
A professora Carmen Vieira Mathias, do Departamento de Matemática da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), participou, entre os dias 2 e 17 de maio, de um intercâmbio pedagógico e cultural na China, atuando como uma das responsáveis pela organização e logística da delegação brasileira formada por professores medalhistas da Olimpíada de Professores de Matemática do Brasil (OPMBR).
Além das atividades desenvolvidas na UFSM, Carmen exerce a função de vice-coordenadora nacional do Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (Profmat), programa gerido pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). A atuação no programa possibilitou sua participação na organização da OPMBR, iniciativa que reconhece e premia professores de Matemática de todo o país pelas práticas pedagógicas desenvolvidas em suas escolas e comunidades.
Internacionalização
A missão internacional reuniu 19 professores medalhistas de ouro da olimpíada, oriundos de diferentes regiões do Brasil, reconhecidos pelo trabalho desenvolvido na educação básica. O intercâmbio teve como principal base a cidade de Xangai, onde a delegação participou de uma programação organizada pelo Centro UNESCO-TEC para Formação de Professores, instituição vinculada à UNESCO e reconhecida internacionalmente pelas pesquisas e práticas voltadas à educação e ao desenvolvimento docente.
Durante a estadia, os participantes realizaram visitas e atividades acadêmicas em diferentes instituições de ensino chinesas, incluindo a Fudan University, uma das universidades mais prestigiadas do país, além de escolas de referência em Xangai. Os professores brasileiros acompanharam aulas, conheceram metodologias de ensino, participaram de discussões pedagógicas e também apresentaram práticas desenvolvidas no Brasil, promovendo trocas de experiências entre educadores dos dois países.
Um dos principais focos do intercâmbio foi o estudo do Teaching Research Group System, modelo chinês voltado à formação continuada e ao trabalho colaborativo entre professores. O sistema prioriza o planejamento coletivo de aulas, a observação entre pares e a revisão constante das práticas pedagógicas, buscando soluções conjuntas para desafios relacionados à aprendizagem dos estudantes.
A programação também incluiu seminários sobre políticas educacionais em Xangai, momentos de reflexão coletiva e atividades conduzidas pelos próprios professores brasileiros nas escolas chinesas. Na segunda etapa da missão, realizada em Pequim, a delegação participou de atividades culturais e visitas a marcos históricos do país, ampliando as experiências de intercâmbio acadêmico e cultural.
Segundo Carmen, a experiência contribuiu para ampliar perspectivas sobre formação docente e inovação pedagógica, além de fortalecer redes de colaboração internacional entre educadores brasileiros e chineses. Entre os principais aprendizados, destacam-se a valorização da carreira docente, o investimento em formação continuada e o planejamento colaborativo como estratégia para qualificar o ensino.
Nos próximos meses, os professores participantes do intercâmbio também estarão envolvidos nas ações do programa nacional Compromisso Toda Matemática, política pública voltada ao fortalecimento da aprendizagem de Matemática na educação básica.
Nesse cenário, as experiências e os conhecimentos compartilhados durante a missão internacional poderão contribuir para debates e ações formativas relacionadas à formação continuada de professores, acompanhamento pedagógico e práticas inovadoras de ensino. “A experiência vivenciada na China torna-se ainda mais relevante porque possibilita trazer ao debate educacional brasileiro reflexões sobre formação continuada de professores, planejamento colaborativo, acompanhamento pedagógico e práticas inovadoras de ensino. Muitas das práticas observadas durante o intercâmbio podem inspirar ações no contexto brasileiro, especialmente no fortalecimento do trabalho coletivo entre professores, na criação de espaços permanentes de estudo pedagógico e na ampliação de estratégias que promovam maior protagonismo dos estudantes no processo de aprendizagem. Os conhecimentos e experiências compartilhados durante o intercâmbio poderão contribuir diretamente para as discussões e ações formativas desenvolvidas no âmbito dessa política nacional, fortalecendo o compromisso coletivo com uma educação matemática mais inclusiva, significativa e transformadora”, avalia a docente.