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Abril Indígena na UFSM: Saberes, resistências e vozes das mulheres indígenas



A diversidade cultural e a resistência histórica dos povos originários ganharam destaque no evento “Um pé na aldeia e outro na Universidade – Saberes, resistências e vozes das mulheres indígenas” realizado na UFSM, no dia 17 de abril, como parte das comemorações do Abril Indígena na Instituição.

Organizado pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) da UFSM, o evento aconteceu no Hall do Restaurante Universitário da UFSM e contou com exposições de lideranças indígenas, de profissionais e estudantes indígenas da instituição, além de apresentações de cantos sagrados dos povos Terena, Kaingang e Xakriabá.  Para Niviane Santos Conceição, do povo Pataxó, graduanda de Farmácia e uma das organizadoras do evento, a celebração é um momento importante de reflexão sobre os povos indígenas.

Como pontuou Marcio Katánh Manoel Antonio, da Terra Indígena Kaingang de Cacique Doble/RS e primeiro servidor indígena na UFSM, o dia dos povos indígenas representa a diversidade de povos indígenas no Brasil. “Celebrar essa data é uma felicidade coletiva. Representa a luta indígena dentro da universidade, que existe há vários anos, desde Augusto Ópe, indígena que lutou pela presença de estudantes indígenas na graduação da UFSM e no serviço público federal”.

O cacique kaingang Natanael Claudino, da Aldeia Três Soitas de Santa Maria/RS, reiterou a importância de espaços de escuta e sensibilização sobre as lutas e as especificidades indígenas, como o proporcionado pelo evento, por proporcionarem a quebra de visões estereotipadas sobre a cultura indígena. Sobre isso, a liderança complementa: “Nossa aldeia está de portas abertas. Os não indígenas que visitam vão com opinião formada, mas, conhecendo as pessoas, mudam opinião. Convido as pessoas que querem para irem conhecer a nossa aldeia”.

Saberes, resistências e vozes das mulheres indígenas

A potência das mulheres indígenas é reconhecida nos mais diferentes âmbitos – nos territórios, na política institucional, no associativismo. Durante o evento, os participantes presenciaram a força que possuem na Universidade.

Nas exposições, as mulheres indígenas afirmaram que a sua presença na Instituição não é apenas resultado de conquistas individuais, mas reflexo de trajetórias coletivas. Ligea Bibiana Sales Campos, graduanda de Medicina do povo kaingkang, relembrou a força de suas ancestrais e afirmou que a sua presença na UFSM é ancorada nas mulheres que vieram antes dela: “Minha força vem das minhas ancestrais, não estou sozinha em sala de aula, tenho uma bagagem genética”. Clarisse Fortes, do povo kaingang e graduada em Enfermagem, também recorda suas ancestrais e afirma: “Para nós estarmos aqui, antes de nós vieram muitas”.

Dentre as pautas abordadas, as mulheres indígenas destacaram o fortalecimento de sua atuação em espaços de decisão, dentro e fora das universidades. “Chega dos não indígenas fazerem políticas públicas para indígenas. Temos capacidade de produzir políticas públicas para nós mesmas. Não indígenas não têm capacidade de criar políticas públicas para mulheres indígenas, porque somente nós entendemos as nossas especificidades”, pontua Clarisse.

Pauta indígena na UFSM

No último mês, a Política de Permanência Indígena foi pauta de diversas ações na Instituição, que reivindicaram o direito ao suporte financeiro a estudantes indígenas para a sua permanência sólida e definitiva na UFSM. Sobre esse tema, o graduando de Enfermagem Marcos Leonardo, da Terra Indígena Guarita, afirma: “Mais pessoas brancas deveriam estar aqui nos ouvindo para compreenderem que não precisamos só de vagas, precisamos de permanência. Por mais que o futuro seja difícil, nós estamos resistindo. Vou me formar e vou estar formando os outros 8 mil indígenas da Guarita”.

Para complementar, Angela Souza, coordenadora do NEABI da UFSM, aponta: “hoje é um dia para refletirmos sobre como estamos tratando os povos indígenas, começando pela nossa universidade, que precisa efetivar a pluralidade e a diversidade que é tão falada nas pesquisas. Que a gente realmente se revisite, que a diversidade seja vista na prática – não só proporcionando acesso à Universidade, mas através do reforço à permanência. A bolsa permanência na UFSM é uma luta legítima dos povos indígenas”.

Sobre a data
O Dia dos Povos Indígenas é uma data que celebra a diversidade dos povos indígenas do Brasil, anualmente, no dia 19 de abril. Na UFSM, a celebrações aconteceram durante todo mês de abril.

O dia 19 de abril é uma referência ao “1° Congresso Indigenista Interamericano”, ocorrido no México, em 1940. No Brasil, essa data foi reconhecida através do decreto Lei n° 5.540, de 1943.

Abaixo, confira os registros do evento:

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