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Concerto de estreia da Orquestra de Câmara de Santa Maria será na quarta-feira (19)

O repertório combina o popular e o erudito, com obras de Antonio Vivaldi, Astor Piazzolla e Chiquinha Gonzaga



Cartaz do evento.Em suas múltiplas acepções, a palavra “câmara” transmite invariavelmente a ideia de um lugar fechado, seja ele de dimensões grandes (como as câmaras de deputadores e vereadores) ou pequenas, como nas áreas da fotografia – na qual o princípio da câmara escura foi fundamental para a invenção da câmera fotográfica – e da música. Expressão associada à música erudita, a música de câmara remete a obras executadas por conjuntos formados por um número reduzido de instrumentistas. Na UFSM, um projeto de extensão coordenado pelo professor João Batista (“Tita”) Sartor atualiza esse conceito ao criar a Orquestra de Câmara de Santa Maria, cuja estreia está marcada para a próxima quarta-feira (19), em um espetáculo que combina o popular e o erudito, em diálogo ainda com a dança.

Marcado para as 19h, no Theatro Treze de Maio, esse primeiro concerto, com entrada gratuita, intitula-se “Chiquinha Gonzaga & As Quatro Estações” e faz parte da programação da 53ª Feira do Livro de Santa Maria. Tendo Giovani dos Santos como solista ao violino, o concerto começa com trechos da obra mais famosa de Antonio Vivaldi: o primeiro movimento (Allegro) do concerto “Primavera”, ao qual se seguem os três movimentos (Allegro com molto, Adagio e piano/presto e forte e Presto) do “Verão”.

Logo após, as Quattro Stagioni dão lugar às Quatro Estaciones Porteñas, de Astor Piazzolla. Nessa obra, o compositor argentino homenageia a obra-prima do barroco italiano ao criar uma série de quatro tangos (Primavera, Verano, Otoño e Invierno) inspirados nas mudanças que a paisagem de Buenos Aires sofre a cada troca de estação. Os solistasOlinda Alessandrini (ao piano), Ricardo Chacón (ao violino) e Rodrigo Alquati (ao violoncelo) vão tocar as estações portenhas de acordo com o arranjo criado por José Bragato. Nessa parte do espetáculo, as estações ganharão também representação gestual, com a presença no palco dos bailarinos Débora Brandt e Patrick Moraes.

Por fim, o concerto homenageia a pianista, compositora e maestrina carioca Chiquinha Gonzaga, que – entre outros feitos – foi a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. O público terá a oportunidade de ouvir uma breve amostra das modinhas, tangos brasileiros, marchinhas, valsas, choros e polcas compostas por ela. Novamente ao piano, Olinda Alessandrini vai tocar a suíte “Sempre Chiquinha”, sob arranjo de Sandra Mohr. Fazem parte da suíte as seguintes composições: “Lua Branca”, “Gaúcho”, “Bijou”, “Valsa Carlos Gomes”, “Plangente”, “Água de Vintém”, “Atraente” e “Viva o Carnaval”.

Além dos nomes já citados, o concerto de estreia da Orquestra de Câmara de Santa Maria também terá a participação dos seguintes músicos: os violinistas Bibiana Turchiello, Michael Fragomeni Penna, Yuri Ribeiro de Alencar e Elton Linhares; os violistas Ana Guerra, Artur Freitas Paulus e Endrik Dias Friedrich; o violoncelista Lucas Kindel Sartor; eo contrabaixista Luciano Dal Molin.

O concerto terá a regência do maestro e diretor artístico da Orquestra de Câmara, Tita Sartor, que nesse projeto conta com o auxílio, como diretores executivos, de dois nomes conhecidos na cena musical santa-mariense: Juliana Pires e Matheus Lopes.

No dia do espetáculo, os ingressos poderão ser adquiridos gratuitamente, a partir das 13h30min, no site do Theatro Treze de Maio.

Formação flexível – Nesse primeiro concerto, a Orquestra de Câmara consiste basicamente em um conjunto de cordas acompanhado de piano, porém essa formação não será fixa. Vai variar de acordo com cada espetáculo, tanto na quantidade de instrumentistas quanto no tipo de instrumentos. Para a realização dos concertos, a direção da orquestra vai contar com a colaboração de estudantes e egressos dos cursos de Música da UFSM, incluindo também músicos que atuam em projetos dos quais o maestro Tita Sartor participa, não só em Santa Maria e região, mas também nas cidades de Montenegro e Porto Alegre. Inclusive, os ensaios para essa primeira apresentação vão ocorrer na capital gaúcha.

O Centro de Convenções da UFSM vai receber os dois espetáculos seguintes, que já estão marcados. No dia 22 de setembro, a Orquestra de Câmara, o Ballet Ivone Freire e o projeto Dançando para Educar vão apresentar o balé “Carmen”, obra na qual o compositor russo Rodion Shchedrin homenageia – com novos arranjos – a ópera homônima de Georges Bizet. E, nos dias 20 e 21 de outubro, um ano após a sua apresentação pela Orquestra Sinfônica, o musical “A Bela e a Fera” retorna ao palco do Centro de Convenções com a Orquestra de Câmara de Santa Maria.

Para a viabilização financeira dos espetáculos, a Orquestra de Câmara conta com o trabalho dos produtores Maristela Tomazetti e Rodrigo Jappe, responsáveis pela busca de apoios e patrocínios, bem como pela captação de recursos por meio das leis de incentivo à cultura.

A agenda de concertos e outras informações sobre a Orquestra de Câmara de Santa Maria constam em seu perfil no Instagram.

Texto: Lucas Casali

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