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Desapego: espetáculo questiona pressões impostas pelos papéis sociais

Cia Lápis de Seda também ofereceu oficina de dança inclusiva para pessoas com deficiência



Foto colorida horizontal de grupo de bailarinos no palco do Caixa Preta. As dançarinas e os dançarinos, em pé, fazem coreografias com quatro molduras com tamanho semelhante ao de portas. Alguns estão com os corpos entrando e ou saindo molduras
Espetáculo de danças com bailarinos com e sem deficiência usou molduras para questionar equadramentos sociais

O Teatro Caixa Preta, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), recebeu nesta quinta (3) o espetáculo de dança inclusiva Desapego, da Companhia de Dança Lápis de Seda. O grupo de Florianópolis (SC) trouxe ao palco a dança contemporânea produzida por artistas com e sem deficiência.

Nove bailarinos protagonizaram a cena com a utilização de molduras em tamanho real. Os dançarinos as utilizam como objetos cênicos para ressignificar os enquadramentos sociais. Conforme a diretora da companhia, Ana Luiza Ciscato, este é um espetáculo para se “desapegar daquilo que causa dor durante o processo de tentar se moldar para caber onde não se cabe”. 

As diferenças são usadas como matéria-prima de criação. Todos os movimentos vêm dos bailarinos, por meio de laboratórios dirigidos por Ana Luiza, que é também a coreógrafa de Desapego. Conforme a bailarina Roberta Nastari de Oliveira, o principal disparador para a criação da coreografia foram as molduras. Ela conta que os itens são elementos visuais que representam muito bem a proposta do espetáculo no palco. “Isso ajuda também no nosso entendimento da que está por trás do Desapego”. As molduras são um link entre o que é subjetivo e o que surge da proposta inicial – o entendimento do que é estar dentro de moldes e o sentimento que se tem ao estar preso ao quadro imposto.

Produtor do espetáculo, responsável pela logística das apresentações, Ulisses Souza, explica que Desapego foi apoiado pela Funarte e passou por três cidades antes de chegar a Santa Maria: Florianópolis e São José (SC) e Curitiba (PR). O espetáculo, agora, retornará a Florianópolis para encerramento da temporada.

“Hoje a gente considera que o nosso trabalho é artístico, sensível, e também tem um cunho muito político. A gente entende que trabalha por uma causa”, conclui a diretora.

A passagem da companhia por Santa Maria se encerrou com uma oficina de dança para pessoas com deficiência no prédio 40C no campus sede da UFSM, ministrada por Ana Luiza. A oficina se trata de uma aula de dança, com todas as etapas de uma aula “convencional”: aquecimento, alongamento e proposta de criação e improvisação por meio de jogos que trabalham a interação –  o que estimula o prestar atenção ao outro.

Foto colorida horizontal de grupo de bailarinos no Caixa Preta. No centro da imagem, um bailarino está cercado por pelo menos quadro molduras, que fecham a figura de um quadrado. No entorno, uma bailarina eum bailarino dançam. No canto esquerdo, à frente da cortina, uma mulher observa a cena.
Cia catarinense trouxe espetáculo inclusivo ao Caixa Preta

Desapego (2022) 

O espetáculo aborda os moldes sociais nos quais somos obrigados a nos encaixar para viver no mundo hoje. “É uma coisa que causa muita dor. Você fica o tempo todo se enquadrando num lugar que você não cabe e não caberia se você fosse você mesma”, explica Ana Luiza, diretora da companhia e coreógrafa da apresentação. O espetáculo e a oficina contam com uma intérprete de Libras e reforça seu compromisso com a acessibilidade com o público e com os artistas em cena.

Conheça a Companhia de Dança Lápis de Seda

Fundada em 2013 pela sua diretora Ana Luiza Ciscato, a Cia Lápis de Seda tem sede em Florianópolis e sete espetáculos no seu repertório, sendo o mais recente o “Desapego” (2022).

Formada em Dança, a coordenadora é, também, a coreógrafa das produções da companhia. As criações de Ana Luiza são fruto de 25 anos de experiência em pesquisa e práticas de dança inclusiva.

A Lápis de Seca costuma oferecer oficinas e cursos de formação. “Nosso objetivo é compartilhar com mais pessoas nosso modelo e nossa técnica”, comentou a diretora sobre a importância de apresentar a dança como forma de linguagem e de expressão acessível. 

A companhia tem um novo espetáculo em processo de criação, com estreia prevista para novembro de 2026.

Texto: Júlia Zucchetto, estudante de Jornalismo e estagiária da Agência de Notícias da UFSM.

Fotos: Giulia Maffini, estudante de Produção Editorial e bolsista da Agência de Notícias da UFSM

Edição: Maurício Dias, jornalista

Foto colorida horizontal de grupo de dançarinas e dançarinos em pé em cadeira de rodas aplaudinho no momento de encerramento do espetáculo. Atrás deles, os objetos cênicos, que são molduras
Santa Maria foi a única cidade gaúcha a receber "Desapego" da Cia Lápis de Seda
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