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“Em tempos de terror, morreu a poesia?”: Grupo de Estudos Cálice discute a arte como resistência na Ditadura Civil-Militar

Seminário reuniu apresentações artísticas, exibição de documentário e mesas de debate na UFSM



O dia 31 de março marca os 62 anos da instauração da Ditadura Civil-Militar no Brasil. Em alusão à data, o Grupo de Estudos Cálice, projeto de extensão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), promoveu três dias de atividades que abordaram as artes como forma de resistência durante o período. A programação iniciou na segunda-feira (30) e encerrou na quarta-feira (1º).

Arte aliada à resistência

O Cálice atua na preservação da memória sobre o regime militar, por meio de atividades que estimulam o debate sobre o período. Neste ano, na véspera dos 62 anos do golpe, o grupo propôs reflexões sobre o papel da arte em contextos de repressão.

Na segunda-feira (30), ocorreu o seminário A música como resistência na Ditadura Civil-Militar, com apresentação musical de João Neto e Bruno Sena, seguida de debate com Rejane Miranda, Pylla Kroth, João Neto e Fábio Lopes.

Já na terça-feira (31), as discussões se voltaram à literatura e ao cinema como formas de resistência. A programação incluiu a exibição do documentário A entrevista (Helena Solberg, 1966) e mesa de debates com Alexandre Maccari, Julia Lopes, Paola Schumacher e Bruna Montagner.

Teatro e memória

Peça retratou diferentes momentos de censura vividos durante períodos de repressão

O encerramento, na quarta-feira (1º), contou com a apresentação da peça O olho que tudo vê, do teatro juvenil da Escola Municipal de Artes Eduardo Trevisan (EMAET). A performance, criada por 14 estudantes adolescentes, retratou, de forma simbólica, diferentes momentos de censura vividos durante períodos de repressão.

A professora, diretora da peça e doutoranda em Educação pelo programa de Pós-graduação em Educação da UFSM, Dulce Morschbacher, explica que o objetivo foi articular elementos do passado e da atualidade. A encenação trouxe críticas em tom acessível e apresentou experiências de repressão em diferentes contextos históricos. Durante toda a performance, o personagem “O olho que tudo vê” permaneceu onipresente, silencioso e vigilante, auxiliando os militares.

Na narrativa, sob a imposição de decretos autoritários que proíbem cores, memórias e até a expressão individual, os personagens têm suas identidades apagadas em nome de uma suposta ordem coletiva. Entre o medo e a obediência, surgem gestos de resistência e fragmentos de criatividade que insistem em sobreviver. Ao confrontarem o “Olho”, os cidadãos redescobrem sua humanidade e desafiam o sistema que tenta reduzi-los ao invisível.

A peça inspira-se em obras como 1984, de George Orwell (1949), e Cadeiras proibidas, de Ignácio de Loyola Brandão (1988), configurando-se como uma alegoria sobre controle, identidade e resistência.

Após a apresentação, um debate Dulce Morschbacher e o historiador Atílio Alencar abordou a trajetória do teatro em Santa Maria. A mediação foi da historiadora e arquivista Glaucia Konrad, que destacou: “O teatro, a música e a literatura são o que mais precisamos nesses tempos”.

Conheça o Cálice

O Cálice é um grupo de estudos dedicado à Ditadura Civil-Militar e suas conexões, composto por estudantes dos cursos de História e Ciências Sociais. A coordenação é dos professores Glaucia Konrad e Diorge Konrad.

O nome do projeto faz referência à música Cálice, de Chico Buarque e Milton Nascimento, lançada em 1978 e símbolo da resistência à censura e à repressão durante o regime militar.

Segundo o professor Diorge, a escolha do nome também está ligada a uma experiência pessoal. “O nome do projeto surgiu não só pela música, mas por uma situação que eu mesmo presenciei na escola”, relata. Ele conta que, durante uma aula no ensino médio, um professor repreendeu um aluno de forma autoritária. Em resposta, Diorge começou a cantar: “Pai, afasta de mim esse cálice”, evocando a canção como forma de resistência simbólica.

Texto: Ellen Schwade, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Mathias Ilnick, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Mariana Henriques, jornalista

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