MÚSICA: CRIAÇÃO, RECEPÇÃO E COMPREENSÃO
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arthur-rinaldi-ferreira@ufsm.br Prédio: 40b Sala: 1208 – Estúdio de Musica EletroacústicaLivro: Pensando o Compor I

| Pensando o Compor I: Teorias e Práticas da Criação Musical | ||
| Ano: 2026 | Organizadores: Arthur Rinaldi e Paulo Rios Filho | Editora UFSM |
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~~ CONTEÚDO ~~
Prefácio: Ô ABRE ALAS!
Paulo Costa Lima
Apresentação
Arthur Rinaldi e Paulo Rios Filho
Introdução: apontamentos para uma teoria (plural) do compor
Arthur Rinaldi e Paulo Rios Filho
SEÇÕES E CAPÍTULOS


Denise H. L. Garcia
Capítulo 1: A análise musical no ensino de composição e na criação
| Resumo: Este capítulo visa tratar do papel da análise musical no ensino de composição e na criação musical no âmbito acadêmico. A abordagem se inicia a partir da experiência pessoal da autora em sua formação e seu trabalho de docência na área de composição para depois considerar outros testemunhos na revisão bibliográfica tanto de compositores consagrados que escreveram sobre o tema, como György Ligeti, Pierre Boulez, Brian Ferneyhough e Silvio Ferraz como de musicólogos especialistas em análise de música contemporânea como Thomas Lacôte e Michel Rigoni. O capítulo se estrutura em três partes: o papel da análise na formação do compositor; análise e o ato criativo; e o compositor no ambiente acadêmico. | [espaço reservado para vídeo] |
| Palavras-chave: análise e composição, análise e ensino de composição, análise e criação musical. | |
| Chapter 1: Musical analysis in teaching composition and creation | |
| Abstract: This chapter approaches the role of musical analysis in the teaching of composition and musical creation in the academic field. It is based on the author’s personal experience in her training and in her composition teaching. Furthermore, she makes a bibliographical review of articles by renowned composers and musicologists on the subject. The chapter is structured in three parts: the role of analysis in composer’s training; analysis and the creative act; and the composer in the academic environment. | |
| Keywords: musical analysis and composition, analysis and composition teaching, analysis and musical creation. |

Felipe de Almeida Ribeiro
Capítulo 2: Espectralismo: um guia composicional
| Resumo: Este texto é um guia crítico para a composição de uma obra espectral. O objetivo principal é apresentar a estética e as técnicas da música espectral de uma forma mediada, com explicações e demonstrações práticas das análises e cálculos. A música espectral teve início nos anos 1970 na França e propôs um modelo composicional reformador, crítico às linguagens das músicas tonais e seriais, e profundamente fundamentada na escuta sonora e em técnicas de computação musical. Com base nos estudos de Gérard Grisey, Tristan Murail, Jonathan Harvey, Joshua Fineberg, François Rose, Jerôme Baillet, Jean-Luc Hervé, Felipe de Almeida Ribeiro, Danielle Cohen-Levinas, Julian Anderson, trabalharemos conceitos e técnicas importantes na música espectral, como: análise e síntese instrumental; distorção de espectro; conversão entre frequência, MIDIcents e notação microtonal; modulação por anel; modulação por frequência (FM) e fundamental virtual. Ao fim da análise, apresentaremos uma maquete audiovisual de uma possível obra, demonstrando na prática a aplicação de cada técnica. O trabalho faz uso de softwares de auxílio composicional, como IRCAM OpenMusic, SPEAR, Max (Cycling ’74), e conta com arquivos anexos para complementar o estudo. Todo conteúdo pode ser baixado em: https://doi.org/10.5281/zenodo.7729734 | [espaço reservado para vídeo] |
| Palavras-chave: música espectral, composição musical, composição assistida por computador, análise espectral e acústica. | |
| Chapter 2: Spectralism: a compositional guide | |
| Abstract: This text serves as a comprehensive guide for the composition of spectral music, aiming to elucidate the aesthetics and techniques inherent in this genre through a mediated approach. It provides detailed explanations and practical demonstrations of analyses and calculations associated with spectral music. Originating in France during the 1970s, spectral music introduced a reformist compositional paradigm that critically assessed tonal and serial musical languages. Its foundation lies in a profound connection to sound perception and the utilization of musical computing techniques. Drawing inspiration from the studies of influential figures such as Gérard Grisey, Tristan Murail, Jonathan Harvey, Joshua Fineberg, François Rose, Jerôme Baillet, Jean-Luc Hervé, Felipe de Almeida Ribeiro, Danielle Cohen-Levinas, and Julian Anderson, this guide delves into crucial concepts and techniques within spectral music. Key topics covered include instrumental analysis and synthesis, spectrum distortion, frequency conversion, MIDIcents and microtonal notation, ring modulation, frequency modulation (FM), and virtual fundamental. To illustrate the practical application of each technique, the guide concludes with an audiovisual mock-up of a potential spectral work. Utilizing compositional software such as IRCAM OpenMusic, SPEAR, and Max (Cycling ’74), accompanying files are provided to enhance the study experience. For convenient access, all content, including supplementary files, is available for download at: https://doi.org/10.5281/zenodo.7729734 | |
