
A centésima operação do Projeto Rondon, denominada Operação Carimbó, foi realizada no Pará de 6 a 25 de julho, contando com a participação de uma equipe UFSM, designada para atuar no município de Novo Repartimento. A instituição integrou a missão com uma equipe formada pelos professores Silvana Bastos Cogo, do Departamento de Enfermagem, e Clóvis Paniz, do curso de Farmácia, além de oito estudantes de diferentes cursos de graduação. A preparação para a atividade começou em 2025, após a aprovação da proposta da universidade, e envolveu meses de capacitação antes da chegada da equipe ao Pará.
Entre 7 e 11 de julho, os participantes realizaram treinamentos no 52º Batalhão de Infantaria de Selva e, posteriormente, seguiram para Novo Repartimento, onde desenvolveram 48 oficinas nas áreas de saúde, educação, cultura, direitos humanos e justiça. As ações beneficiaram 2.453 pessoas e resultaram na emissão de 1.973 certificados.
Coordenado pelo Ministério da Defesa, o Projeto Rondon reúne universitários de diferentes instituições do Brasil em ações extensionistas voltadas à promoção da cidadania e ao desenvolvimento local, especialmente em municípios do interior do país. “Foram dias de convivência intensa, trabalho em equipe, desafios, mudanças de planos e contato com uma realidade muito diferente daquela a que estamos habituados”, afirma Clóvis Paniz.
Para a professora Silvana Cogo, a participação da UFSM alcançou os objetivos propostos. “Acreditamos que contribuímos de forma positiva com a comunidade e, ao mesmo tempo, proporcionamos uma formação diferenciada aos rondonistas”, ressalta.
Saúde em diálogo com a comunidade
As ações na área da saúde concentraram parte da programação da equipe da UFSM em Novo Repartimento. A partir das demandas apresentadas pelo município, os rondonistas realizaram oficinas e capacitações para profissionais da atenção primária à saúde, agentes comunitários, agentes de combate às endemias, trabalhadores da educação e moradores. Os encontros abordaram temas como primeiros socorros, hanseníase, saúde mental, curativos e feridas, saúde da mulher, saúde da pessoa idosa, cuidado com crianças e adolescentes, além de higiene e manipulação de alimentos.
Entre os momentos mais marcantes da operação, a estudante de Enfermagem Raila Oliveira destaca a dinâmica “Mural das Experiências”, que reuniu agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias para compartilhar vivências sobre o trabalho desenvolvido no município. “Foi um momento de muita escuta, aprendizado e troca de experiências”, afirma. Para a acadêmica, a atividade evidenciou o comprometimento das equipes locais com o cuidado à população.

A estudante de Medicina Alessandra da Rosa avalia que a principal contribuição da equipe esteve na adaptação do conhecimento acadêmico às necessidades da população. “Transformar informações clínicas em algo que uma agente comunitária de saúde, uma merendeira ou uma senhora conseguissem aplicar no dia seguinte foi o que realmente fez diferença”, afirma. A experiência também ampliou sua compreensão sobre a saúde pública. “Fomos até lá para ensinar e voltamos aprendendo”, conclui.
Estudante de Enfermagem, Anna Luiza Tochetto integrou o eixo de direito durante a operação. A experiência exigiu que estudasse temas fora de sua área de formação e participasse de oficinas sobre cidadania e garantia de direitos. “Foi necessário sair da minha zona de conforto, buscar novos conhecimentos e aprender constantemente durante toda a operação”, relata.
Direitos, cultura e educação no território
As ações nos eixos de cultura, educação, direitos humanos e justiça ampliaram a programação da equipe da UFSM em Novo Repartimento. As oficinas abordaram temas como acesso à justiça, Estatuto da Criança e do Adolescente, mediação de conflitos, metodologias ativas e inteligência artificial na educação, além de formação de agentes culturais, cine-debates, oficinas de artesanato, música, dança e rodas de conversa voltadas à valorização da cultura local e ao fortalecimento da cidadania. Estudantes dos cursos de História, Direito, Pedagogia e Letras participaram da organização e da condução das atividades.
Integrante do eixo de cultura, o estudante de História Wilian de Oliveira destaca que a operação proporcionou contato direto com a memória e a identidade de Novo Repartimento. Segundo ele, conhecer a história do município e compreender sua relação com os povos indígenas ampliou sua percepção sobre a realidade local. “Retorno da operação mais consciente do papel que a universidade pode exercer junto à sociedade e mais motivado a continuar desenvolvendo ações que aproximem o conhecimento acadêmico das necessidades da população”, afirma.
A estudante de Direito Maria Fernanda Feldmann participou da elaboração e da condução de oficinas sobre acesso à justiça, fortalecimento da rede de proteção, prevenção às diferentes formas de violência e garantia de direitos, destinadas a profissionais do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Conselho Tutelar e das áreas da educação, saúde e segurança pública. “Busquei traduzir temas que muitas vezes parecem distantes da população, mostrando como o direito pode ser um instrumento de garantia de direitos e transformação social”, afirma.

A repercussão das atividades entre os participantes foi um dos destaques da experiência. “Me emocionou perceber que muitas pessoas saíam das oficinas dizendo que finalmente compreendiam melhor seus direitos e onde buscar ajuda”, relata a estudante.
A extensão universitária na formação dos estudantes
Para o professor Clóvis Paniz, a participação no Projeto Rondon mostrou que a extensão universitária ultrapassa os limites da sala de aula ao aproximar estudantes e docentes de diferentes realidades. A convivência com a população de Novo Repartimento evidenciou, segundo ele, a importância da escuta, da troca de conhecimentos e da atuação conjunta entre diferentes áreas. “O Projeto Rondon permite aos estudantes e professores um contato mais próximo com diferentes realidades”, relata.
A atuação da UFSM na centésima operação reforça a trajetória da universidade na extensão e no diálogo com a sociedade. O docente destaca que iniciativas como essa aproximam o conhecimento acadêmico das necessidades encontradas fora dos espaços universitários. “Experiências como o Projeto Rondon fortalecem essa relação porque aproximam a universidade das demandas concretas da sociedade”, afirma.
Para a professora Silvana, o principal resultado da participação está justamente na troca construída durante a operação. “Levamos um pouco da UFSM para Novo Repartimento, mas certamente trouxemos conosco muito mais do que conseguimos levar”, destaca.
Mais informações sobre essa e outras atividades da UFSM no Projeto Rondon podem ser acessadas no Instagram, no perfil @nucleorondonufsm.
Texto: Giovanna Felkl, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: arquivos pessoais de participantes do Projeto Rondon
Edição: Lucas Casali