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​Comunidade de Silveira Martins cria o movimento Fica UFSM e entrega propostas à reitoria



Reitor (em pé, à esq.) recebe documento com propostas do movimento Fica UFSM

“Nós temos consciência de que é muito importante para a
comunidade que a universidade não vire as costas para a região. E nós não
faremos isso.” A afirmação é do reitor Paulo Burmann, durante reunião
realizada na terça-feira (4) na Câmara de Vereadores de Silveira Martins.
Durante a reunião, aberta à participação do público, o reitor procurou
rechaçar, com ênfase, os boatos sobre o fechamento do campus da universidade no
município. Na ocasião, Burmann também recebeu um relatório com propostas
elaboradas pelo movimento Fica UFSM, criado em setembro deste ano pela
comunidade local.

Juntamente com o vice-reitor Paulo Bayard, também presente
na reunião, o reitor expôs para a comunidade que, na defesa da continuidade do
campus de Silveira Martins, ele e sua equipe inclusive enfrentaram e resistiram
à contrariedade de representantes do Ministério da Educação.

“Nós estamos lá defendendo, com o toco da espada, e
vamos continuar defendendo. Assumimos um compromisso com a comunidade e
dissemos isso à equipe do ministério: é compromisso da universidade manter a
estrutura de Silveira Martins funcionando. Nos dêem um prazo para que a gente
apresente indicadores que justifiquem o investimento público que está sendo
feito em Silveira
Martins”, conta Burmann.

Os boatos sobre o fechamento do campus são infundados.
Entretanto, são bastante evidentes os problemas enfrentados pela Unidade
Descentralizada de Educação Superior da UFSM em Silveira Martins
(Udessm). Em funcionamento desde o segundo semestre de 2009, a unidade foi criada
com recursos do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das
Universidades Federais (Reuni). De início, foram oferecidos quatro cursos, os
de tecnologia em Gestão de Turismo, Gestão Ambiental, Agronegócio e Processos
Gerenciais, cada um com 50 vagas abertas por ano.

À época de sua criação, a unidade era a grande esperança
para o pleno desenvolvimento dos potenciais econômicos (principalmente em áreas
relacionadas ao turismo e agricultura) dos cerca de 2.500 habitantes de Silveira
Martins – e para o restante da população da Quarta Colônia. As expectativas,
porém, foram frustradas pela baixa procura de candidatos a estudar na Udessm e
também pelos altos índices de evasão dos alunos.

Prédio do Colégio Bom Conselho em 2010, antes do início das obras de restauração

Desde então, várias soluções foram tentadas para tornar a
Udessm mais atrativa para o público interessado em obter um diploma de curso
superior. Estas tentativas incluíram o ingresso via Sistema de Seleção
Unificada (Sisu), o fechamento de um curso (de Processos Gerenciais) e a sua
substituição por um bacharelado ­em Administração. Foi
criado inclusive um Bacharelado Interdisciplinar em Ciências e Humanidades,
voltado para candidatos que tenham abandonado a graduação e estejam
interessados em voltar à universidade. Atualmente, a UFSM também disponibiliza transporte
diário entre Silveira Martins e Santa Maria.

Tudo isso pouco adiantou, como atesta o atual número de alunos
da Udessm, os quais somam apenas 206 estudantes matriculados. Além disso, entre
os cursos da unidade, apenas o de Administração teve um número de candidatos
inscritos superior ao de vagas ofertadas no Vestibular 2014.

Na opinião do vice-reitor, “o que nós não podemos, em
hipótese alguma é manter da maneira que está. Nós temos um potencial de termos
aqui (em torno de) 1.500 estudantes e
nós temos 200 estudantes”.

Fica UFSM – Todas
estas frustrações não conseguiram abalar – nem na reitoria, nem na comunidade
silveirense – a confiança na viabilidade da Udessm. Foi com o objetivo de
buscar soluções para a unidade que a administração central da universidade
contratou neste ano uma consultoria da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Por seu
lado, a população de Silveira Martins também se mobilizou. Criou o movimento
Fica UFSM, que tem o apoio das principais instituições do município, entre elas
a Prefeitura, a Câmara de Vereadores e a Associação Comercial, e também de
membros da comunidade acadêmica da Udessm.

As sugestões do movimento foram apresentadas na reunião de
terça-feira por dois de seus líderes, a empresária Bianca Bergmam e o auxiliar
administrativo da Udessm Carlinhos Michelin.

Algumas das propostas apresentadas ganharam o apoio imediato
da reitoria. Entre elas está o abandono do nome Udessm. Desta forma, a mesma
não seria considerada mais como unidade, e ganharia oficialmente o estatuto de
campus. De acordo com o reitor, esta mudança é justificada principalmente do
ponto de vista administrativo, conforme o modelo implantado pela UFSM em seu
campus de Cachoeira do Sul. Burmann aliás defende também que ganhem o status de
campi separados as instalações da universidade em Frederico Westphalen
e Palmeira das Missões.