| Keywords: spectral music, musical composition, computer-assisted composition, spectral and acoustic analysis. |
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Silvio Ferraz
Capítulo 3: Composição por projeções
| Resumo: Neste artigo apresento algumas ferramentas e resultados do que tenho chamado por projeções turvas. Trata-se de um modelo composicional com base em repetições e operações recursivas e iterativas de transformação. A ideia principal, é que a cada retorno seja ao elemento germinal do processo (recursão), seja ao estágio imediatamente precedente (iteração), a composição segue um curso de deriva quase livre. Tal modelo por repetições tem como fundamento a ideia de “frase de comentário” que Olivier Messiaen apresenta no seu livro Technique de mon langage musical. No meu artigo, demonstro este uso de projeções que turvam a escuta do modelo germinal, sobretudo quando sobrepostas a ele ou umas às outras. Tal modelo tenho empregado em composições desde o meu período formativo nos anos 80 até composições mais recentes com o uso de live-electronics e suas implicações melódicas e harmônicas. | [espaço reservado para vídeo] |
| Palavras-chave: projeções melódicas, frase comentário, iteração, recursão, repetição. | |
| Chapter 3: Composing by projections | |
| Abstract: In this article I present some tools and results of what I have been calling blurred projections. This is a compositional model based on repetition and recursive or iterative transformation operations. The main idea is that at each return either to the germinal element of the process (recursion) or to the immediately preceding stage (iteration), the composition follows a course of almost free drift. This model by repetitions is based on the idea of the “commentary phrase” that Olivier Messiaen presents in his book Technique de mon langage musical. In my article, I demonstrate this use of projections that blur the listening of the germinal model, especially when superimposed on it or on each other. Such a model I have employed in compositions from my formative period in the 1980s to more recent compositions with the use of live-electronics and its melodic and harmonic implications. | |
| Keywords: melodic projection, commentary phrase, interaction, recursion, repetition. |
Guilherme Bertissolo
Capítulo 4: Reciprocidade estendida: articulando composição, cognição e cultura
| Resumo: Este capítulo apresenta o conceito de reciprocidade estendida, formulado a partir do vetor de reciprocidade da composicionalidade de Paulo Costa Lima. Inicialmente, abordo a criatividade musical, ressaltando a pertinência da sua perspectiva distribuída e a premência da discussão sobre a dimensão da consciência nos processos criativos. Em seguida, apresento o contexto da composicionalidade e seus desdobramentos em outros autores, para então colocar em perspectiva a reciprocidade na literatura recente em composição musical. Finalmente, proponho o conceito de reciprocidade estendida, envolvendo suas relações com as dimensões da consciência e da construção de imaginários nos processos criativos em música, a partir da noção de expectativa e dos dispositivos atencionais da escuta. | [espaço reservado p/ vídeo] |
| Palavras-chave: reciprocidade estendida, composicionalidade, processos criativos. | |
| Chapter 4: Extended reciprocity: intertwining composition, cognition and culture | |
| Abstract: This chapter presents the concept of extended reciprocity resonating with the notion of reciprocity proposed by Paulo Costa Lima in his compositionality. Initially, I focus on musical creativity, highlighting the importance of its distributed approach and the bustle of a discussion about the dimension of consciousness in creative processes. Then, I present a contextualization of compositionality and its unfoldings in other authors to put reciprocity into perspective in recent literature on music composition. Finally, I propose the concept of extended reciprocity, including its relationships with dimensions of consciousness and the construction of imaginaries in musical creative processes based on expectation and attention mechanisms of listening. | |
