Ir para o conteúdo OBCC Ir para o menu OBCC Ir para a busca no site OBCC Ir para o rodapé OBCC
  • International
  • Acessibilidade
  • Sítios da UFSM
  • Área Restrita

Aviso de Conectividade Saber Mais

Início do conteúdo

2 anos da maior catástrofe climática do Estado do Rio Grande do Sul: aprendizados e contribuições para o debate e para a ação



São Sebastião do Caí (RS). Duda Fortes / ZH 2024.

Maio remete ao período da maior catástrofe climática registrada no Rio Grande do Sul, em 2024.

A reflexão sobre a memória desses acontecimentos é fundamental para transformar a experiência vivida em aprendizados — tanto pessoais quanto técnicos — de modo a evitar que situações semelhantes se repitam. Nesse sentido, olhar para o ocorrido também permite identificar legados de gestão, contribuindo para o aperfeiçoamento e o fortalecimento de práticas mais eficazes de enfrentamento. Embora os eventos climáticos extremos não possam ser controlados, é possível mitigar seus impactos e construir resiliência por meio de processos estruturados de prevenção, preparação, prontidão e capacidade de resposta diante de crises graves, como a que ocorreu no estado. Nesse contexto, a comunicação assume papel estratégico e indispensável.

 

O protagonismo da comunicação desde a prevenção

 

Comunicar em uma sociedade marcada por riscos exige mais do que simplesmente informar, alertar ou avisar. Não se trata apenas do uso de tecnologias digitais de monitoramento de alertas e da transmissão de informações. O processo comunicacional nesse contexto também se estabelece a partir de fontes institucionais confiáveis, tanto do governo quanto da mídia, de comunicação pública que vai além de campanhas de informação, assim como de cobertura midiática responsável, que contribui na educação para riscos de desastres e agenda o debate sobre os riscos e as consequências da crise climática. Sem esse esforço coletivo, abre-se espaço para medo, dúvidas, desconfiança e desinformação. Para isso, a comunicação precisa ser contínua, não restrita ao momento da crise, levando em conta fontes oficiais e legitimadas de referência. Dessa forma, gera segurança e constrói confiança ao longo do tempo junto à população.

Tendo em vista o cenário de incertezas, o papel estratégico da comunicação ganha destaque, impondo ainda mais responsabilidade aos profissionais da área. Comunicar em contextos de crises e desastres pressupõe ainda mais planejamento, coordenação/cooperação e conhecimento sobre os interlocutores envolvidos. Situações críticas também impõem agilidade, proximidade e assertividade no que se refere à comunicação, garantindo que as mensagens cheguem e sejam compreensíveis pelas pessoas. De pouco adianta infraestrutura digital (site, redes sociais, SMS e aplicativos) sofisticada se ela não for capaz de possibilitar a ação em caso de crise indicando rotas de fuga, orientações de locais seguros como abrigos previamente preparados, além de como chegar até lá e o que levar.

Só que para isso é preciso, antes, escuta e envolvimento da população. A comunicação deve ser construída com a participação das comunidades em situação de risco, através de pesquisas e em diálogo com elas, reconhecendo suas vivências e necessidades específicas. A comunicação necessita chegar antes, na prevenção e na preparação, pois apenas no momento crítico não é suficiente. Provavelmente este tenha sido um dos principais aprendizados trazidos pelos acontecimentos de maio de 2024 no Rio Grande do Sul.

Por reconhecer a centralidade da comunicação também nestes momentos críticos, o OBCC vem, desde então, participando ativamente e fomentando discussões em torno do tema, seja em eventos seja a partir dos conteúdos disponibilizados no portal do Observatório. A seguir, destacamos algumas das entrevistas com especialistas, orientações para a sociedade, artigos e notícias publicadas no portal, que se somam a publicações e iniciativas desenvolvidas por diferentes instituições no âmbito da comunicação e de outras áreas, compondo um conjunto colaborativo de produções.

 

Contribuições do OBCC para o debate e para a ação

 

Entrevistas com especialistas

Considerando que a gestão de riscos, de crises e de desastres se trata de um esforço inter e multidisciplinar, no período subsequente aos eventos climáticos ocorridos no Rio Grande do Sul, o OBCC realizou seis entrevistas com especialistas brasileiros de diferentes áreas de conhecimento para debater sobre o tema. Acesse e leia as contribuições dos convidados:

Entrevista 1 – Ten. Sabrina Ribas, Coordenadora de Comunicação Social da Casa Militar- Subchefia de Proteção e Defesa Civil do Rio Grande do Sul. 