O movimento Fica UFSM sugere também a manutenção do curso de
Administração. Entretanto, propõe que o mesmo deixe de ser diurno e passe a
funcionar à noite, para possibilitar que também possam frequentá-lo as pessoas
que trabalham durante o dia. Ainda com relação aos cursos, outra proposta do
movimento é a criação, em
Silveira Martins, de dois bacharelados: em Direito e em Ciências Contábeis,
ambos noturnos.

Movimento Fica UFSM distribuiu cartazes pela cidade

Quanto a esta sugestão, Burmann deixou claro que a criação
de novos cursos, por ser algo bastante complexo, não depende apenas da vontade
da reitoria, levando-se em conta ainda a difícil situação econômica em que o país
se encontra atualmente.

“Qual é a maior dificuldade de se criar um curso hoje,
tendo definidas as questões pedagógicas, as vocações das comunidades e as
necessidades que têm as comunidades? Não é o investimento em infraestrutura. Esse
não é o maior problema, porque esse é feito quase que de uma vez só. A despesa
maior que qualquer governo não permite fazer com facilidade é com pessoal.
Porque essa é uma despesa permanente”, pondera o reitor.

Com relação ao uso do espaço físico, uma das conclusões da
consultoria da FGV foi endossada pelo Fica UFSM. O movimento propõe que o prédio
do antigo Colégio Bom Conselho seja transformado em um centro cultural,
proporcionando à população regional atividades relacionadas ao turismo, música
e artes em geral. Erguido
em 1908, o edifício é um ícone arquitetônico da cidade de Silveira Martins e de
toda a região da Quarta Colônia. Cedido pelo município à universidade, o prédio
encontra-se desde 2011 em obras de reforma e restauração.

O movimento da comunidade silveirense vai além. Sugere que o
prédio receba durante o dia atividades referentes ao ensino a distância e à pós-graduação.
Também propõe que lá seja criado um restaurante universitário e que se instale
uma casa do estudante em um prédio que poderia ser cedido provisoriamente pelo município
para a universidade. Quanto aos cursos tecnólogos, sugere que sejam
transferidos para o campus de Santa Maria aqueles não tiverem viabilidade na
Udessm.

No que se refere à moradia e ao restaurante universitário, o
vice-reitor considera que a implantação destas estruturas beneficiaria os
alunos de baixa renda que estudam na Udessm, mas não seriam a solução para
atrair e fixar alunos em
Silveira Martins. Neste sentido, ele citou
o exemplo do campus de Cachoeira do Sul, que vem obtendo sucesso na fixação dos
seus estudantes naquela cidade, mesmo que apenas sete deles morem na casa do
estudante lá instalada em caráter provisório.

“Casa do estudante é a solução para aquelas pessoas que
são vulneráveis socialmente e que não tem como se manter em uma universidade”,
disse Bayard.

Com o intuito de que a estrutura do campus de Silveira
Martins seja mais bem aproveitada em benefício da comunidade local, o movimento
fica UFSM propõe que os cursos do campus, bem como a empresa Gerencial Jr. (criada
no âmbito do curso de Processos Gerenciais), realizem projetos em conjunto com
as principais instituição do município, como a Prefeitura – em especial com a
Secretaria de Turismo – e a Associação Comercial. Outra reivindicação do
movimento é que um membro da comunidade faça parte do conselho da Udessm.

Reitor discursa na Câmara de Vereadores de Silveira Martins

Decisão pelo diálogo
Embora reconheça a importância da universidade para a população de
Silveira Martins, e vice-versa, Burmann fez um alerta contra um pensamento
bastante disseminado, de que a UFSM seria uma espécie de “salvação”
para o município e a região da Quarta Colônia:

“Só vou me permitir descordar de um ponto deste
relatório que li muito rapidamente aqui: o sentimento de que a universidade é a
salvação para Silveira Martins, para a região, para a Quarta Colônia e para
todos os municípios do porte de Silveira Martins. Não é. Nós, como
universidade, somos um elemento a mais – importante, é verdade. Porque nós
sabemos das potencialidades que estão em cada um dos senhores e das senhoras. A
universidade pode ser um elemento catalisador dessas potencialidades, mas a
universidade por si só não resolve.”

Burmann e Bayard deixaram claro que o destino do campus de
Silveira Martins será decidido por meio do diálogo com a comunidade. Quanto às
sugestões apresentadas (tanto pela FGV quanto pelo movimento Fica UFSM), e
outras que possam vir a ser propostas, o reitor fez um outro alerta,
referindo-se a soluções que só dariam resultados no longo prazo:

“O que nós precisamos estudar para Silveira Martins é
uma solução imediata, sob pena de no ano que vem nós não termos indicadores que
proporcionem uma leitura agradável por parte das autoridades que vão dizer se
sim ou se não. É simples. Não é a universidade que vai dizer sim ou não para
Silveira Martins.”

Texto e fotos: Lucas Casali

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