| Keywords: extended reciprocity, compositionality, creative processes. |

Rodrigo Lima
Capítulo 5: Edgard Varèse e o ‘cristal harmônico’
| Resumo: Este trabalho propõe uma imersão no universo harmônico de Edgard Varèse, compositor sui generis que marcou a primeira metade do século XX com sua poética radical de liberação do som. Dentre os objetivos estiveram presentes: explorar a ideia do uso de “matrizes harmônicas” como princípio composicional e sua capacidade de engendrar novos territórios harmônicos. Aliado a isso, ressaltamos também as relações entre as estratégias composicionais, via manipulação de alturas, e suas resultantes enquanto timbre e sonoridade. Por este motivo, fez-se necessário alguns apontamentos analíticos de obras como Intégrales (1924), Octandre (1923) e Arcana (1927), visando uma maior aproximação do seu idioma composicional e de seus processos no campo da harmonia. | [espaço reservado p/ vídeo] |
| Palavras-chave: música do século XX, composição, “matrizes harmônicas”, análise harmônica, Edgard Varèse. | |
| Chapter 5: Edgard Varèse and the “harmonic crystal” | |
| Abstract: This work has the aim of delving into the harmonic universe of sui generis composer Edgard Varèse, who is a landmark of the first half of the 20th century with his poetics of sound liberation. This project’s goals entail exploring the idea of “harmonic matrices” used as a compositional principle and its capacity for engendering new harmonic landscapes. We also focus on the relationships between compositional strategies via pitch manipulation and its resultant timbre and sonority. For this reason, some analytical discussions on works such as Intégrales (1924), Octandre (1923), and Arcana (1927) have been deemed essential to delve deeper into his compositional language and his processes in harmony. | |
| Keywords: twentieth-century music, composition, “harmonic matrices”, harmonic analysis, Edgard Varèse. |

Paulo Rios Filho
Capítulo 6: Compor com subtração: criação musical, cosmopolítica e perspectivismo
| Resumo: Este ensaio tem, como objetivo, criar uma zona imaginativa de desaceleração na produção sobre teoria da composição musical, discutindo, com a devida seriedade, a participação de atores e agenciamentos minoritários no processo criativo em música — retomando, por essa via, a noção de cosmopolítica, tal qual discutida por Stengers (2018), mas também no sentido trazido por Viveiros de Castro (2018). Tal zona teórico-imaginativa é tecida a partir da mobilização de ideias, conceitos e relatos advindos da música, mas também da antropologia e da filosofia, travando um mergulho através de quatro lâminas ou correntes: a) a lâmina do Todo-Azul, de Smetak (1981), e da árvore dos cantos yanomami, tal qual descrita por Kopenawa e Albert (2015), como campos domínios de um ruído totalizante ao longo do qual as músicas são de alguma forma criadas; b) a corrente da composição musical por procedimentos de filtragem ou subtração, a partir do que Goldman (2009a, 2009b) chama de teoria afrobrasileira do processo criativo; c) a camada do lugar-criação como uma zona emaranhada de linhas, fluxos, percursos traçados por corpos de naturezas diversas dentro de um compor; e d) a encenação territorial de um compor, onde atores humanos e não humanos disputam a ativação, ao modo do perspectivismo ameríndio (VIVEIROS DE CASTRO, 2011, 2018), de determinados pontos de vista ao longo do processo criativo. Com isso, espera-se criar o espaço necessário para que sujeitos como a planta e o pássaro, libertados das amarras linguísticas da metáfora, e convocados para um outro lugar de atuação poética e política, possam revelar aspectos importantes de um fazer-música. Dentre esses aspectos que aqui buscamos iluminar, podem ser citados: a existência de uma outridade que permeia a composição musical, um outro com quem se pode construir alianças e travar relações produtivas; o compositor como uma figura diplomática, responsável por travar processos de comunicação entre mundos; e, por fim, a caracterização fundamentalmente pedagógica da atividade composicional. | |
| Palavras-chave: composição musical, perspectivismo, cosmopolítica. | |
| Chapter 6: Writing music with subtraction: musical creation, cosmopolitics and perspectivism | |
