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Projeto Esperançando debate a construção de oportunidade para adolescentes em instituições de acolhimento



Criado em 2019, o Projeto Esperançando visa a auxiliar a construção da autonomia dos adolescentes que permanecem nas instituições de acolhimento, e que ao completarem 18 anos deixarão estes locais.  muitas vezes sem contar com uma rede de apoio familiar. A ideia é que neste ano seja estruturada uma rede de cooperação para auxiliar esses jovens, para que em 2020 atenda de com mais intensidade os adolescentes na condição de desacolhimento, por conta de chegarem à maior idade

Em 30 de setembro, última segunda feira, o Projeto Esperançando promoveu o I Seminário Esperançando: a vida após o acolhimento”, visando proporcionar um espaço de troca de experiências, reflexão, articulação e construção de novas perspectivas para esses adolescentes. O evento, gratuito, contou com apresentações de trabalhos acadêmicos no campus sede da UFSM, durante a tarde, e seminário no Prédio da Antiga Reitoria, a noite. A abertura do seminário foi feita por Mauren Costa dos Santos Rodrigues, Presidente do Grupo de Apoio e Incentivo a Adoção de Santa Maria (Gaia), que contou ainda com a fala de Rosi Prigol, “Conversando sobre o trabalho de preparação para a vida autônoma fora das instituições de acolhimento”, e uma prospecção de oportunidades aos adolescentes das instituições de acolhimento.

Alice é secretária do curso de Ciências Contábeis da UFSM, voluntária do Esperançando e uma das fundadoras Gaia, criado em 2015. No início, o objetivo principal era reunir famílias que estavam na fila de adoção para conversar sobre o ato de adotar, mas o grupo percebeu que não bastava falar com a família apenas antes, era necessário tratar também depois da adoção. Iniciou-se acompanhamento e outra percepção surgiu: “aquela criança que saiu de um abrigo dentro da casa da gente como filho, a gente acaba enxergando o acolhimento, o que eles precisam lá dentro, então isso foi caminhando até chegar no Projeto Esperançando”, conta ela.

Então, a equipe do Gaia, por incentivo também do professor Flavi Ferreira, inscreveu-se em editais como o do Observatório de Direitos Humanos, pela preocupação com esses adolescentes que não foram adotados. É o que conta Luciana Davi Traverso, professora do Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH), nos cursos de Administração e Turismo, e coordenadora do Esperançando: “A gente sabe que eles são invisibilidades na sociedade, se tem alguém que é vítima, são essas crianças”, diz ela. A docente ainda ressalta que “não é somente questão de ter conhecimento profissional e técnico sobre o assunto, é sobre ser um humano e acreditar no outro, que vê esses problemas e tenta contribuir de alguma maneira”.

Luciana afirma que a organização ficou feliz com a quantidade de pessoas presentes, ao fim do evento todos que lá estavam preencheram uma ficha com informações básicas e em como poderiam ajudar o projeto. A partir de agora, as organizadoras irão poder analisar as fichas e saber ao certo de que maneira as pessoas poderão auxilia-las, construindo uma rede de contatos que definitivamente poderá colaborar. “É muito aberto, porque como a gente lida com pessoas, e as expectativas dessas pessoas são muito diferentes, a gente pode oferecer tudo, qualquer pessoa pode contribuir”, disse a coordenadora.

Os presentes puderam ouvir o depoimento de Beatriz, 19 anos, estudante do primeiro semestre do Curso de Serviço Social da UFSM que faz parte do processo de acolhimento, e vista como pelas coordenadoras. Sobre sua fala, ela comenta que a intenção é sensibilizar e tentar ajudar as crianças e adolescente que estão vivendo no lugar de onde ela veio. “Principalmente os adolescentes que estão chegando próximo dos 18 e deixam o abrigo, a gente tem que ajudar a buscar sua autonomia”, comenta a aluna que, ao definir seu processo de superação, diz “foi bastante doloroso pra eu conseguir chegar até onde estou agora”. Beatriz morava no Lar de Miriam, uma instituição de abrigo sem fins lucrativos criada em 1970, que recebe doações da comunidade.

Elisete, que é economista, trabalhadora da Pró-reitoria de Planejamento e integrante do Gaia a cerca de dois anos, explica a necessidade da criação de oportunidades para essas crianças: “que seja de trabalho, mentoria, um reforço escolar, uma simples conversa, eles são carentes de vários tipos de apoio, de auxílio”. Para ela, são necessárias pessoas que acreditem neles, para que possam voltar a acreditar em si. Seu ideal é que “por meio de iniciativas de carinho, de aconselhamento, de oportunidades de cursos de formação, oportunidades de trabalho, eles conquistem autonomia e possam ser no futuro adultos dignos, bons cidadãos, comprometidos”.

Aqueles que se soliedarizarem e quiserem participar das iniciativas, podem entrar em contato pela página oficial do Projeto Esperançando ou pelo Observatório de Direitos Humanos da UFSM.

Confira mais fotos do evento:

Texto e fotografia: Lucas Felipe da Silva


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