Entrevista 2 – Maicon Bock, Ex-secretário-adjunto de Comunicação do Governo do Rio Grande do Sul.

Entrevista 3 – Dr. Paulo Roberto de Abreu Bruno, Tecnologista em Saúde Pública na Fiocruz.

Entrevista 4 – Abner de Freitas, Fundador da Hopeful – startup para Educação em desastres.

Entrevista 5 – Dr. Odir Dellagostin, Diretor-Presidente da Fapergs.

Entrevista 6 – Dr. Paulo Marchiori Buss, Professor Emérito da Fiocruz e membro titular da Academia Nacional de Medicina.

 

Bairro Mathias Velho em Porto Alegre (RS). Duda Fortes / ZH 2024

Orientações para a sociedade 

                                                             

Com a finalidade de indicar caminhos para auxiliar na gestão de desastres, elencamos sugestões voltadas à população, às organizações públicas e privadas, governos e aos veículos de comunicação para ação em casos de tempestades, incêndios florestais, deslizamentos de encostas, tornados, ciclones, inundações e enchentes. Elas partem de uma abordagem comunicacional e também levam em conta perspectivas interdisciplinares para tomada de atitudes e decisões.

Orientações para a sociedade no contexto de eventos climáticos extremos

 

Artigos publicados no portal

Com o intuito de reunir múltiplas vozes, o OBCC se consolidou como um espaço aberto para a colaboração de especialistas, professores e pesquisadores de diversas áreas. Nesse ambiente, experiências, reflexões e boas práticas de gestão ganham visibilidade e se transformam em oportunidades de troca de ideias, contribuindo para a construção de novos conhecimentos e soluções inovadoras diante da atual conjuntura. Veja a seguir:

Inundação de maio de 2024, um ano depois: lições, avanços e desafios – por Grupo de Pesquisa Cuidar_Com (PUCRS)

Comunicação de risco já – por Jorn. Sílvia Marcuzzo

Um ano depois das inundações, é preciso recordar: comunicação é ciência e precisa de cuidado – por Grupo de Pesquisa Cuidar_Com (PUCRS)

Três crises globais e o futuro da humanidade – por Jorn. João Fortunato

Autoridade do Clima em Clima de Autoridade – por Ten. Leonardo Siqueira Alves dos Passos (Corpo de Bombeiros Militar – RS)

Sobre a chamada fadiga da compaixão, a cobertura de desastres e o papel jornalístico em cenários de crise – por Filipe Barrado Ferreira (Mineração Morro do Ipê)

Saúde Mental e Atenção Psicossocial no Contexto das Enchentes no Rio Grande do Sul – por Beatriz Schmidt et.al. (FURG)

Comunicação de risco em desastres – por Profª Drª Ana Karin Nunes (UFRGS)

A maior de todas as crises está em andamento – por Jorn. João Fortunato

Blumenau: uma cidade resiliente a inundações – por Ana Flavio de Bello Rodrigues (Cosafe)

Comunicação de Risco em Saúde Única: Estratégias Integradas para a Gestão de Crises e Emergências – por Luís Felipe Sardenberg (OPAS/OMS) e Gustavo Buss (Fiocruz)

Crises como a do Rio Grande do Sul, quem se importa? – por Adv. Otávio Novo

As enchentes no Rio Grande do Sul e o luto coletivo – por Psic. Helena Bornhorst

 

Notícias publicadas

 

Nos últimos dois anos, o OBCC tem divulgado mapeamentos, textos e iniciativas voltadas à comunicação e à gestão em cenários de crise. As notícias do portal buscam mostrar como a pesquisa científica, a comunicação e diferentes áreas do conhecimento são fundamentais para enfrentar situações críticas. Abaixo seguem algumas das notícias que marcaram esse período:

Mapeamento do OBCC mostra a produção acadêmica brasileira na área da comunicação relacionada à crise climática

15 textos para pensar o desastre climático no RS sob a perspectiva comunicacional

10 textos para pensar sobre gestão de crise a partir das enchentes no RS 

OBCC compõe Guia de Integridade da Informação no contexto da crise climática no RS