| Abstract: This essay aims to create an imaginative zone of deceleration in the production of music composition theory, discussing with all due seriousness the participation of minor actors and assemblages in the creative process in music—thus revisiting the notion of cosmopolitics as discussed by Stengers (2018) but also in the sense brought by Viveiros de Castro (2018). This theoretical-imaginative zone is woven through the mobilization of ideas, concepts, and accounts from music, anthropology, and philosophy, diving through four threads or currents: a) the thread of the Whole-Blue, by Smetak (1981), and the Yanomami tree of songs, as described by Kopenawa and Albert (2015), as domains of a total noise within which music is somehow created; b) the current of musical composition through filtering or subtraction processes, based on what Goldman (2009a, 2009b) calls the Afro-Brazilian theory of the creative process; c) the layer of the place-creation as an entangled zone of lines, flows, and pathways traced by bodies of diverse natures within a music-making; and d) the territorial enactment of music composition, where human and non-human actors contend for activation, in the manner of Amerindian perspectivism (VIVEIROS DE CASTRO, 2011, 2018), of certain point-of-views throughout the creative process. With that, we hope to create the necessary space so that subjects like the plant and the bird, once liberated from the linguistic shackles of metaphor and summoned to a different place of poetic and political agency, can reveal important aspects of music-making. Among these aspects that we seek to highlight are: the existence of an otherness that permeates musical composition, an other with whom alliances and productive relations can be formed; the composer as a diplomatic figure, responsible for mediating communication between worlds; and, finally, the fundamentally pedagogical characterization of the compositional activity. | |
| Keywords: musical composition, perspectivism, cosmopolitics. |


Rogério Luiz Moraes Costa
Capítulo 7: A criação musical e as esferas da insurreição
| Resumo: Nesse capítulo proponho examinar as práticas de criação musical enquanto ação micropolítica tendo como referência as atividades de um grupo que coordeno há mais de 10 anos na Universidade de São Paulo: a Orquestra Errante. Uma das hipóteses é que esse tipo de atividade pode se constituir enquanto estratégia de resistência às capturas do desejo empreendidas pelo capitalismo neoliberal. Nesse sentido, relaciono os agenciamentos que ocorrem no ambiente criativo da Orquestra às estratégias de insurgência propostas pela psicanalista Suely Rolnik, em seu livro Esferas da Insurreição (Rolnik, 2018), contra o que ela chama de patologias do regime colonial capitalista. Para verificar essa hipótese relato os agenciamentos deste laboratório de criação e improvisação descrevendo seus modos de cooperação micropolítica específicos. Proponho que esses modos de cooperação estabelecem, de acordo com Rolnik, uma pragmática clínico-estético-política entre os integrantes do grupo que pode funcionar como uma espécie de antídoto contra a corrupção do desejo empreendida pela macro e micropolítica do capitalismo contemporâneo. A ideia é, não só investigar a hipótese mencionada acima, mas também colher dados a respeito das várias dimensões (técnicas, cognitivas, sociais, raciais, educacionais, políticas, de gênero etc.) que compõem o ambiente criativo da Orquestra Errante e que podem incentivar uma reflexão aprofundada e abrangente sobre a criação musical na sociedade brasileira contemporânea, possibilitando assim a construção, no âmbito da composição musical, de uma epistemologia que se oponha ao colonialismo eurocêntrico hegemônico nas instituições musicais brasileiras, ou seja, que permita descolonizar o ensino da música no Brasil. | [espaço reservado p/ vídeo] |
| Palavras-chave: composição, improvisação, perspectivas decoloniais, práticas musicais coletivas, micropolítica, desejo. | |
| Chapter 7: Musical creation and the spheres of insurrection | |
| Abstract: In this chapter, I propose to examine the practices of musical creation as a micropolitical action, taking as a reference the activities of a group that I have coordinated for more than 10 years at the University of São Paulo: the Orquestra Errante. One of the hypotheses is that this type of activity can be constituted as a strategy of resistance to the capture of desire undertaken by neoliberal capitalism. In this sense, I relate the assemblages that occur in the creative environment of the Orquestra to the insurgency strategies proposed by the psychoanalyst Suely Rolnik in her book Esferas da Insurreição (Rolnik, 2018) against what she calls the pathologies of the capitalist colonial regime. To verify this hypothesis, I report the agency of this laboratory of creation and improvisation, describing its specific modes of micropolitical cooperation. I propose that these modes of cooperation establish, according to Rolnik, a clinical-aesthetic-political pragmatics between the members of the group that can function as a kind of antidote against the corruption of desire undertaken by the macro and micropolitics of contemporary capitalism. The idea is not only to investigate the hypothesis mentioned above, but also to collect data regarding the various dimensions (technical, cognitive, social, racial, educational, political, gender, etc.) that make up the creative environment of Orquestra Errante and that can encourage an in-depth and comprehensive reflection on musical creation in contemporary Brazilian society, thus enabling the construction, within the scope of musical composition, of an epistemology that opposes the hegemonic Eurocentric colonialism in Brazilian musical institutions, that is, that allows the decolonization of music teaching in Brazil. | |
