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Grupo da UFSM contribui em livro sobre a utilização de plantas medicinais em comunidades rurais

Pesquisadoras do Campus de Palmeira das Missões escreveram artigo no e-book, que pode ser acessado gratuitamente



A docente do Departamento de Zootecnia e Ciências Biológicas da UFSM Palmeira das Missões, professora Tanea Maria Bisognin Garlet, juntamente com as acadêmicas Pollyana Stefanello Gandin, Paola Naiara Conti, Tainara Giovana Chaves de Vargas e a enfermeira da Secretaria Municipal de Saúde de Palmeira das Missões Queli Daiane Sartori Nogueira, participaram como autoras do livro Tópicos Especiais em Plantas Medicinais.

Para que as plantas medicinais sejam utilizadas de modo eficaz e seguro, o livro relata a importância da realização de pesquisas que visem conhecer, caracterizar, conservar e manipular esses vegetais e suas biomoléculas de forma adequada. A partir desse objetivo, o e-book traz trabalhos que abordam diferentes temáticas dentro da pesquisa com plantas medicinais e que contribuem para a construção do conhecimento sobre esses vegetais e auxiliam no uso acertado desta riqueza natural.

Uma dessas pesquisas é o artigo “Utilização de plantas medicinais em comunidades rurais de Palmeira das Missões, RS” (páginas 87 a 108), escrito pela equipe de pesquisadoras da UFSM-PM e pela enfermeira da Secretaria de Saúde do município. De acordo com Tanea Maria Bisognin Garlet, a utilização de plantas com fins terapêuticos tem a sua origem no conhecimento e na medicina tradicional, sendo a fitoterapia, uma modalidade de terapia integrativa e complementar caracterizada pelo emprego das plantas medicinais em suas diversas preparações.

Conforme a docente, no Brasil, existem duas políticas nacionais, criadas em 2006, que estimulam a valorização das plantas medicinais nos cuidados primários com a saúde e sua inserção na rede pública: a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), que institucionalizou o uso de plantas medicinais no Sistema Único de Saúde (SUS), sobretudo na Atenção Primária à Saúde (APS); e a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF), que garante à população brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos.

Conforme as autoras, a inserção das plantas medicinais e da fitoterapia nas Estratégias de Saúde da Família (ESF) promove a interação de saberes, parcerias nos cuidados com a saúde, ações de promoção e prevenção, bem como o desenvolvimento de atividades de educação em saúde nas escolas (Programa Saúde na Escola, PSE). Segundo as pesquisadoras, outra vantagem é a grande diversidade vegetal no Brasil e o baixo custo associado à terapêutica diante das necessidades de cuidado com a saúde.

“O uso das plantas pode ser estimulado a qualquer população, tanto no ambiente rural quanto no urbano. No entanto, o cenário rural compreende um território cuja população, muitas vezes, pelas distâncias geográficas tem dificuldade em acessar serviços essenciais, dentre eles, os serviços de saúde e de educação. Deste modo, a utilização de plantas para fins medicinais pode se tornar mais comum, já que esta população tem contato com a diversidade da flora do local onde reside e geralmente possui espaço para o seu cultivo”, explicam.

O conhecimento popular pode fornecer dados importantes para pesquisas acadêmicas associadas às propriedades terapêuticas das plantas, além do que, estudos como esses, são fundamentais para registro, análise e preservação desses saberes. Dessa forma, o estudo realizado pelo grupo teve como objetivo investigar a utilização de plantas medicinais nos cuidados com a saúde em comunidades rurais do município de Palmeira das Missões.

A pesquisa foi realizada na região de abrangência da Estratégia de Saúde Rural (ESF Rural) de Palmeira das Missões, por meio de questionários que foram repassados a professores de quatro escolas rurais de ensino fundamental, juntamente com atividades semanais da escola, sendo enviados aos alunos, para que esses entrevistassem um familiar ou vizinho com idade superior a 18 anos. A partir dos dados, as pesquisadoras avaliaram o conhecimento dos entrevistados sobre a utilização de plantas medicinais. Foram entrevistadas 88 pessoas, com idade entre 18 e 79 anos.

As espécies foram listadas na ordem decrescente de citação, pelo nome científico, família, nome popular, frequência de utilização, usos referidos pelos informantes e indicações conforme Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, ANVISA e literatura específica. Foram relatadas 52 espécies de plantas, sendo as mais citadas: marcela (Achyrocline satureioides), camomila (Matricaria chamomilla) e gengibre (Zingiber officinale). Um dos resultados da pesquisa apontou que essas são plantas consideradas seguras; no entanto, pessoas que apresentam episódios de hipoglicemia devem usar a marcela com precaução, pois pode potencializar o efeito da insulina, além de barbitúricos e outros sedativos.

Já para a camomila há relato de que podem ocorrer reações alérgicas na pele pelo uso repetido da planta e o aparecimento de náuseas, excitação nervosa e insônia em caso de superdosagem. O gengibre possui eficácia contra enjoos, náuseas e vômito. Porém, deve-se evitar seu uso em pacientes com desordens de coagulação e cálculos biliares, já que pode provocar irritação gástrica e hipertensão, especialmente em doses altas.

As autoras ressaltam no artigo que o uso de plantas medicinais é um método terapêutico que traz benefícios à saúde, mas que pode apresentar riscos se utilizado inadequadamente, quando não há o devido conhecimento sobre a planta, suas indicações, posologia e interações. Por isso, defendem a importância dos profissionais da saúde em terem conhecimento sobre as plantas medicinais utilizadas no seu território de atuação para poderem orientar os usuários para que essa prática ocorra de forma benéfica e segura.

“A partir desse estudo é possível auxiliar na seleção de plantas com potencial terapêutico para recomendação nas Unidades Básicas de Saúde do município de Palmeira das Missões. Além disso, são necessárias ações educativas para esclarecimento sobre o emprego adequado de cada espécie medicinal, tanto com a comunidade quanto com os profissionais que atendem as demandas dessa população”, finaliza Garlet.

Fonte: Assessoria de Comunicação UFSM-PM

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