Os cursos de Dança da UFSM realizaram, nesta quarta-feira (29), uma apresentação no Centro de Convenções da Universidade, para celebrar o Dia Internacional da Dança. Organizado por docentes e estudantes do Bacharelado e da Licenciatura em Dança, o evento teve mais de 40 bailarinos, entre elenco e equipe, envolvidos na produção.
A coordenadora do Bacharelado, Tatiana Wonsik Recompenza Joseph, juntamente com o coordenador da Licenciatura, Bruno Blois Nunes, reforçaram a importância de ocupar o Centro de Convenções. O espaço, segundo eles, é referência no fazer artístico.
“Nós, dos cursos de Dança Bacharelado e Licenciatura, reconhecemos que isto se tornou possível pelo trabalho de pessoas que vieram antes de nós. Queremos manter vivos como uma tradição, para que a cada novo ano este dia tenha mais pessoas no palco e na plateia”, diz Tatiana.
Organizados em três coreografias, o curso de Dança Bacharelado trouxe uma apresentação protagonizada pelos calouros e organizada a partir de trabalhos da disciplina de Exercício Técnicos em Dança, ministrada pela professora Tatiana, com enfoque na Dança Moderna. Posteriormente, foram apresentadas duas performances derivadas dos processos criativos dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) dos formandos.
Para Daniel Aires e Flávio Campos, docentes do Bacharelado, o apoio da UFSM ao ceder o espaço e apoiar o evento, propicia que a comunidade externa acesse esse lugar e conheça mais os cursos. Daniel explica que as produções acontecem ao longo de todo ano, “um processo que nunca acaba, a gente está sempre mostrando os nossos trabalhos, levando para outros contextos de apresentação e tornando público os nossos trabalhos”.
Já a Dança Licenciatura trouxe a estréia do espetáculo “FÉstividades”, do Programa de Extensão Cultura Popular Brasileira UFSM Extensão: MOJUBÁ – Danças Populares Brasileiras. Coordenado pelo professor Jessé da Cruz, o projeto celebra a cultura nacional pela dança. Para Ana Rafaela Martins, licenciada em Dança e mestranda em Educação, este é o momento de reforçar a importância da arte e o quanto é grandioso fazer o Dia Internacional da Dança no maior palco da UFSM.
O Mojubá se reúne desde antes do início do semestre para construir o espetáculo e, agora, dá início às atividades do projeto de extensão, aberto à comunidade. Com encontros semanais às segundas-feiras, o grupo não tem idade mínima ou máxima para participar, não requer experiência prévia nem matrícula na Universidade.
Vivências dos estudantes
Yannis Leal fez sua primeira apresentação da vida no palco do Centro de Convenções, com colegas, calouros de Dança Bacharelado. Ao lado de Mavis Aparecida, elas contaram que a construção da coreografia se deu em sala de aula. Ao longo de quatro a cinco ensaios, os estudantes remontaram a performance “Mosaicos”, coordenada pela professora Tatiana, de acordo com suas realidades e possibilidades. “Querendo ou não a gente tem estilos diferentes, todo mundo vem de um lugar diferente”.
Natural de Palmeira da Missões, o calouro Wagner Gonçalves encontrou na UFSM um espaço seguro para expressar sua identidade. No Dia Internacional da Dança, ele teve a oportunidade de apresentar sua drag, Mona Lisa, ao mundo. “Quando veio essa ideia de eu fazer apresentação, eu já tive a ideia, de apresentar minha drag para o mundo, mostrar quem eu sou”.
Dia Internacional da Dança
A escolha da data faz referência ao nascimento do bailarino francês Jean-Georges Noverre e foi implementada em 1982 pelo Comitê Internacional de Dança da Unesco. “Noverre pensava que a dança, para além do simples entretenimento, e quando inserida em um contexto maior, que fizesse parte da narrativa, poderia expressar os sentimentos mais profundos”, reflete o professor Bruno.
Para ele, aquilo que é limitado pela linguagem, manifesta-se no corpo. O professor Flávio explica que essa data tem um contexto maior, “em que fala de políticas, da forma de pensar o que é esse espaço e esse espaço de produção de conhecimento, que fala de corpos e movimento e de modos de existir dentro desse espaço da cena”.
Lei da Dança
No dia 28 de abril deste ano, a Lei da Dança foi sancionada. A lei 15396/2026 regulamenta a profissão de dançarinos, coreógrafos e profissionais da dança no país. A norma estabelece critérios para o exercício da profissão e garante direitos trabalhistas e autorais aos artistas.
O professor Flávio traz a importância dessa regulamentação para outras possibilidades que estão inseridas dentro dessa noção e contexto da dança. “É significativo e importante para a gente também falar sobre esse movimento, sobre essa situação que a gente celebra hoje”.
Texto: Júlia Zucchetto, estudante de Jornalismo e estagiária da Agência de Notícias
Fotos: Sofhia Krening, estudante de Produção Editorial e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Maurício Dias, jornalista