| Keywords: composition, improvisation, decolonial perspectives, collective musical practices, micropolitics, desire. |
Alexandre Espinheira e Victor Hugo da Rocha
Capítulo 8: Um compor na encruzilhada
| Resumo: Neste capítulo pretendemos apresentar a ideia de encruzilhada como potência criativa, abrindo caminhos para novos campos de possibilidades e novas práticas de invenção na área de música. “A encruza emerge como potência que nos possibilita estripulias” (Rufino, 2019, p. 13). Observaremos, sob esse viés, processos intencionais de Hibridação Cultural em música, de modo geral; as noções de entrelugar e distância ressignificadora; e teorias do compor – já imbricados, historicamente, no Movimento de Composição da Bahia, desde a década de 1960 – em direção a uma música de concerto menos colonizada e, ao final, traremos os exemplos das obras Exu Jazz de Victor Hugo da Rocha e Groove (Funk Carioca) de Alexandre Espinheira, onde a ideia de cruzo, implementada desde o início de seus processos generativos, borra as fronteiras da música de concerto contemporânea, impactando radicalmente o campo de escolhas do sistema-obra. “Exu não é o eu, nem o outro, ele comporta em si o eu e o outro e toda a possibilidade de encontro/conflito/diálogo entre eles. Por ser esfera que transpõe qualquer limite imposto, Exu é o próprio caminho compreendido como possibilidade, sendo assim um princípio inacabado.” (Rufino, 2019, p. 44). | [espaço reservado p/ vídeo] |
| Palavras-chave: Composição Musical, Exu, Encruzilhada, Hibridação Cultural. | |
| Chapter 8: Composition at the Crossroads | |
| Abstract: In this chapter, we intend to present the idea of the crossroads as a creative potential, opening paths to new fields of possibilities and new practices of invention in the area of music. “The crossroads emerges as a power that allows us escapades” (Rufino, 2019, p. 13). We will observe, under this perspective, intentional processes of Cultural Hybridism in music in general; the notions of in-betweenness (entrelugar) and redefining distance (distância resignificadora); and theories of composition – historically intertwined in the Composition Movement of Bahia since the 1960s – towards a less colonized erudite concert music. Finally, we will bring examples of the works Exu Jazz by Victor Hugo da Rocha and Groove (Funk Carioca) by Alexandre Espinheira, where the idea of intersection, implemented from the beginning of their generative processes, blurs the boundaries of contemporary concert music, radically impacting the field of choices in the system-work. “Exu is not the ego, nor the other; he contains within himself the ego and the other and all the possibilities of encounter/conflict/dialogue between them. Being a sphere that transcends any imposed limit, Exu is the very path understood as a possibility, thus being an unfinished principle.” (Rufino, 2019, p. 44). | |
| Keywords: Musical Composition, Exu, Crossroads, Cultural Hydridism. |

Isabel Nogueira, Luciano Zanatta e Douglas Jung
Capítulo 9: Abala Ladaia: reflexões sobre uma prática da composição para uma pedagogia da sensibilidade
| Resumo: Este artigo apresenta os processos criativos para a criação do álbum Abala Ladaia (2022) e os conceitos articulados para a sua produção e performance. O artigo tece relações entre o trabalho artístico e processos pedagógicos na criação de canções, e destaca a importância da improvisação e da experimentação como elementos criativos para o despertar do desejo em uma pedagogia da sensibilidade. Buscamos, através do movimento de desvelar processos, apontar possíveis caminhos metodológicos para o ensino da composição/criação sonora, trazendo reflexões sobre escuta, improvisação, criação sonora, corporeidade, lugar de fala e lugar de escuta, além de educação somática. O artigo dialoga com autores como Rolnik (2018), Oliveros (2005), Feldenkrais (1977) e Berkowitz (2010), incluindo também reflexões que fazem parte de nossa própria trajetória e que vem sendo discutidos em nossos trabalhos anteriores. Através da compreensão da produção artística como processo corporificado e em fluxo, buscamos trazer a intenção micropolítica da prática da composição e da improvisação, assim como sublinhar sua intenção de expressão de subjetividades e de potencialização da vida. | [espaço reservado p/ vídeo] |
