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Capacitação na UFSM debate uso de bioinsumos pela agricultura familiar 

Atividade promoveu troca de experiências sobre produção sustentável, controle biológico e diminuição da dependência de agrotóxicos



Foto colorida horizontal. Um homem fala ao microfone em um auditório durante palestra sobre bioinsumos. À esquerda há bandeiras e um púlpito com a identidade visual da Rede Bio. Ao centro e mais acima, um telão exibe um cartaz do evento com informações já apresentadas no texto. Na parte inferior, uma plateia sentada acompanha a atividade.
Palestra sobre o papel dos bioinsumos na transição agroecológica reuniu participantes no auditório do Colégio Politécnico

Cerca de 50 agricultores participaram, na tarde da última sexta-feira (8), da capacitação “O papel dos bioinsumos na transição agroecológica”, realizada no auditório do Colégio Politécnico da UFSM. O encontro reuniu produtores rurais, pesquisadores, estudantes e representantes de instituições ligadas ao setor para discutir alternativas sustentáveis de cultivo, com foco no uso de insumos biológicos e na multiplicação de microrganismos.

Promovida pela Rede Bioinsumos, em parceria com a Universidade Federal do Pampa (Unipampa), o programa de Pós-Graduação (PPG) em Extensão Rural da UFSM e o Colégio Politécnico, a atividade integrou uma série de ações voltadas ao fortalecimento da agroecologia e da autonomia dos agricultores na fabricação de seus próprios recursos biológicos.

Bioinsumos são produtos desenvolvidos a partir de organismos vivos ou de seus derivados. Entre eles estão microrganismos como bactérias e fungos, além de substâncias naturais como extratos vegetais. Esses insumos atuam diretamente no solo e nas plantas, ao contribuir para o desenvolvimento da lavoura e reduzir os impactos ambientais causados por defensivos químicos.

Para o organizador Marcos Botton Piccin, docente do PPG em Extensão Rural, a proposta da capacitação é incentivar que agricultores retomem o controle de processos produtivos que, ao longo das últimas décadas, passaram a depender somente da indústria. 

Conforme o professor, a modernização do campo fez com que conhecimentos tradicionalmente dominados pelos produtores fossem substituídos pela compra de insumos externos. “A grande questão é que os agricultores passem a controlar um processo biológico dentro da unidade produtiva e não dependam do mercado para adquirir esses produtos”, afirmou. Além da redução de custos, Piccin destacou benefícios relacionados à saúde e ao ecossistema, visto que sistemas de base biológica reduzem a exposição a tóxicos e diminuem os riscos de contaminação do solo e da água.

A programação contou ainda com a participação do assessor técnico da Rede Bioinsumos, Maurício Piccin, responsável pela capacitação. Veterinário e integrante do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), Maurício explicou que o projeto prevê a implementação de unidades de fabricação em organizações da agricultura familiar. Segundo ele, a iniciativa busca estimular a migração de sistemas convencionais para modelos orgânicos. “Os bioinsumos são uma ferramenta para fazer essa transição”, destacou.

Foto colorida vertical. Uma pessoa segura uma cartilha sobre produção de bioinsumos para agricultura familiar. À esquerda aparece parte do corredor do auditório. À direita há poltronas e materiais do evento encobertos pela cartilha.
Cartilha sobre boas práticas para produção de bioinsumos foi distribuída aos participantes do encontro.

Agricultores da região buscam capacitação

A busca por conhecimento levou a agricultora Fátima Leal da Silva ao campus da UFSM. Segundo ela, práticas sustentáveis já fazem parte da rotina em seu sítio, com o reaproveitamento de resíduos para a produção de adubo. A produtora afirma que pretende, futuramente, elaborar os próprios insumos biológicos em casa. 

Fátima participou da capacitação acompanhada do colega da Biofeira de Itaara, o agricultor André Haddad, que procurou o evento para aprender formas alternativas de manejo e baratear os processos no estabelecimento rural. Atualmente, parte do que é utilizado na plantação ainda vem de fornecedores externos. “O que a gente busca aqui é produzir o próprio material, também para diminuir o custo”, disse. De acordo com o agricultor, o uso de químicos em suas terras já é reduzido.“Nós usamos praticamente zero químicos na produção,” revelou. 

Foto colorida horizontal. Uma agricultora e um agricultor, que posam para a câmera durante evento da Rede Bio. À esquerda está um banner da Unipampa. À direita há um painel verde da Rede Bio. Ambos usam roupas casuais.
Agricultores participaram das atividades da Rede Bio voltadas à troca de experiências e práticas sustentáveis na agricultura familiar.

Parceria com Unipampa

O evento também contou com a parceria da Universidade Federal do Pampa, responsável pela coordenação da RedeBio na região Sul do país. De acordo com o diretor do campus Itaqui da instituição, José Carlos Severo, a proposta da rede é capacitar produtores, realizar análises técnicas e criar unidades produtivas desses insumos.

A formação é dividida em duas etapas. A primeira, realizada na UFSM, teve como foco a introdução do que são bioinsumos e como utilizá-los. Já a segunda etapa, prevista para junho, será voltada à capacitação prática de agricultores que irão atuar diretamente nas unidades de produção que serão instaladas no Estado.

Encontre mais informações sobre o evento no instagram @bioinsumos_unipampa_mda 

Texto: João Victor Souza, estudante de jornalismo e estagiário na Agência de Notícias. 

Fotos: Mathias Ilnicki, estudante de jornalismo e bolsista na Agência de Notícias

Edição: Maurício Dias, jornalista

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