OBCC participa em Porto Alegre do Summit em Mudanças Climáticas

Um ano depois das inundações, é preciso recordar: comunicação é ciência e precisa de cuidado

 

Publicações e iniciativas desenvolvidas no âmbito da comunicação

 

Desde 2024, diferentes instituições têm desenvolvido iniciativas e publicações relevantes no campo da comunicação de risco, comunicação de crise e crise climática. Essas ações incluem congressos, capacitações, pesquisas, relatórios técnicos, protocolos, guias de referência, entre outros. A seguir, reunimos alguns destaques que podem inspirar novas ações e estimular debates sobre o tema, especialmente diante dos desafios que ainda persistem para o enfrentamento às incertezas do cenário atual.

+ Manual para a cobertura jornalística dos desastres climáticos – UFSM/UFRGS

+ Alerta Cell Broadcast – Defesa Civil

+ Pesquisa de Informações Básicas Municipais (MUNIC 2024) – IBGE

+ Pesquisa Percepção de Risco de Desastres pela População Gaúcha – Defesa Civil RS

+ Comunicação com Empregados no enfrentamento aos desastres climáticos: Aprendizados e possíveis caminhos – Aberje

+ As enchentes no Rio Grande do Sul: lições, desafios e caminhos para um futuro resiliente – Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)

+ 1º Ciclo de Palestras sobre Comunicação de Riscos de Desastres – Defesa Civil RS

+ XIX Congresso Brasileiro Científico de Comunicação Organizacional e Relações Públicas: Comunicação na/para Sociedade de Risco – Abrapcorp

+ Ebook 100 coisas para saber sobre riscos e desastres – UFRN/UFABC/Cemaden

+ Grupo de Pesquisa lança podcast sobre comunicação, crises e cultura do cuidado – PUCRS

+ Guia de Integridade da Informação no Contexto da Crise Climática no RS – Fiocruz/ONU/Embrapa/SecomRS

+ Ebook Comunicação na/para Sociedade de Risco – Abrapcorp

+ Colóquio Cuidar_Com: Comunicação e cuidado em tempos de eventos extremos: pesquisa e prática em diálogo – PUCRS

+ Protocolo Meteorológico para Eventos Climáticos – UFRGS

+ Sistema de acessibilidade Color ADD para comunicação de risco – Defesa Civil RS

+ Podcast Clima de Crise – UFSM

+ 1ª Edição da Capacitação em Comunicação de Risco para Municípios – Defesa Civil RS

+ 1º Seminário Internacional de Comunicação de Risco e Cultura do Cuidado – PUCRS

+ Marcas da Chuva: pesquisadores lançam série documental sobre catástrofe de 2024 – UFSM

 

_______

Eldorado do Sul (RS). Duda Fortes / Zero Hora 2024

A catástrofe climática de 2024 no Rio Grande do Sul                                          

Durante o fim de abril e o começo de maio de 2024, o Estado do Rio Grande do Sul foi atingido por enchentes, resultantes de fortes chuvas na região. Esse acontecimento fez com que as bacias dos rios Caí, Gravataí, Jacuí, Pardo, Sinos e Taquari, além do Lago Guaíba e da Lagoa dos Patos, transbordassem e a água invadisse os municípios e áreas no entorno. De acordo com a última atualização da Defesa Civil, 478 cidades foram afetadas (o que representa mais de 90% dos municípios gaúchos), sendo mais de 2,3 milhões de pessoas atingidas, o que resultou em 185 mortes, mais de 800 feridos e 23 pessoas desaparecidas. Milhares de pessoas tiveram que sair de suas casas, estradas foram bloqueadas e diversas atividades foram suspensas, como as do Aeroporto Internacional Salgado Filho, de Porto Alegre.

Esse episódio foi considerado a maior catástrofe climática da história do RS e seus impactos são sentidos até hoje na economia, infraestrutura, meio ambiente, logística e saúde mental. A partir deste caso ficaram explícitas várias falhas, a exemplo de comunicação de risco precária, reduzida percepção de risco pela população e gestão pública ineficiente. No período, cabe destacar ainda os efeitos do negacionismo científico e do fenômeno da desinformação orquestrada que acabou atrapalhando os resgates, a ajuda humanitária e a ação por parte da população afetada.

Divulgue este conteúdo:
https://ufsm.br/r-880-614

Publicações Recentes