Famílias de 23 comunidades remanescentes de quilombos em 18 municípios da região central e norte do Rio Grande do Sul estão mobilizadas em relação à construção de políticas de reconhecimento e reparação através do cadastramento no Programa Nacional de Reforma Agrária.
O processo de cadastramento está sendo realizado através do Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado entre a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o Incra no Rio Grande do Sul e o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI-UFSM). O trabalho de campo, que beneficiará cerca de 900 famílias, é desenvolvido por estudantes quilombolas da UFSM com o apoio de lideranças locais e do Núcleo de Extensão e Pesquisa em Territorialidade, Extensão Rural e Reforma Agrária da UFSM (NEP Terra).

Projeto inovador: equipe quilombola para o cadastramento das famílias quilombolas
Pela primeira vez, todo o projeto de cadastramento das famílias quilombolas da região Centro-Norte está sendo coordenado pelo NEABI e por uma coordenadora quilombola, Ivonete Carvalho, presidenta da Associação Quilombola Vó Fermina e Vó Maria Eulina de Restinga Sêca/RS e graduanda do curso de Geografia Bacharelado da UFSM.
Além disso, o trabalho de campo é executado por uma equipe composta, majoritariamente, por bolsistas quilombolas vinculados à UFSM. “A cada trabalho de campo, há maior aprendizado e solidificação de um trabalho coletivo”, afirma Ivonete Carvalho.
Conclusão do cadastramento em Caçapava do Sul/RS
No dia 03 de março de 2026, a equipe concluiu o trabalho de cadastramento das famílias Quilombolas no Território de Caçapava do Sul/RS. O momento contou com um evento de encerramento e a participação na plenária das comunidades com a presença do INCRA, da gestão municipal de Igualdade Racial, representada pela geógrafa Cátia Cilene, do NEP Terra, representado pela tutora Janaína Betto, e da equipe do NEABI-UFSM.
Reparação histórica
O reconhecimento dos remanescentes de quilombos desencadeia um processo dinâmico de reelaboração de identidades, memórias coletivas e referências territoriais.
O cadastramento é um avanço na reparação histórica em relação às comunidades quilombolas e facilitará os processos de acesso a políticas públicas e créditos por parte das famílias cadastradas. Além disso, reforça o papel da universidade como agente de transformação social, histórica e cultural.
Confira imagens do trabalho de campo realizado em 2025 e 2026














