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Um ano de infância, afeto e acolhimento: projeto transforma o tempo de espera na PESM



Há um ano, o tempo de espera durante as visitas de familiares na Penitenciária Estadual de Santa Maria (PESM) ganhou novos significados. Entre brinquedos, pinturas, histórias, materiais que se transformam e momentos de convivência, crianças e bebês passaram a encontrar, durante a espera pelo encontro com seus pais privados de liberdade, um espaço pensado para acolher, brincar e viver a infância.

A iniciativa, idealizada pelo Observatório de Direitos Humanos (ODH), da COCID/PRE da UFSM, teve início em setembro de 2025 e, desde então, vem sendo realizada durante os momentos de visita das infâncias à penitenciária. O projeto nasceu com o propósito de ressignificar a experiência das crianças no sistema prisional, reconhecendo o brincar, a imaginação, a expressão e o afeto como dimensões fundamentais do desenvolvimento e como direitos que devem ser preservados em diferentes contextos.

No dia 26 de setembro, mais um encontro foi realizado na PESM, dando continuidade a essa trajetória. A ação contou novamente com a participação do projeto de extensão “Materiais que se Transformam em Brinquedos”, coordenado pela professora Jucemara Antunes, junto aos acadêmicos envolvidos na iniciativa, além do apoio da Superintendência dos Serviços Penitenciários (SUSEPE) e da presença da chefe do Observatório de Direitos Humanos, professora Jane Schumacher.

Ao longo desse primeiro ano, as atividades foram se tornando parte daquele momento de espera. As crianças encontram diferentes possibilidades de brincar e criar, utilizando materiais simples que podem ganhar novos significados a partir da imaginação. Blocos de madeira, canos de PVC, peças, brinquedos e outros materiais são transformados em construções, caminhos, objetos e histórias inventadas pelas próprias crianças. A pintura também ocupa um lugar especial nos encontros, permitindo experimentar cores, formas e diferentes maneiras de expressão.

Mais do que disponibilizar brinquedos, a proposta busca criar um ambiente em que as crianças possam ser protagonistas de suas próprias experiências. O espaço de espera, antes marcado principalmente pela ansiedade que antecede a visita, passa a acolher momentos de descoberta, interação e convivência. É uma mudança que acontece por meio de gestos simples, mas que produz significados importantes para quem participa.

A continuidade da ação também revela a importância da parceria entre universidade, comunidade e instituições que atuam no sistema prisional. O trabalho desenvolvido pelo ODH, em conjunto com os projetos de extensão e com o apoio da SUSEPE, possibilita que a universidade esteja presente em um espaço atravessado por diferentes desafios sociais, construindo práticas de cuidado e promoção dos direitos humanos a partir da escuta e da realidade das pessoas envolvidas.

 

Durante esse período, o projeto também passou a ser reconhecido pelas próprias famílias que participam das visitas. Na ação de setembro, mães que acompanham seus filhos durante a visita aos pais privados de liberdade lembraram a trajetória construída ao longo do último ano, evidenciando como aquele espaço de brincadeiras passou a fazer parte da experiência das famílias durante os encontros na penitenciária.

A presença das crianças e a participação das famílias dão sentido à continuidade da iniciativa. A cada encontro, o brincar deixa de ser apenas uma atividade para ocupar o tempo e passa a constituir uma forma de acolhimento, expressão e convivência. Os materiais oferecidos tornam-se possibilidades abertas à criação, enquanto as pinturas, os brinquedos e as brincadeiras ajudam a construir um ambiente no qual a infância pode se manifestar com liberdade e imaginação.

Para o Observatório de Direitos Humanos, acompanhar essa trajetória também significa reafirmar o compromisso da UFSM com a promoção dos direitos das crianças e com uma extensão universitária que esteja atenta às diferentes realidades sociais. A ação demonstra que a universidade pode contribuir para transformar espaços e experiências por meio da presença, do cuidado e da construção coletiva.

Equipe da última ação na PESM no dia 26 de setembro.

Um ano depois do primeiro encontro, a iniciativa continua mostrando que a infância não deixa de existir diante das circunstâncias que atravessam a vida das crianças. Mesmo em um espaço marcado pela espera, é possível construir momentos de brincadeira, criação, afeto e pertencimento. Assim, entre pinceis, brinquedos, histórias e materiais que ganham novas formas pelas mãos das crianças, o tempo de espera continua sendo transformado em tempo de infância.

Texto: Kelly Duarte, Bolsista de Comunicação ODH/UFSM.

Imagens: Fotos cedidas ao Acervo de Mídia do ODH/UFSM.

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