melhoria da qualidade de vida da população, sendo reconhecido como uma solução baseada na natureza para enfrentamento das mudanças climáticas.
Os pesquisadores também visitaram o Monumento às Vítimas das Enchentes, criado originalmente em homenagem às vítimas da Grande Enchente de 1957 e que, após os eventos extremos registrados em 2024, passou a representar a memória de todas as vítimas das enchentes ocorridas na região.
Outro ponto da agenda foi a visita ao Las Naves, centro de inovação social e urbana vinculado à Prefeitura de Valência. O espaço reúne iniciativas nas áreas de tecnologia, ciência, criatividade e cultura, promovendo projetos voltados ao desenvolvimento sustentável, à economia do conhecimento e à meta de tornar Valência uma cidade neutra em carbono. Durante a visita, os pesquisadores conheceram ações desenvolvidas em parceria entre poder público, universidades, empresas e sociedade civil para fortalecer a resiliência urbana.
A missão contemplou, ainda, uma reunião na Universidade de Valência e no Instituto Polibienestar, onde a comitiva foi recebida pela professora Carolina Moreno Castro e sua equipe. Os pesquisadores conheceram a infraestrutura do laboratório voltado à produção e pesquisa em comunicação audiovisual, além das instalações do Instituto Polibienestar, centro de pesquisa multidisciplinar dedicado ao desenvolvimento de políticas públicas, inovação social e qualidade de vida. A agenda também incluiu visita à Faculdade de Filologia, onde foram apresentadas as atividades acadêmicas desenvolvidas pela instituição.
Para o professor Nelson Guilherme Machado Pinto, a missão técnica permitiu observar como o planejamento urbano e a cooperação entre diferentes instituições podem contribuir para reduzir os impactos dos eventos climáticos extremos. “Valência demonstra que a adaptação às mudanças climáticas exige planejamento de longo prazo e integração entre poder público, universidades, centros de pesquisa e sociedade. Conhecer essas experiências amplia nossa compreensão sobre modelos de governança ambiental e fornece referências importantes para discutir soluções aplicáveis ao contexto do Rio Grande do Sul”, salientou.
O projeto foi aprovado no Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Voltado a Desastres Climáticos, em dezembro de 2024, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS). A pesquisa tem como foco as enchentes de grandes proporções que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, buscando discutir os fatores que contribuíram para os desastres climáticos do estado, com foco na governança ambiental e na comparação com modelos adotados em diferentes países.
Como parte do cronograma de atividades, a equipe já realizou missões técnicas em Brumadinho e Mariana (MG), cidades marcadas pelos rompimentos de barragens; em Nova Orleans, nos Estados Unidos, referência em estudos sobre gestão de riscos após o furacão Katrina; em Tóquio, no Japão, reconhecida pelos sistemas de prevenção e resposta a terremotos e outros desastres naturais; e, mais recentemente, em Valência, na Espanha, ampliando a base comparativa sobre adaptação urbana, infraestrutura verde e governança voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas.
Texto: Divisão de Divulgação Institucional da UFSM-PM
Foto: Arquivo pessoal