Duas mestrandas do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFSM estão realizando exposições individuais, ambas sob a orientação da professora Karine Gomes Perez Vieira. Aberta desde o dia 23 de abril, a mostra intitulada “(Ana)cronismos: entre afetos e subjetivações”, de Ana Julia Dotto Guaragni, pode ser visitada até esta sexta-feira (8), das 9h30min às 13h30min e das 14h30min às 17h, na Sala Cláudio Carriconde, localizada no Centro de Artes e Letras (CAL) – prédio 40 do campus sede. “Jardins (Im)permanentes” é o título da exposição de Francine Furlan, que foi aberta nesta quarta-feira (6) no Jardim Botânico da UFSM, com previsão de encerramento para o dia 30 de junho. Pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, e também nos finais de semana, das 14h às 18h.

“(Ana)cronismos: entre afetos e subjetivações”
A exposição reúne 24 telas com pinturas e colagens de autoria de Ana Guaragni, além da projeção de um vídeo com registros de seu processo artístico e uma interferência no chão da sala com tecidos e fotografias que deram origem às telas.
De acordo com a professora Karine Perez, a mostra “constitui-se de pinturas-colagens, criadas a partir de diários visuais da artista Ana Julia Dotto Guaragni. Nelas é proposto um entrelaçamento entre imagens, objetos e fragmentos de diferentes temporalidades, que remetem ao conceito de anacronismo, embasado no filósofo, historiador e crítico de arte francês, professor Georges Didi-Huberman. Esse conceito, assim como o processo de Ana, envolve entrecruzamentos de imagens que misturam elementos de tempos distintos, como se fossem uma montagem. Nesse sentido, ao juntar fragmentos de variados instantes, em composições que emaranham tempos e experiências vividas, Ana Julia articula imagens da sua infância ao presente, bem como objetos do cotidiano e registros íntimos, os quais passam a coexistir nas composições”.

“Jardins (Im)permanentes”
A mostra de Francine Furlan reúne 19 telas pintadas e 20 exsicatas (plantas dessecadas e prensadas). O processo da artista, na visão da professora Karine Perez, “incorpora ações como caminhar, observar ciclos, coletar, compor e catalogar espécies vegetais encontradas no cotidiano, mais especificamente as chamadas plantas daninhas, consideradas muito comuns ou indesejadas, por não serem ornamentais. Nesta exposição, são apresentadas duas séries: a primeira, intitulada ‘Jardim Pictórico’, parte do contato direto e momentâneo entre matéria vegetal, tinta e suporte, resultando em monotipias que registram o vestígio de uma presença que não está mais ali, evidenciando a (im)permanência como parte constitutiva da imagem, já que as impressões são recortadas e reorganizadas em novas composições, visando capturar vestígios da permanência daquilo que é essencialmente mutável, na tentativa de tornar duradouro um instante da natureza. Já a segunda série, denominada ‘Herbário Infraordinário’, é composta da montagem de exsicatas, com técnicas de coleta vegetal e preservação de fragmentos do corpo vegetal, mediante desidratação e prensagem, acrescentando nomes corriqueiros das plantas, para desvinculá-las de suas terminologias científicas”.