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UFSM aposta em projeto de biodiesel e mobilidade



Mestrando Fantinel e professor Nogueira

Um projeto de produção de biodiesel a partir da utilização
de resíduos de gordura vegetal está a pleno vapor na UFSM. O combustível ecologicamente
correto deverá, em breve, ser utilizado na mobilidade no campus.

O projeto foi pensado pelo professor do Colégio Politécnico
Cícero Nogueira, e mais tarde foi agregando mais interessados, como o mestrando
em Engenharia de Produção Antônio Luiz Fantinel, que hoje trabalha sobre a
questão econômica de produção desse biodiesel em sua dissertação de mestrado,
sob orientação do professor Sérgio Jahn.

O projeto teve início no final de 2013, e por causa do
projeto que Nogueira e Fantinel escreveram, foi disponibilizada aos
pesquisadores a miniusina na qual trabalham desde janeiro de 2014.

Inicialmente, o objetivo era aproveitar os resíduos de óleo
vegetal de cozinha gerados pelo Restaurante Universitário (RU), pelas 11
lancherias do campus e pelo restaurante do Husm, a fim de evitar que esse óleo fosse para a rede de
esgoto e contaminasse a água. Depois, o projeto se encaminhou para o abastecimento
dos ônibus que fazem o transporte interno da UFSM.

O principal foco era a questão ambiental, mas como surgiu
essa alternativa, eles decidiram por fazer um segundo projeto, onde inseriram a
mobilidade interna da universidade como foco. A ideia já foi aprovada pela
Reitoria e deverá ser implantada em breve.

Na camionete que os idealizadores usam há dois anos somente
com biodiesel, o consumo se assemelha muito ao do diesel comum, em torno de
12 km/litro de combustível. A diferença está na emissão de poluentes – o
biodiesel é muito mais limpo que o diesel convencional. Já a questão econômica da
produção do biodiesel a partir de óleo de cozinha está sendo abordada por
Fantinel em sua dissertação de mestrado.

Resíduos coletados

O que faz com que o valor da produção do biodiesel e de outros
projetos sustentáveis diminua de valor é a maior produção. Segundo Nogueira,
quanto mais se produz, mais barato fica.

Inclusive eles têm uma ideia, já aprovada, de usar uma usina
semi-industrial, como a de álcool já existente, para tornar a produção mais
barata, além de sustentável. Nogueira afirma, porém, que o mais caro no
processo é a mão de obra, pois precisa de pessoas para recolher o óleo, para
operar a usina, entre outras funções, e também os produtos secundários usados
em todo o processo de produção do biodiesel.

Além do professor Cícero Nogueira e do mestrando Antônio
Fantinel, a equipe conta com mais dois bolsistas, cedidos pelo próprio Nogueira
e pelo professor Sérgio Jahn. Fantinel conta que há muita procura por parte de
graduandos dos cursos de Engenharia Química, Processos Químicos, Química
Industrial, entre outros, mas enquanto o projeto não receber a usina semi-industrial,
será impossível receber mais interessados.

O maior problema que o projeto tem atualmente é de não
conseguir utilizar toda a oferta de gordura vegetal recebida. Por mês,
aproximadamente, o RU disponibiliza 600 litros de óleo, as 11 lancherias dão de 80 a 90 litros e o restaurante
do Husm oferta 250 litros.
Como a miniusina não dá vencimento para toda essa matéria-prima, os
pesquisadores acabam estocando, mas com a usina semi-industrial isso não seria
necessário. Todo óleo viraria biodiesel e abasteceria os ônibus e até outros
veículos da UFSM.

Sobre o projeto, Fantinel declara: “Não vamos salvar o
mundo, mas vamos tentar diminuir um pouco o impacto do óleo que vai para os
rios”. E o professor Nogueira complementa: “Quando a gente começa a trabalhar
com a questão da sustentabilidade, o peso maior tem que ser a
sustentabilidade”.

Como é o processo de produção:

Local de produção do biodiesel

Resumidamente, o processo consiste em coletar o óleo de
cozinha – cada restaurante e lancheria recolhe os seus resíduos, coloca em
garrafas pet e galões e deposita em locais determinados. Depois de recolhido, estes
resíduos são filtrados a fim de tirar o máximo de resíduos sólidos possível.
Depois, o produto vai para um tambor, onde posteriormente é misturado metanol e
soda cáustica para realização da transesterificação, para fazer a remoção da
glicerina do óleo, transformando em biodiesel (misturando durante 45 minutos a 60°C).

Desliga-se a miniusina e espera-se de duas a três horas para
que a glicerina se separe por decantação e seja retirada do tabor. Posteriormente, são
feitas três lavagens, com a água aquecida a mais ou menos 70ºC, utilizando em torno de
15% em volume de água.

Ao final, o biodiesel lavado é posto em outro local, onde é
fervido entre 105°C
a 110°C, 
a fim de fazer evaporar a água e o metanol restantes do
processo. Após deixar esfriar e filtrar novamente, o biodiesel está pronto.

O processo é considerado simples, prático e artesanal. Os
maiores problemas são o custo do material e o uso de muita água.

Texto e fotos: Sabrina Cáceres – acadêmica de Jornalismo, bolsista da
Agência de Notícias

Processo de produção

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