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Santa Maria corre pela proteção dos animais 

A segunda Corrida da Causa Animal reuniu pessoas e pets na UFSM, que correram em busca de cuidado com os animais



foto colorida horizontal de um grupo de corredores lado a lado na partida da corrida, tendo plátanos iluminados pelo sol ao fundo
A largada foi no início da manhã, no Planetário, e reuniu cerca de 600 inscritos

O último domingo (24) não foi comum para Guto. Ele teve que acordar cedo e pegar uma carona até o Largo do Planetário, na Universidade Federal de Santa Maria. Apesar de não ser o maior fã de acordar cedo em um domingo, Guto estava indo para uma corrida com propósito, estava correndo pela causa animal. Mas, além disso, Guto é um cachorro e está em busca de um tutor. Participar da corrida foi o jeito que Camilly Campelo, voluntária do Patas Amigas, encontrou para incentivar a doação dele. “Ele foi resgatado e está para adoção há alguns meses. Ele é muito mimoso, é excepcional e hoje eu vim fazer uma caminhada com ele”, contou Camilly. 

A segunda Corrida da Causa Animal de Santa Maria teve início às 8h do dia 24 de maio e contou com, aproximadamente, 600 inscritos. O professor Luiz Fernando Cuozzo foi um dos organizadores do evento e falou sobre a importância de ações como a corrida para apoiar a causa animal. “O evento transcende só pensar na saúde e só fazer o movimento. Nós temos o propósito de pensar sobre a causa animal, ter uma guarda responsável, não é só ter seu pet, é olhar o todo”, disse. Os inscritos puderam realizar dois percursos: uma corrida de 5 quilômetros, que ia até a entrada da UFSM no Pains, ou uma caminhada de 2 quilômetros, que poderia ser feita com os pets. 

Parte do valor das inscrições foi doado ao Zelo, projeto de extensão voltado à proteção dos animais no campus. Fabiana Stecca, coordenadora do projeto, esteve presente no evento e expressou sua empolgação com a corrida. “Sucesso total, que todo mundo consiga fazer o seu percurso e que no final a gente tenha muita união para a causa animal”, relatou. A banca do Zelo oferecia bandanas, roupinhas, calendários, chaveiros e bottons do Silveira para ajudar com as despesas de resgates. 

O Largo do Planetário foi um momento de encontro entre cães e tutores, que estavam animados para se movimentarem. Danielle Fontoura levou Zeus, que chegou a sua família após seu casamento, e do Dunga, cachorro resgatado durante as enchentes de maio de 2024 em Restinga Seca, para a corrida. “A gente sempre tenta ajudar como pode, resgatar. Eu trouxe eles, porque são os mais sociáveis. Tenho oito cachorros”, completou Danielle. 

Claudia Descovi é tutora do Tite, e decidiu participar da caminhada para incentivar outras pessoas a participar da causa. Após finalizar o trajeto, se sentiu feliz. “Eu estava um pouco ansiosa, porque ele não é muito acostumado a estar perto de outros cachorros, e ele se comportou super bem, ele adorou”, disse. Tite chegou na vida de Claudia através de adoção. “Ele era o cachorrinho mais pequeno da ninhada, hoje ele é maior do que os irmãos dele”, relembrou. 

A realidade alarmante

Segundo a Agência Brasil, cerca de 30 milhões de animais domésticos foram abandonados no país em 2025. Ainda, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os registros de maus-tratos aumentaram 1.400% desde 2021. Ao mesmo tempo, a exportação de bois e vacas dentro de navios, em meio às fezes e com pouco espaço dobrou desde 2023, de acordo com o Ministério da Agricultura. Os dados mostram uma realidade alarmante, de violência aos animais não humanos. 

Luiz Fernando Cuozzo afirma que a corrida foi desenvolvida para defender todos os animai. “Falar da causa animal é pensar no todo, pensar no ser vivo”, afirmou. 

Confira mais imagens da corrida:

Texto: Jessica Mocellin, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias 
Fotos: Mathias Ilnicki, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

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