| Palavras-chave: Composição, improvisação, educação somática, escuta, metodologia do encantamento. | |
| Chapter 9: Abala Ladaia: thoughts on a compositional practice for a pedagogy of sensitivity | |
| Abstract: This article presents the creative processes of the album Abala Ladaia (2022) and the articulated concepts for its production and performance. The paper weaves relation between artistic work and pedagogical processes in the creation of songs, and highlights the role of improvisation and experimentation as creative elements for awakening desire in a pedagogy of sensitivity. We seek, through the movement of unveiling processes, to point out possible methodological paths for teaching composition/sound creation, bringing reflections on listening, improvisation, sound creation, corporeality, place of speech and place of listening, as well as somatic education. The article dialogues with authors such as Rolnik (2018), Oliveros (2005), Feldenkrais (1977) and Berkowitz (2010), including also reflections that are part of our own trajectory and that have been discussed in our previous works. By understanding artistic production as an embodied and flowing process, we seek to bring the micropolitical intention of the practice of composition and improvisation, as well as to underline its intention of expressing subjectivities and empowering of life. | |
| Keywords: Composition, improvisation, somatic education, listening, enchantment methodology. |

Valéria Bonafé
Capítulo 10: Prática composicional e subjetividade: uma cartografia de um processo criativo
| Resumo: Nesse capítulo exploro algumas interações entre minha prática composicional e a esfera da subjetividade, investigando de que maneira aspectos subjetivos e relacionais constituem minha poética artística. Por meio de um processo de autoanálise fundamentado na prática cartográfica, volto minha escuta para as forças que convulsionaram, sustentaram e moldaram o processo criativo de i-131 (2017), uma peça com forte viés autobiográfico na qual a intimidade, as fragilidades, as vulnerabilidades e o afetos saltam para o primeiro plano. O capítulo está dividido em duas partes. Numa primeira parte, introduzo ao leitor as inquietações que têm movimentado minha pesquisa nos últimos anos e posiciono a cartografia como método potente para investigação artística. Na segunda parte, apresento uma cartografia do processo criativo de i-131 por meio pequenas narrativas que gravitam em torno de descrições, memórias, relatos ficcionais e comentários reflexivos-especulativos, acompanhadas por registros visuais selecionados a partir da ampla documentação desse trabalho. Ao focar no processo criativo de i-131, espero não apenas compartilhar como se deu o percurso inventivo desse trabalho artístico particular, mas colaborar para um entendimento da prática composicional enquanto campo de experimentação subjetiva e de afirmação do desejo e da força vital. | |
| Palavras-chave: processo criativo, cartografia, subjetividade, autoanálise, metodologia de pesquisa artística. | |
| Chapter 10: Compositional practice and subjectivity: a cartography of a creative process | |
| Abstract: In this chapter, I explore some interactions between my compositional practice and the realm of subjectivity, investigating how subjective and relational aspects constitute my artistic poetics. Through a process of self-analysis grounded in cartographic practice, I turn my listening to the forces that have convulsed, sustained, and shaped the creative process of i-131 (2017), a piece with a strong autobiographical bias in which intimacy, fragility, vulnerability, and affections come to the forefront. The chapter is divided into two parts. In the first part, I introduce the reader to the concerns that have driven my research in recent years and position cartography as a potent method for artistic investigation. In the second part, I present a cartography of the creative process of i-131 through brief narratives that revolve around descriptions, memories, fictional accounts, and reflexive-speculative comments, accompanied by visual records selected from the extensive documentation of this work. By focusing on the creative process of i-131, I hope not only to share how the inventive journey of this particular artistic work unfolded, but also to contribute to an understanding of compositional practice as a field of subjective experimentation and an affirmation of desire and vital force. | |
| Keywords: creative process, cartography, subjectivity, self-analysis, artistic research methodology. |